Cuba acusa Estados Unidos de coagir países sobre voto na ONU

Governança Global — América Latina

A denúncia foi apresentada pelo chanceler cubano antes da deliberação anual contra o embargo econômico.

A denúncia cubanaO ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, acusou formalmente o governo dos Estados Unidos (EUA) de ameaçar Estados-membros da Organização das Nações Unidas (ONU) para alterar o resultado da votação anual contra o embargo econômico imposto à ilha. O chanceler afirmou que a administração do presidente norte-americano Donald Trump ameaça aplicar tarifas punitivas, restrições de vistos e sanções comerciais contra países que mantiverem o voto favorável a Cuba. A deliberação na Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU) está programada para ocorrer nos dias 27 e 28 de outubro de 2026, em Nova York, quando o plenário analisará pela 34ª vez o projeto de resolução que pede o fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro. Segundo o governo cubano, a ofensiva diplomática busca reverter o apoio histórico da comunidade internacional antes da abertura da sessão.Ameaças norte-americanasDe acordo com os relatos apresentados pela diplomacia cubana, a campanha de pressão é conduzida há meses pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e pelo embaixador dos EUA junto à ONU, Mike Waltz. Washington é acusada de ameaçar suspender programas bilaterais de cooperação, negar vistos a funcionários governamentais e seus familiares e financiar partidos de oposição em futuras eleições nacionais caso os governos não mudem seus posicionamentos. O chanceler acrescentou que diplomatas norte-americanos também orientaram delegações que apoiam a resolução há décadas a se absterem ou a se ausentarem do plenário no momento da votação. Para Havana, essa conduta representa uma prática de coerção no sistema multilateral, argumento que é rebatido diretamente pelos representantes diplomáticos de Washington em Nova York.Estados Unidos atribuem crise ao governo cubanoA administração do presidente Donald Trump rejeita a tese de que o embargo seja a causa do colapso econômico da ilha e responsabiliza a gestão do governo cubano pela escassez de recursos e pela repressão política interna. Na segunda-feira, 19 de outubro de 2026, o embaixador Mike Waltz organizou um painel na sede da ONU com ex-prisioneiros políticos para expor denúncias de violações de direitos humanos em Cuba. Waltz também afirmou que a resolução anual cubana propaga inverdades para justificar a opressão interna e confirmou que Washington tem pedido a países europeus que reconsiderem seus votos. Histórico de votações na ONU e o agravamento da crise energética em 2026O embargo norte-americano contra Cuba teve início na década de 1960 e completou mais de seis décadas de vigência, sendo considerado o mais longo da história moderna. Desde 1992, a AGNU aprova anualmente resoluções não vinculativas pelo fim das sanções, que contam tradicionalmente com o voto favorável do Brasil e da ampla maioria dos 193 Estados-membros. Ao longo de 2026, o governo dos EUA intensificou o cerco econômico ao bloquear o fornecimento de petróleo, sancionar empresas estatais cubanas e ameaçar impor tarifas a países fornecedores de combustível. Como consequência da restrição energética e da crise de infraestrutura, a população cubana enfrenta apagões diários prolongados e desabastecimento de alimentos e medicamentos, tornando a votação de outubro de 2026 um termômetro diplomático decisivo sobre o isolamento internacional de Havana.