EUA e Venezuela Discutem Petróleo
Economia e Comércio — Ásia e Oceania
Secretário de Energia americano Chris Wright encerra visita histórica ao cinturão petrolífero do Orinoco; governo Rodríguez enfrenta pressões doméstica...
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, encerrou nesta sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026, sua visita de dois dias à Venezuela com a tour do cinturão petrolífero do Orinoco, acompanhado pela presidente interina Delcy Rodríguez e executivos da Chevron. A visita — a mais graduada de um funcionário americano do setor energético ao país sul-americano em quase três décadas, desde que Bill Richardson esteve em Caracas entre 1998 e 2001 — marcou um capítulo inédito nas relações bilaterais após a captura de Nicolás Maduro por forças especiais americanas em 3 de janeiro de 2026.Wright havia chegado a Caracas na quarta-feira, 11 de fevereiro, e na quinta-feira, 12, participou de reunião formal no Palácio Miraflores, sede do poder executivo venezuelano, ao lado de Rodríguez, e proferiu declarações transmitidas ao vivo pela televisão estatal venezuelana. Durante o encontro, o secretário americano afirmou que os dois países estavam "num ponto de inflexão histórico" e prometeu uma "aceleração dramática" na produção de petróleo, gás natural e eletricidade na Venezuela — objetivos que, em sua avaliação, seriam alcançáveis ainda no decorrer de 2026. "Trabalhando juntos, americanos e venezuelanos, este ano podemos promover um aumento dramático na produção de petróleo, gás natural e eletricidade da Venezuela", declarou Wright, acrescentando que tais avanços se traduziriam em mais emprego, salários mais altos e melhor qualidade de vida para os venezuelanos.A visita de sexta-feira ao Petropiar, instalação de processamento de petróleo pesado operada em joint venture pela Chevron e pela estatal venezuelana PDVSA no Estado do Anzoátegui, foi descrita pela CNN como repleta de sorrisos, apertos de mão e um clima de abertura inédito. Wright anunciou que mais de 100 milhões de dólares seriam investidos para ampliar e modernizar a capacidade de processamento da instalação. Falando ao vivo da Venezuela para o canal CNN, o secretário descreveu a cooperação com Rodríguez como "tremenda" e avaliou que mais de 1 bilhão de dólares em petróleo venezuelano já havia sido vendido, com mais 5 bilhões previstos nos meses seguintes.Rodríguez também aproveitou a visita para afirmar à CNN que Venezuela está trabalhando em "agenda de cooperação bilateral em ritmo acelerado". Ela reiterou, entretanto, que considera Nicolás Maduro o "único presidente legítimo" da Venezuela — posição que manteve em entrevista ao "Meet the Press" da NBC News, transmitida no mesmo dia 13 de fevereiro —, deixando clara a complexidade política da transição em curso. Wright, quando indagado sobre a questão da legitimidade, declinou de comentar e afirmou que o futuro de Rodríguez "caberá, em última instância, ao povo venezuelano decidir".O contexto da visita é de profunda transformação geopolítica na América Latina. Em 3 de janeiro de 2026, a Operação Absolute Resolve das forças especiais americanas capturou Maduro e sua esposa Cilia Flores em Caracas, transferindo-os para Nova York, onde Maduro enfrentava acusações de narcoterrorismo. Rodríguez, que havia servido como vice-presidente desde 2018, foi empossada pelo Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela como presidente interina em 5 de janeiro. Desde então, a nova liderança implementou uma série de medidas favoráveis aos interesses americanos: aprovou em janeiro uma lei de reforma do setor de hidrocarbonetos que amplia os direitos operacionais e financeiros de empresas estrangeiras; publicou a lei de anistia para presos políticos; e retomou as relações diplomáticas com Washington, que reabriu sua embaixada em Caracas em finais de janeiro, com a nomeação da encarregada de negócios Laura Dogu.Nesta mesma sexta-feira, 13 de fevereiro, chegou ao país um carregamento de 6 toneladas de medicamentos e suprimentos médicos enviados pelos EUA — o primeiro de "muitas doações", segundo Dogu. A encarregada de negócios descreveu o envio como "uma mensagem de cooperação entre dois países soberanos". O governo Rodríguez, que inicialmente adotou tom defensor ao denunciar a captura de Maduro como "sequestro" e violação do direito internacional, progressivamente suavizou seu discurso ao longo das semanas subsequentes, sob a pressão combinada das ameaças de Trump de uma "segunda onda" de ações militares e do controle americano sobre a receita de exportações de petróleo.A visita de Wright foi recebida com críticas na oposição democrática americana. No mesmo dia em que o secretário de Energia visitava o Orinoco, senadores democratas Adam Schiff e Chuck Schumer apresentaram no Senado americano o Venezuela Oil Proceeds Transparency Act, um projeto de lei exigindo auditoria independente dos recursos obtidos com as vendas de petróleo venezuelano. Schiff acusou o governo Trump de ter usado a retórica do combate ao narcotráfico como pretexto para apoderar-se do setor petrolífero venezuelano, enquanto Schumer exigiu transparência sobre o destino dos recursos financeiros. O senador John Hickenlooper, democrata do Colorado, descreveu a tarefa de revitalizar a indústria petrolífera venezuelana como "um salto altíssimo e impossível", ressaltando os obstáculos estruturais da infraestrutura deteriorada, da dívida acumulada e da instabilidade política persistente.