22 Mortos em Karachi ao Cercar o Consulado Americano

Governança Global — Oriente Médio

Protestos contra a Operação Epic Fury tomam o Paquistão: multidão tenta invadir o consulado dos EUA em Karachi, polícia mata pelo menos 22 manifestantes — en...

Na tarde de domingo, 1º de março de 2026, com as imagens das explosões em Teerã e de Beit Shemesh ainda circulando nas redes sociais, centenas de manifestantes em Karachi — a maior cidade do Paquistão e um dos maiores centros urbanos do mundo islâmico, com 14 milhões de habitantes — marcharam em direção ao Consulado-Geral dos Estados Unidos na avenida Mai Kolachi, no bairro de Bath Island, portando bandeiras do Irã e de organizações palestinas e cartazes com imagens de Khamenei, conforme documentaram a AP, a Al Jazeera e a Fox News. Quando a multidão tentou forçar os portões do consulado, as forças de segurança paquistanesas — policiais do Sindh e agentes paramilitares dos Rangers — abriram fogo com munição real e borracha e dispararam gás lacrimogêneo, conforme a AP. "Centenas de manifestantes tentaram invadir o consulado dos Estados Unidos em Karachi, provocando confrontos com as forças de segurança que deixaram ao menos 22 pessoas mortas e várias outras feridas", reportou a AP, citando o chefe do Departamento de Saúde de Sindh. Vídeos verificados pelo Reuters e pela Al Jazeera mostravam corpos na calçada diante do consulado, com ambulâncias bloqueadas por multidões que se recusavam a recuar. Um membro do Serviço Exterior americano ficou ferido levemente por estilhaços de vidro quando a janela do consulado foi atingida por projéteis, conforme a CNN, que citou funcionário americano anônimo.O primeiro-ministro Shehbaz Sharif — que na véspera já havia convocado o embaixador americano Donald Blome para entregar nota formal de protesto —, telefonou diretamente para o secretário de Estado Marco Rubio na tarde de domingo, conforme confirmou o Ministério das Relações Exteriores paquistanês em nota publicada no X e reproduzida pela Reuters e pela Al Jazeera. Sharif disse a Rubio que o Paquistão "condena nos termos mais firmes possíveis os ataques americanos e israelenses contra o Irã" e que as ações dos EUA "ameaçam a paz e a estabilidade de toda a região" — num tom que analistas do International Crisis Group, citados pela Al Jazeera, classificaram como a declaração paquistanesa mais dura contra Washington desde a crise que se seguiu ao ataque americano à fronteira paquistanesa que matou 24 soldados paquistaneses em 2011. O ministro das Relações Exteriores Ishaq Dar, falando ao parlamento na segunda-feira, chamaria a operação de "flagrante violação do direito internacional" e exigiria que o CSNU adotasse resolução condenando os strikes. O Paquistão, potência nuclear com 250 milhões de habitantes e a maioria muçulmana sunita — embora com significativa minoria xiita, que havia celebrado as ruas logo após a notícia da morte de Khamenei —, era ao mesmo tempo aliado nominal dos EUA na "guerra ao terror" e Estado cujo establishment religioso e militar tinha relações históricas profundas com o Irã, conforme analisou a Reuters. A Assembleia Nacional do Paquistão havia aprovado em sessão especial na manhã de domingo uma resolução não vinculante condenando a operação americano-israelense por 271 votos a 13, conforme a Dawn e a Reuters.A cena em Karachi era a mais mortífera de uma onda de protestos antiamericanos que havia varrido dezenas de cidades no mundo muçulmano nas 36 horas após o início da operação, conforme documentou a Al Jazeera em boletim das 18h de domingo. Em Bagdá, manifestantes irromperam na Zona Verde e incendiaram parte da embaixada americana sueca antes de serem dispersados pelas forças iraquianas — com o Iraque emitindo nota afirmando que não permitiria que seu território fosse usado como base de operações americanas contra o Irã, conforme a Al Jazeera e a Reuters. Em Beirute, Hezbolá havia lançado mais de 100 foguetes contra o norte de Israel desde o início das operações no sábado, reativando a frente libanesa —- e o governo libanês havia declarado estado de emergência em todo o sul do país, conforme a Reuters. Em Cabul, os talibãs — cujas relações com Teerã eram de rivalidade histórica, mas que viam nos strikes americanos uma oportunidade de solidariedade pan-islâmica — haviam organizado concentrações diante da embaixada americana, sem violência, conforme a France 24. Em Istambul, manifestantes turcos haviam apedrejado o consulado americano no bairro de Levent, com danos às janelas mas sem feridos, conforme a TRT. Na Europa, concentrações em Paris, Berlim e Bruxelas haviam reunido dezenas de milhares de pessoas pedindo o fim imediato da operação, com destaque para as bandeiras conjuntas da Palestina e do Irã — a primeira vez, observou a BBC, que as duas causas eram exibidas lado a lado em escala tão grande em capitais europeias. O primeiro-ministro britânico Keir Starmer havia dito que o RU "apoia o direito de Israel de se defender" mas que estava "profundamente preocupado com a escalada regional" e pedindo ao governo americano que apresentasse sua "base jurídica completa" para a ação ao Conselho de Segurança da ONU, conforme o ITV News. António Guterres, secretário-geral da ONU, publicou nota dizendo estar "profundamente alarmado" com os eventos e exigindo "contenção imediata de todos os lados", acrescentando que "ataques que matam civis, incluindo crianças, nunca podem ser justificados" — numa referência ao strike sobre a escola em Minab, no Irã, que havia matado mais de 165 estudantes e funcionários, conforme os dados iranianos publicados na sábado, conforme a Al Jazeera.