Cuba registra 0°C em Matanzas — temperatura mais baixa da história — e sofre blecautes ...
Direitos Humanos — América Central
Em 3 de fevereiro de 2026, Cuba registrou 0°C em Matanzas — temperatura mais baixa da história da ilha —, com blecautes de até 20 horas e moradores cozinhand...
Na noite de domingo, 1º de fevereiro de 2026, residentes de Matanzas acordaram para algo que nenhum cubano vivo havia experimentado: a temperatura exterior caindo para 0°C — a mais baixa jamais registrada nessa estação meteorológica em toda a história da ilha tropical —, conforme documentaram a Reuters e a agência France-Presse com base em dados do Instituto de Meteorologia de Cuba. A combinação de frio atípico com apagões prolongados — que em algumas cidades chegavam a 18 e 20 horas por dia — criava uma situação de emergência humanitária real e imediata, numa ilha que não possui aquecimento doméstico e cuja população nunca foi exposta a esse nível de temperatura. Fotografias da AP tiradas na tarde de terça-feira, 3 de fevereiro, em Santa Cruz del Norte — sede de uma das maiores termelétricas da ilha, a Planta Termoeléctrica Antonio Guiteras — mostravam residentes acendendo carvão no lado de fora de suas casas para cozinhar durante o blecaute programado, conforme publicou a Associated Press.O que estava provocando os blecautes era uma equação de colapso progressivo que havia se tornado insolucionável após o DE 14380. Cuba necessitava de aproximadamente 100.000 barris diários de petróleo para estabilizar sua economia — um número que em 2025 já era 35% abaixo das necessidades máximas do país, conforme estimou The Nation com base em dados oficiais cubanos. Com a Operação Resolução Absoluta de 3 de janeiro, os embarques de petróleo venezuelano a Cuba foram interrompidos de facto. O México, por meio da Pemex, havia se tornado o principal substituto — mas no final de janeiro pausou os embarques sob pressão direta da Casa Branca, que havia ameaçado tarifas sobre qualquer país que fornecesse petróleo a Cuba, conforme documentaram a CNBC e a Reuters. Sem petróleo venezuelano e com o mexicano pausado, Cuba recebia próximo de zero importações de petróleo — dependendo de remessas esparsas e caras de países como a Rússia, cujo óleo levava semanas para cruzar o Atlântico e estava sujeito a sanções no transporte, conforme analisou o portal Aviation.Direct.O impacto sobre a infraestrutura básica era total e visível em cada aspecto da vida cotidiana. O sistema de ônibus públicos de Havana havia praticamente parado — com muitos motoristas sem conseguir combustível para circular —, deixando os moradores da capital à deriva, conforme registraram a AP e o The Nation. Postos de combustível vendiam apenas 20 litros por usuário, exclusivamente em dólares, sem aceitar pesos cubanos, e com filas de semanas para agendar reabastecimento. Hospitais em modo de emergência utilizavam geradores a diesel com reservas mínimas. Universidades haviam reduzido ou cancelado aulas presenciais. A Feira Internacional do Livro de Havana, prevista para o fim de semana de 7 e 8 de fevereiro, havia sido cancelada para economizar energia, conforme registrou a AP. O campeonato nacional de beisebol foi reestruturado para reduzir o número de jogos noturnos. O mercado de agricultores em bairros de Havana funcionava com cada vez menos bancas abertas a cada dia, com vendedores dizendo que não sabiam quanto tempo ainda poderiam operar. "Nunca enfrentei uma situação assim em mais de 20 anos aqui, nem na pandemia, porque então ao menos havia combustível", disse uma vendedora ao The Nation. O racionamento de eletricidade afetava também o sistema de abastecimento de água — poços e estações de tratamento dependem de eletricidade —, forçando bairros no interior a recorrer a caminhões-pipa para abastecimento básico, conforme relatou The Nation com base em depoimentos de moradores de Ciego de Ávila.O governo cubano reconhecia a gravidade da crise, mas negava qualquer abertura para negociar com Washington sob pressão de colapso. O vice-ministro cubano de Relações Exteriores, Carlos de Cossio, confirmou à CNN que havia "algumas trocas de mensagens" "ligadas aos mais altos níveis do governo cubano" com a contraparte americana — enquanto reiterava que não havia negociação oficial bilateral em curso, conforme a NBC News e a Al Jazeera registraram. Trump havia dito no fim de semana anterior que estava conversando com "as pessoas mais graduadas" de Cuba — declaração que a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, não esclareceu em detalhes, dizendo apenas que o presidente "sempre estava disposto a se engajar em diplomacia" com Cuba, conforme a NBC News. Do lado americano, a estratégia era de pressão máxima combinada com gestos humanitários simbólicos: o Departamento de Estado havia canalizado nos dias anteriores uma primeira remessa de ajuda alimentar — arroz, feijão, massas, atum enlatado e luminárias solares — pela Igreja Católica e pela Cáritas, deliberadamente contornando o governo cubano, numa distinção simbólica entre o povo cubano e o regime de 67 anos, conforme o funcionário sênior do Departamento de Estado Jeremy Lewin declarara ao The Washington Times.A análise estratégica sobre a sustentabilidade do regime era cada vez mais sombria. Analistas da Verisk Maplecroft, incluindo o chefe de pesquisa das Américas Robert Munks, disseram à CNBC que "as probabilidades estão diminuindo" de que Díaz-Canel conseguiria resistir a uma transição forçada nos meses seguintes, avaliando que "surtos de desordem civil são possíveis" dado que a produção doméstica de energia estava "muito aquém do necessário para manter as luzes acesas". A professora Par Kumaraswami, especialista em Cuba na Universidade de Nottingham, disse à Al Jazeera que a situação atual era "consideravelmente pior" que o Período Especial dos anos 1990 em termos de velocidade de deterioração — mas que Cuba havia sobrevivido àquele colapso sem queda do governo, e que a solidariedade social e as redes de redistribuição informal eram ainda resilientes, ainda que sob pressão crescente, conforme registrou a Al Jazeera. A Casa Branca havia publicado no dia anterior um fact sheet interno denominando a estratégia de "Cubastroika" — em referência à Perestroika de Gorbachev — e expressando a avaliação de que o regime "está prestes a colapsar", conforme reportou a NBC News com base em documentos do governo americano obtidos pela emissora.