Brasil é reeleito para o triênio 2027-2029 no Conselho de Direitos Humanos da ONU
Governança Global — Global
País seguirá ocupando assento no principal órgão da ONU voltado à proteção de direitos humanos
A reeleição brasileiraA Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) elegeu, nesta terça-feira, o Brasil como um dos 15 novos integrantes do Conselho de Direitos Humanos para o ciclo de 2027 a 2029. O país obteve 170 votos favoráveis em um processo conduzido por votação secreta na sede da organização em Nova Iorque. Esta conquista marca o sexto mandato brasileiro no órgão desde a sua criação, consolidando a continuidade da participação ativa do Brasil em fóruns decisórios sobre a proteção de garantias fundamentais ao redor do planeta.O funcionamento do Conselho de Direitos HumanosO Conselho de Direitos Humanos foi estabelecido em 2006 e é o principal mecanismo intergovernamental do sistema das Nações Unidas para fortalecer a promoção e a proteção dos direitos humanos em nível global. A estrutura é composta por 47 Estados-membros, responsáveis por investigar violações, designar relatores independentes e conduzir a Revisão Periódica Universal (RPU), um processo que avalia o cumprimento das normas internacionais de direitos humanos por todos os Estados que integram a ONU. A instituição substituiu a antiga Comissão de Direitos Humanos com o objetivo de elevar o patamar de comprometimento político e a eficácia das intervenções internacionais.Dinâmica da votação e representação regionalA renovação do Conselho ocorre anualmente, quando um terço dos membros conclui seus mandatos, respeitando a regra que permite apenas duas reeleições consecutivas para cada Estado. Na votação realizada em 13 de outubro de 2026, foram preenchidas vagas distribuídas entre grupos regionais para garantir a equidade geográfica. Os 15 países eleitos foram Alemanha, Brasil, Burundi, Gana, Irlanda, Japão, Jordânia, Kuwait, Nepal, Nigéria, República da Moldávia, República Dominicana, Ucrânia, Uruguai e Zâmbia.A atuação do Brasil no ConselhoO Brasil possui um histórico de atuação constante no Conselho de Direitos Humanos, mantendo atualmente um mandato que abrange o período de 2024 a 2026. Em outubro de 2023, o Brasil foi eleito para o atual período de mandato após receber 144 votos, demonstrando a recorrência do apoio internacional à candidatura brasileira. A presença brasileira no órgão é considerada um pilar estratégico da política externa nacional, permitindo que o país paute temas de interesse, como a promoção do desenvolvimento social e a defesa da democracia. Por isso, essa reeleição é significativa para permitir que o país siga promovendo sua agenda, conciliando interesses nacionais com as demandas da governança global.Compromissos e propostas da candidaturaA campanha brasileira para este novo ciclo de 2027 a 2029 fundamentou-se em compromissos voluntários voltados para o combate a violações de direitos. As prioridades apresentadas pelo país incluem ações contra o racismo e a discriminação, o fortalecimento da justiça social e a proteção de grupos em situação de vulnerabilidade. O governo brasileiro também enfatizou a necessidade de avanços em temas contemporâneos, tais como justiça climática, inclusão digital, proteção da privacidade e combate à fome. O sucesso na eleição também reflete o reconhecimento das propostas apresentadas pelo Brasil, que defende ações práticas para garantir que todos tenham seus direitos básicos respeitados.