Conselho de Segurança debate a inclusão feminina em acordos globais de paz

Segurança e Paz — Global

Conselho de Segurança debate a baixa representatividade de mulheres em negociações e demanda ações concretas dos Estados-membros.

Debate alerta para exclusão de mulheres na diplomaciaO Conselho de Segurança das Nações Unidas realizou um debate aberto na sua sede em Nova York no dia 17 de junho de 2026 para discutir a urgência da participação feminina em processos de paz. O encontro focou na ampliação do envolvimento das mulheres nas negociações para a resolução de crises globais. A diretora executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, apresentou dados preocupantes sobre o cenário atual. Em 2024, as mulheres representaram apenas sete por cento dos negociadores em nível mundial. Quase nove em cada dez negociações oficiais de paz não contaram com nenhuma presença feminina. O debate reforçou que a comunidade internacional precisa agir imediatamente para corrigir essa disparidade.Retrocessos ameaçam a estabilidade internacionalAs crises globais expõem a vulnerabilidade e os riscos de acordos firmados sem a diversidade de perspectivas. Leymah Gbowee, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, relembrou a sua experiência na Libéria para demonstrar que as mulheres possuem papel determinante na reconstrução nacional. Acordos estruturados de forma exclusiva por atores armados ou políticos tradicionais costumam resultar em pausas temporárias da violência, em vez de resoluções duradouras. Kaavya Asoka, diretora do Grupo de Trabalho de Organizações Não Governamentais sobre Mulheres, Paz e Segurança, destacou um dado alarmante referente a 2025. Segundo a diretora, apenas quarenta e seis por cento das decisões do Conselho de Segurança fizeram menção a essa agenda. O número representa o índice mais baixo desde 2009 e levanta questionamentos sobre o comprometimento real das potências globais com o tema.Impacto econômico e lacunas de financiamentoO sucesso da inclusão feminina na prevenção de conflitos depende substancialmente de recursos financeiros e vontade política. O representante da China no Conselho alertou para a existência de um déficit anual de financiamento para a igualdade de gênero nos países em desenvolvimento. Esse hiato atinge cerca de quatrocentos e vinte bilhões de dólares. Sem o aporte adequado, os planos de ação nacionais correm o risco de se tornarem apenas compromissos burocráticos. As representantes estatais argumentaram que o financiamento direcionado a organizações lideradas por mulheres é essencial para garantir segurança e estabilidade em regiões afetadas por conflitos armados. Esse cenário exige que os países desenvolvidos cumpram as suas promessas de assistência internacional para reverter o déficit atual.A posição do Brasil frente ao temaO Brasil desempenha um papel histórico no fortalecimento de resoluções voltadas à equidade nas negociações diplomáticas. Durante o encontro, o representante brasileiro argumentou que a agenda de paz e segurança para as mulheres não deve ser tratada de forma acessória pelo Conselho. A diplomacia brasileira considera a participação feminina uma precondição essencial para a prevenção de conflitos e para a mediação eficaz em cenários de reconstrução institucional. Historicamente, o país celebra conquistas nesse setor, lembrando a atuação pioneira da diplomata Bertha Lutz na elaboração da Carta da ONU. O Estado brasileiro encontra-se em fase de implementação de novas diretrizes do seu Plano Nacional de Ação da Resolução 1325. Quais serão os próximos passos das nações em desenvolvimento para garantir que as promessas de inclusão se materializem nas negociações futuras?