Segundo Hezbollah, Cessar-fogo Só Valerá Se Israel Deixar o Sul do Líbano
Governança Global — Global
Donald Trump anuncia trégua de 10 dias com início marcado para as 18h desta quinta-feira (16), mas fortes divergências sobre a permanência das tropas e o his...
A Condição Imposta Pelo Grupo Armado O Hezbollah declarou formalmente nesta quinta-feira (16) que só aceitará o recém-anunciado cessar-fogo no Líbano, o qual foi comunicado publicamente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se os soldados israelenses se retirarem de forma completa e imediata do sul do país. Em um longo comunicado oficial divulgado à imprensa internacional, o grupo terrorista, que Israel afirma ser o alvo principal e exclusivo de seus constantes ataques ao Líbano, declarou que a permanência e a presença de tropas de Israel em seu território concederia automaticamente ao Líbano e ao seu povo o direito de resistir armadamente contra a ocupação estrangeira. Esta condição imposta pela milícia armada xiita coloca um imenso obstáculo diplomático nas negociações conduzidas pela Casa Branca, ameaçando o sucesso prático da trégua.A Posição Firme do Governo de Israel Em contrapartida direta às exigências feitas pela milícia, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, foi categórico e afirmou de maneira incisiva que o acordo provisório de cessar-fogo firmado diplomaticamente com o Estado do Líbano não inclui, sob nenhuma hipótese, a retirada dos soldados israelenses que já estão firmemente posicionados na região. Esta profunda divergência estrutural entre as forças combatentes ameaça diretamente a estabilidade territorial e a viabilidade da pausa nas hostilidades, uma vez que as tropas terrestres de Tel Aviv continuarão a operar em zonas de alta tensão no lado libanês da fronteira militarizada. A manutenção do contingente armado é justificada por Israel como uma medida de segurança inegociável para garantir a proteção de suas cidades ao norte.O Alerta Para a População Civil Libanesa Diante de todo este cenário de enorme incerteza tática e de guerra iminente, líderes locais do país árabe emitiram avisos de extrema cautela para os milhares de civis deslocados pelo conflito. Em uma declaração escrita e distribuída em rede nacional, Nabih Berri, que atua como um importante aliado político do Hezbollah e ocupa o alto cargo de presidente do Parlamento libanês, instou fortemente todos os cidadãos libaneses a adiar o seu retorno tão desejado às suas respectivas cidades e vilarejos do sul até que a situação de segurança se torne muito mais clara e estável, procedendo estritamente de acordo com os trâmites do acordo de cessar-fogo. O medo de novos confrontos inesperados mantém a população civil afastada de suas casas originais.Os Detalhes do Anúncio Norte-Americano O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assumiu a vanguarda e a autoria do anúncio de paz nesta quinta-feira (16), comunicando globalmente que Israel e o Líbano concordaram de fato com um cessar-fogo provisório de dez dias de duração para aplacar a crise. O mandatário norte-americano anunciou com grande entusiasmo diplomático que esses dois líderes de Israel e do Líbano concordaram que, para alcançar a PAZ entre seus países, iniciarão formalmente um cessar-fogo de 10 dias. Segundo o presidente note-americano, a trégua começará a vigorar de forma oficial exatamente às 18h desta quinta, sempre pelo horário de Brasília. Trump disse ainda ter falado pessoalmente por telefone com os líderes políticos de ambos os países envolvidos no embate.As Divergências e a Tensão Entre os Governos Embora o acordo internacional preveja uma trégua formal e estruturada com a nação do Líbano, o governo de Israel diz incessantemente estar lutando exclusivamente para erradicar a ameaça do grupo terrorista Hezbollah, um grupo fortemente financiado pelo regime do Irã, mas que atua livremente e controla amplas zonas dentro do Líbano. Por outro lado, o Exército libanês regular não se envolveu diretamente no violento conflito fronteiriço em nenhum momento. Refletindo o clima de urgência e tensão militar, fontes sigilosas do governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disseram à agência de notícias Reuters que Netanyahu convocou o seu gabinete interno para uma discussão urgente sobre o cessar-fogo no Líbano, avaliando os próximos passos estratégicos da defesa israelense.A Tentativa de um Encontro Histórico Evidenciando a gigantesca barreira diplomática que ainda precisa ser superada, mais cedo, tanto Donald Trump quanto o governo israelense afirmaram que os líderes dos dois países se falariam por canais oficiais, mas o governo libanês emitiu uma nota dizendo que o atual presidente do país, Josephe Aoun, se negou terminantemente a falar com o primeiro-ministro Netanyahu. Buscando quebrar esse longo gelo diplomático e selar um compromisso, o presidente norte-americano disse ainda que convidará oficialmente Aoun e Netanyahu para uma reunião conjunta na Casa Branca. Caso isso de fato ocorra sob a mediação de Trump, será o primeiro encontro formal entre os altos líderes de Israel e do Líbano em mais de três décadas de tensa história política. As relações entre os dois importantes países do Oriente Médio, que são vizinhos territoriais, encontram-se profundamente estremecidas desde a década de 1970. Israel atacou o sul do Líbano de forma ostensiva em 1978 e novamente no violento ano de 1982 para combater ofensivas constantes promovidas por milícias pró-Palestina na época, deixando feridas não curadas.