Brasil condena ocupação ilegal de Israel na Cisjordânia

Segurança e Paz — Oriente Médio

Itamaraty repudia violência em Qusra enquanto Israel altera estrutura de segurança na região ocupada

A nota do Itamaraty e a nova medida de IsraelO governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, condenou formalmente em 14 de agosto de 2026 os recorrentes atos de violência extremista cometidos por colonos israelenses contra civis palestinos em Qusra, no Estado da Palestina. A manifestação diplomática ocorre em um momento de acirramento das tensões territoriais, marcado simultaneamente pelo cerco prolongado a residências palestinas naquela aldeia e pelo anúncio, no mesmo dia, do ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, de um plano para transferir a responsabilidade pela aplicação da lei civil na Cisjordânia ocupada das Forças de Defesa de Israel para a polícia nacional israelense.A nota do Brasil e a situação em QusraA nota oficial do Itamaraty enfatiza que o cerco de colonos, iniciado em 9 de agosto em Qusra, busca pressionar os moradores e forçar a evacuação de residências palestinas, com risco iminente de deslocamento forçado, o que configura grave violação ao direito internacional humanitário. O governo brasileiro fundamenta sua posição no parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça (CIJ), emitido em 19 de julho de 2024, que declarou ilícita a presença contínua de Israel no território palestino ocupado e determinou a cessação de atividades em assentamentos. Em Qusra, o cenário tem sido de estrangulamento logístico e de dificuldades para a entrada de ajuda humanitária coordenada pelas Nações Unidas (ONU). Famílias locais enfrentam a privação de serviços básicos, como água e eletricidade, em uma estratégia que, segundo observadores, replica padrões de desapropriação registrados anteriormente em vilarejos vizinhos como Jalud.Reestruturação administrativa na CisjordâniaA comunidade internacional, incluindo órgãos da ONU e diversas chancelarias, intensificou as críticas à incapacidade ou falta de vontade das forças militares israelenses em conter a atuação de grupos de colonos extremistas, que somaram milhares de incidentes registrados recentemente. Em resposta a essas pressões e ao escrutínio público, o ministro Israel Katz justificou a transferência da competência de segurança para a polícia civil como uma medida para que o exército se concentre no combate ao terrorismo. Embora a medida seja apresentada como uma resposta à desordem pública, analistas e autoridades palestinas, contudo, interpretam a intenção de centralizar a gestão civil na polícia, substituindo parte da supervisão que cabia ao exército, como uma manobra administrativa que visa conferir uma camada de legitimidade civil aos assentamentos que a comunidade internacional considera ilegais.Implicações geopolíticasEspecialistas em assuntos israelenses e juristas alertam que a medida dificultaria ainda mais qualquer distinção entre o território israelense e as áreas ocupadas, significando um passo significativo em direção à anexação de fato. A transição confere maior autonomia operacional a grupos que atuam no terreno e enfraquece as proteções previstas pelo direito de ocupação, desafiando os esforços diplomáticos para a viabilização da solução de dois Estados. O cenário reforça a complexidade do impasse, na medida em que as mudanças internas em Israel avançam na direção oposta às recomendações diplomáticas globais sobre o encerramento imediato dos assentamentos.