Israel Fere Três Capacetes Azuis do Gana na UNIFIL

Segurança e Paz — Oriente Médio

Mísseis israelenses atingem a base do contingente ganense em Al-Qawzah, no sul do Líbano, durante o combate; presidente libanês Aoun acusa Israel de "agressã...

Na noite de sexta-feira, 6 de março de 2026, por volta das 21h30 no horário local do sul do Líbano, dois mísseis israelenses atingiram em rápida sucessão o quartel-general do batalhão ganense da UNIFIL na cidade de Al-Qawzah, no distrito de Bint Jbeil — uma das regiões do sul do Líbano com maior concentração de infra-estrutura do Hezbolá e, consequentemente, um dos teatros mais ativos da campanha ofensiva israelense iniciada em 2 de março. A UNIFIL publicou nota no Telegram às 22h04 dizendo: "Em meio a intenso fogo esta noite, três capacetes azuis foram feridos dentro de sua base em Al-Qawzah. O mais gravemente ferido foi transferido para um hospital em Beirute para tratamento." O exército de Gana — que mantinha 891 soldados no contingente da UNIFIL — confirmou em nota que "o quartel-general do batalhão sofreu dois ataques de mísseis" e que "dois soldados estão em estado crítico, enquanto um terceiro foi traumatizado". Veículos e sistemas de comunicação do quartel-general foram danificados. O mandato do UNIFIL se encerrava em dezembro de 2026 — após a decisão americana, em agosto de 2025, de vetar sua renovação indefinida —, tornando aquele momento particularmente delicado para a presença da ONU no sul do Líbano, onde a missão operava havia 48 anos ininterruptos desde 1978 e havia sido expandida pela Resolução 1701 do CSNU em 2006.O presidente libanês Joseph Aoun, ex-chefe do exército que havia assumido a presidência em janeiro de 2025, publicou declaração dura: "Condeno os ataques israelenses contra o Líbano, que chegaram ao ponto de uma agressão direta contra o UNIFIL. Exijo uma investigação imediata e a responsabilização dos perpetradores." A condenação mais citada foi a do presidente Emmanuel Macron, que havia ligado para seus homólogos libanês e sírio antes de publicar no X: "Condeno este ataque inaceitável. Não o toleramos e não o toleraremos." Macron acrescentou que a França permanecia "engajada" no UNIFIL — no qual mantinha cerca de 700 soldados — e que trabalhava "com seus parceiros para evitar que o conflito se alastre ainda mais pela região". O secretário-geral da ONU António Guterres emitiu comunicado do gabinete por Stéphane Dujarric dizendo que "a segurança e a proteção do pessoal da ONU e dos seus bens devem ser respeitadas em todas as circunstâncias" e que "os responsáveis devem ser identificados e responsabilizados". Jean-Pierre Lacroix, secretário-geral adjunto para Operações de Paz, seria convocado em briefing ao CSNU nos dias seguintes. A Itália — com o maior contingente individual da UNIFIL, de aproximadamente 1.200 soldados — reagiu com a condenação mais intensa entre os países membros: o ministro da Defesa Guido Crosetto disse em entrevista coletiva que o ataque "não foi um erro e não foi um acidente" e que "poderia constituir um crime de guerra e representava uma violação muito grave do direito internacional militar", acrescentando ter convocado o embaixador israelense para exigir explicações. Espanha, Índia, Indonésia, China, Rússia e dezenas de outros países com soldados no UNIFIL emitiram condenações nos formatos e intensidades esperadas de cada um deles. O IDF respondeu apenas em nota tardia: "Identificamos um hit numa instalação do UNIFIL, localizada a aproximadamente 50 metros da fonte da ameaça, resultando no ferimento de dois integrantes do UNIFIL" — fórmula que invocava a proximidade entre a base ganense e posições de lançamento de foguetes do Hezbolá como contexto, sem pedir desculpas explicitamente nem assumir responsabilidade.No mesmo dia 6 de março, o IDF publicou o balanço operacional mais abrangente da campanha até então: desde o início da Operação Roaring Lion em 28 de fevereiro, as forças israelenses haviam realizado 2.500 strikes no Irã, destruindo ou degradando gravemente aproximadamente 80% dos sistemas de defesa aérea e radares iranianos — número que o IDF dizia permitir "liberdade operacional quase irrestrita" sobre o espaço aéreo iraniano "de oeste até o centro de Teerã". A Al Jazeera registrou, com base no seu tracker de baixas atualizado ao longo do dia, que pelo menos 1.332 pessoas haviam sido mortas no Irã desde 28 de fevereiro, e que 181 delas eram crianças — número que a UNICEF havia confirmado formalmente naquele dia em nota publicada em Genebra, classificando o padrão de casualties como "alarmante" e pedindo "proteção imediata de crianças em todas as hostilidades". Um strike realizado naquele dia atingiu uma escola nas proximidades da Praça Niloufar, na zona nordeste de Teerã, acrescentando novas baixas civis ao total — episódio que se somava ao mais mortífero incidente civil do conflito: o strike de 28 de fevereiro contra a escola de meninas Shajareh Tayyebeh em Minab, que havia matado entre 165 e 168 estudantes e funcionárias. O New York Times havia reunido evidências — imagens de destroços, trajetórias, tipos de munição — sugerindo que ao menos alguns dos ataques a escolas haviam sido realizados por forças americanas, não israelenses; os EUA diziam estar "investigando" e Israel negou envolvimento.