No 81º aniversário do bombardeio de Hiroshima, ONU alerta sobre riscos de nova corrida ...

Segurança e Paz — Global

Mensagem de António Guterres destaca salto nos gastos militares para 2,9 trilhões de dólares e o crescente ressurgimento de ameaças nucleares globais

O alerta da ONU sobre a ameaça nuclear globalO mundo relembrou nesta quarta-feira, 6 de agosto de 2026, o octogésimo primeiro aniversário do ataque nuclear contra a cidade de Hiroshima, momento em que as Nações Unidas aproveitaram para emitir um alerta severo sobre a atual corrida armamentista. A mensagem oficial do Secretário-Geral da ONU, António Guterres, foi lida durante a cerimônia realizada no Japão. O comunicado ressaltou que, enquanto o planeta presta homenagem às vítimas e aos sobreviventes, a comunidade internacional enfrenta um cenário de tensões geopolíticas sem precedentes. O documento enfatiza que a segurança não pode ser garantida pela sombra da aniquilação, exigindo uma mudança urgente nas prioridades globais.Memória histórica e resiliência das vítimasA cidade de Hiroshima simboliza, desde 1945, a catástrofe resultante da utilização de tecnologia nuclear em conflitos armados, episódio que resultou na morte imediata de dezenas de milhares de civis. O reconhecimento anual deste evento mantém viva a memória dos que perderam suas vidas e homenageia a resiliência dos sobreviventes, cuja voz em prol da paz continua a orientar os esforços humanitários globais. Ao refletir sobre a tragédia, o Secretário-Geral questionou se a humanidade verdadeiramente internalizou as lições forjadas nas chamas de 81 anos atrás. Esta indagação serve como um lembrete constante de que o passado deve ser uma lição fundamental para as decisões estratégicas do presente.O crescimento dos gastos militares e a nova corrida armamentistaA conjuntura geopolítica atual aponta para uma reversão na trajetória de desarmamento que havia sido consolidada nas últimas décadas. Dados recentes indicam que os gastos militares mundiais atingiram a marca recorde de 2,9 trilhões de dólares em 2025, impulsionados por uma competição intensa entre potências e pelo retorno de retóricas baseadas na coerção. A utilização de ameaças nucleares como instrumento de poder tem enfraquecido os mecanismos de confiança mútua e as normas que historicamente evitavam a escalada de conflitos atômicos. O aumento expressivo nos investimentos bélicos demonstra que a busca por vantagens estratégicas estreitas tem superado, em muitos casos, os compromissos com a estabilidade coletiva internacional.Esforços pela diplomacia e desarmamentoA restauração do regime global de desarmamento depende fundamentalmente do fortalecimento do direito internacional e do compromisso renovado com a diplomacia multilateral. As Nações Unidas recordam que sua primeira resolução, aprovada ainda em 1946, estabeleceu como meta a eliminação total das armas nucleares, uma promessa que, embora ainda não concretizada, permanece como um objetivo alcançável. O exemplo de Hiroshima demonstra que é possível reconstruir sociedades mesmo após os momentos mais sombrios da história. Ao encerrar sua mensagem, António Guterres convocou os líderes mundiais a priorizarem o diálogo em vez da divisão, e os Estados detentores dos arsenais nucleares a tomarem medidas concretas para reduzir riscos, reconstruindo a confiança.