ONU defende regulação global para frear riscos da inteligência artificial

Governança Global — Global

Estados Unidos resistem a normas enquanto China endurece controle sobre novas tecnologias.

O apelo da ONU por normas globaisAs Nações Unidas (ONU) oficializaram, em 14 de setembro de 2026, um pedido urgente para a implementação de um arcabouço normativo internacional destinado a conter os riscos da inteligência artificial (IA). A organização alerta que a falta de diretrizes globais possibilita um desenvolvimento tecnológico desordenado, capaz de fragilizar pilares fundamentais da segurança internacional e dos direitos humanos. Este apelo marca uma fase crítica na tentativa de consolidar uma governança capaz de equilibrar o avanço técnico com a necessidade de proteção das sociedades contra abusos digitais.Riscos e desafios da inteligência artificialO alerta das Nações Unidas, feito pelo alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, fundamenta-se na expansão de riscos como a desinformação automatizada, a vulnerabilidade de sistemas de defesa cibernética e o impacto disruptivo no mercado de trabalho global. Especialistas apontam que a autonomia crescente desses sistemas cria desafios para a preservação da soberania nacional e a integridade de processos democráticos. A possibilidade de algoritmos serem empregados para fins maliciosos, sem qualquer supervisão ou responsabilidade legal clara, motiva a insistência da comunidade internacional em buscar um padrão ético que reduza as ameaças à estabilidade global.O posicionamento de diferentes naçõesA resposta internacional às propostas de regulação revela a existência de visões antagônicas entre as principais potências tecnológicas. O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, mantém uma postura de resistência a alertas de segurança internacionais, priorizando a liderança econômica e a inovação privada sem restrições externas. A China, por sua vez, adota uma estratégia de controle rigoroso submetendo empresas a auditorias para impedir que algoritmos disseminem informações consideradas contrárias à estabilidade social ou à segurança nacional antes de serem disponibilizados ao público. Esse modelo de gestão centralizada reflete a intenção chinesa de liderar a corrida tecnológica não apenas pela eficiência, mas pela capacidade total de governar o impacto social da inovação, forçando a comunidade internacional a lidar com paradigmas regulatórios opostos que tornam cada vez mais improvável o estabelecimento de um consenso global unificado.Regime internacional e a posição do BrasilO regime internacional de regulação da IA permanece fragmentado, visto que a ausência de um tratado global vinculante permite que cada país siga sua própria trajetória regulatória. Diante desse cenário de incertezas, o Brasil tem buscado participar ativamente de fóruns multilaterais e grupos de trabalho na ONU, defendendo um modelo de governança que contemple tanto o desenvolvimento ético da tecnologia quanto a redução das desigualdades digitais. A diplomacia brasileira insiste na importância de que as normas internacionais considerem as necessidades dos países em desenvolvimento, assegurando que o progresso técnico promova o bem-estar social em vez de concentrar o poder nas mãos de poucos atores globais.