Brasil e Outros Países Condenam as Mortes de Forças de Paz da ONU no Líbano
Segurança e Paz — Global
Declaração conjunta acontece após três soldados indonésios serem mortos em março na região, em incidentes classificados preliminarmente como possíveis crimes...
A Declaração Conjunta de Condenação O Canadá, o Reino Unido e outros países condenaram enfaticamente as trágicas mortes de soldados de paz da ONU no Líbano durante o grave conflito armado entre Israel e o grupo Hezbollah, e pediram o fim imediato das hostilidades na região. A Austrália, o Brasil, o Canadá, a Colômbia, a Indonésia, o Japão, a Jordânia, Serra Leoa, a Suíça e o Reino Unido permanecem profundamente preocupados com o agravamento contínuo da severa situação humanitária e a consequente crise de deslocamento populacional no Líbano, afirmaram os países em uma contundente declaração conjunta divulgada nesta terça-feira (14). Esta manifestação multilateral evidencia a insatisfação da comunidade global com o desrespeito aos protocolos de segurança que protegem as missões de paz em áreas de confronto aberto.O Saldo Fatal e as Investigações Preliminares A referida declaração diplomática surge logo após a morte trágica de três soldados de paz no mês passado, um evento que chocou a comunidade internacional. Segundo apurou preliminarmente a própria estrutura investigativa da ONU, a fatalidade múltipla foi causada por uma combinação letal envolvendo um projétil de tanque israelense e um perigoso dispositivo explosivo improvisado, o qual foi provavelmente colocado por combatentes do Hezbollah. Estas são conclusões preliminares, baseadas em evidências físicas iniciais, disse o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, em uma detalhada coletiva de imprensa realizada na última terça-feira (7), acrescentando logo em seguida que uma investigação completa e rigorosa já está em andamento no território libanês, incluindo o diálogo constante com as partes envolvidas no embate armado.A Classificação de Crimes de Guerra e a Busca por Justiça Aprofundando as críticas institucionais contra os exércitos e as milícias atuantes, Dujarric classificou os referidos incidentes letais como inaceitáveis e disse aos jornalistas presentes que eles podem constituir claramente crimes de guerra, de acordo com o que é estabelecido pelo direito internacional moderno. Ele acrescentou com grande ênfase que as Nações Unidas solicitaram formalmente que os casos sejam investigados de forma independente e processados pelas autoridades nacionais competentes, para que os verdadeiros responsáveis sejam efetivamente levados à justiça. O apelo da organização busca garantir que a imunidade diplomática e a proteção física dos trabalhadores internacionais sejam plenamente respeitadas por todas as frentes de batalha envolvidas.A Posição Firme do Governo da Indonésia O impacto das perdas humanas foi sentido com especial dor no sudeste asiático, visto que os soldados de paz indonésios foram mortos em dois incidentes separados no sul do Líbano, de forma muito triste, nos dias 29 e 30 de março. Estas perdas lamentáveis aconteceram após um fim de semana extremamente sangrento na região, em que jornalistas e paramédicos libaneses também foram mortos de forma brutal em ataques israelenses, aprofundando a crise. A Indonésia instou a ONU a investigar minuciosamente o caso à luz das complexas conclusões preliminares, declarou Veronica Rompis, alta funcionária do Ministério das Relações Exteriores indonésio. Ela ressaltou a jornalistas na quarta-feira a indignação do seu país, acrescentando que todos os responsáveis por essas atrocidades devem ser rapidamente identificados e levados à justiça internacional.O Bloqueio Humanitário e a Violação de Direitos A situação alarmante no sul do território libanês afeta não apenas militares estrangeiros, mas também os esforços de ajuda civil que são totalmente essenciais. Recentes e pesados bombardeios no sul do Líbano na última terça-feira forçaram um importante comboio de ajuda humanitária organizado pela embaixada do Vaticano para uma cidade cristã sitiada a retornar para um local seguro, disse um padre da cidade à agência Reuters. Também na última terça-feira, as operações vitais das forças de manutenção da paz foram cerceadas de maneira indevida. Uma porta-voz da força de paz, a UNIFIL (Força Interina das Nações Unidas no Líbano), afirmou publicamente que o exército israelense bloqueou o avanço de um comboio logístico da UNIFIL e deteve brevemente, sem justificativas plausíveis iniciais, um de seus dedicados soldados de paz.A Resposta da UNIFIL Diante das Detenções As interferências hostis e diretas nas missões logísticas e o desrespeito flagrante às operações da organização geraram imediatamente novos comunicados de advertência militar. A porta-voz da missão de paz, Kandice Ardiel, disse em tom de alerta máximo que qualquer detenção de um soldado de paz das Nações Unidas é uma violação flagrante do direito internacional e dos acordos de estabilidade regional. Para tentar contornar a crise diplomática desencadeada por este bloqueio rodoviário e por esta prisão temporária inaceitável, a representante informou que o exército israelense comunicou oficialmente à UNIFIL que havia iniciado prontamente uma investigação interna detalhada sobre o assunto em questão.