Rússia e Ucrânia anunciam trégua em Oleshky e retomada de negociações para a paz
Segurança e Paz — Europa
O acordo teve mediação americana para retirar civis e retomar reuniões técnicas em novembro.
Acordo humanitário e retomada diplomáticaOs governos da Rússia e da Ucrânia confirmaram na sexta-feira, 23 de outubro de 2026, um acordo de cessar-fogo temporário na cidade ocupada de Oleshky e o agendamento de negociações de paz para novembro. A pausa nas hostilidades entrará em vigor em 27 de outubro para viabilizar a entrada de ajuda humanitária e a retirada segura de moradores por corredores designados. O entendimento contou com a intermediação direta dos Estados Unidos, além de contatos prévios do Papa Leão XIV junto ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e ao presidente russo, Vladimir Putin. Paralelamente ao anúncio humanitário, as duas nações realizaram a troca de 270 prisioneiros militares de cada lado, na primeira operação desse tipo desde agosto de 2026. Essa coordenação bilateral imediata responde à deterioração das condições de vida dos civis isolados na linha de frente.Crise civil e desminagem em KhersonA emergência em Oleshky decorre do isolamento imposto desde o início da ocupação russa em fevereiro de 2022. A cidade viu sua população cair de 24 mil habitantes antes da guerra para um contingente estimado pela Casa Branca entre 1.700 e 2.000 moradores, composto majoritariamente por idosos sem acesso regular a água potável, eletricidade, alimentos e medicamentos. Essa realidade levou à decisão de suspensão dos combates, com início em 27 de outubro. A operação incluirá a remoção de minas terrestres nas estradas de acesso e o transporte de cidadãos pelas equipes civis. Encontros trilaterais previstos para novembroEsse recente avanço abriu espaço para a reativação das conversas políticas sobre o conflito, que já vitimou mais de 19 mil civis ucranianos, incluindo 762 crianças. O diálogo diplomático mais amplo será retomado na primeira quinzena de novembro por meio de reuniões técnicas trilaterais entre delegações da Ucrânia, da Rússia e dos EUA em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, ou na Suíça. As conversas formais estavam estagnadas desde fevereiro de 2026 em razão de impasses territoriais: Moscou exige que Kiev ceda toda a região oriental do Donbas, incluindo áreas não ocupadas militarmente pela Rússia, enquanto o governo ucraniano rejeita entregar territórios sob seu controle. Além da questão territorial, a realização dessas rodadas diplomáticas ocorre sob forte influência das recentes decisões econômicas e tecnológicas de Washington.Tensões entre Washington e KievKiev criticou a recente decisão da Casa Branca de autorizar o fornecimento de óleo diesel russo para o mercado norte-americano. Outro foco de atrito envolve as restrições de velocidade aplicadas desde 13 de outubro aos terminais de comunicação via satélite Starlink, essenciais para a defesa aérea ucraniana. Enquanto Trump declarou que solucionará eventuais falhas técnicas do sistema, Zelensky defendeu que qualquer acordo duradouro exigirá garantias de segurança, participação europeia e financiamento internacional por dez anos para as forças ucranianas. Diante de exigências territoriais opostas e mudanças na postura americana, resta saber se a trégua pontual em Oleshky será capaz de destravar um acordo político definitivo em Abu Dhabi.