Brasil e Angola reforçam parceria com Plano de Ação para Cooperação Cultural
Política Externa Brasileira — América do Sul
Acordo estabelece diretrizes para intercâmbio técnico e artístico entre os dois países até 2028.
A formalização do novo compromisso cultural bilateralNesta semana, a ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, e o ministro da Cultura da República de Angola, Filipe Silvino de Pina Zau, assinaram formalmente, em Luanda, uma Declaração Conjunta que reafirma o compromisso dos dois Estados com a intensificação da cooperação cultural bilateral. Durante a reunião de trabalho entre as delegações, foi adotado o Plano de Ação para a Cooperação Cultural Brasil–Angola 2026–2028, um instrumento estratégico que orientará a implementação da agenda conjunta nos próximos anos. A agenda, realizada na sede do Ministério da Cultura de Angola, contemplou encontros técnicos e conferência de imprensa, na qual o documento foi lido e ratificado por ambas as partes como base para o desenvolvimento de iniciativas em áreas sensíveis como patrimônio, memória e economia criativa.Contexto histórico das relações e o papel da CPLPAs relações entre o Brasil e Angola fundamentam-se em vínculos históricos, culturais, linguísticos e humanos duradouros, sendo o Brasil o primeiro país a reconhecer a independência da nação angolana, em 1975. Este alicerce histórico é constantemente renovado e ampliado por meio da cooperação no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), um espaço multilateral onde ambos os países articulam esforços comuns. As autoridades reafirmaram o compromisso com o fortalecimento dessa cooperação, destacando o Programa CPLP Audiovisual como vetor para a circulação de obras e o intercâmbio de profissionais. A intenção é promover uma integração mais sólida que assegure a valorização da língua portuguesa, das línguas nacionais angolanas e das expressões linguísticas de matriz africana, reconhecendo-as como patrimônio cultural de valor inestimável.Estrutura do Plano de Ação e herança compartilhadaO Plano de Ação organiza as iniciativas de cooperação em quatro eixos temáticos fundamentais, que englobam a preservação de culturas afrodescendentes, a diversidade cultural, a cidadania e o fomento ao audiovisual. Entre as medidas previstas, destaca-se o intercâmbio técnico entre museus, bibliotecas e arquivos, além de ações voltadas à digitalização e difusão de acervos que documentam as relações históricas entre os dois países. Além de promover a qualificação de profissionais da cultura, o acordo incentiva a cooperação institucional com a Escola Solano Trindade de Cultura e Economia Criativa, do Brasil. Os ministros também manifestaram apoio às candidaturas do Semba, proposta por Angola, e do Maracatu-Nação, proposta pelo Brasil, à Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).A Política Externa para a África e o Sul GlobalA assinatura deste Plano de Ação reflete a prioridade conferida pelo atual governo brasileiro à intensificação das relações com o continente africano, sob a égide da cooperação Sul-Sul, que busca o desenvolvimento sustentável e a integração entre os povos. O Ministério da Cultura pretende, com essa agenda, investir na formação técnica, no intercâmbio artístico e na cooperação institucional, reafirmando a diplomacia como um instrumento de aproximação estratégica. O acompanhamento contínuo pelas equipes técnicas garantirá que os cronogramas sejam cumpridos, consolidando uma parceria que visa resultados duradouros e a construção de sociedades mais justas.