Escassez de dinheiro físico força Gaza a depender de pagamentos digitais

Economia e Comércio — Oriente Médio

Restrições e destruição da infraestrutura bancária criam crise severa de liquidez no território palestino.

O colapso financeiro no território palestinoA Faixa de Gaza enfrenta atualmente uma crise severa de liquidez comercial (conhecida localmente como "fome de dinheiro"), que força a população a depender de sistemas de pagamentos digitais instáveis nesta sexta-feira, 28 de agosto de 2026. O problema decorre das restrições severas à entrada de cédulas impostas por Israel desde o início do conflito em 7 de outubro de 2023. A campanha militar subsequente devastou grande parte da infraestrutura financeira da região. Consequentemente, os cidadãos lutam para acessar fundos ou encontrar comerciantes dispostos a aceitar as poucas notas desgastadas ainda em circulação.A destruição da infraestrutura bancária localOs danos materiais ao sistema financeiro palestino limitam drasticamente as operações diárias. A Autoridade Monetária Palestina (AMP), órgão responsável pela supervisão bancária, relata que os ataques destruíram mais de 50 agências e dezenas de caixas eletrônicos em toda a extensão de Gaza. Grandes quantias de dinheiro vivo permanecem presas nos cofres dessas instituições em ruínas. A situação técnica cria um cenário onde as pessoas possuem recursos registrados em suas contas, mas permanecem incapazes de utilizá-los de forma tangível no mundo físico.Os desafios práticos das transações digitaisO comércio local tenta se adaptar a essa nova realidade, contudo esbarra em obstáculos tecnológicos constantes. Muitos residentes perderam seus documentos de identidade sob os escombros, o que os impede de abrir contas ou carteiras eletrônicas, conforme relatado por cidadãos palestinos. Aqueles que possuem acesso aos aplicativos bancários enfrentam o colapso contínuo da infraestrutura de telecomunicações. Os apagões frequentes de internet geram uma crise de confiança entre vendedores e compradores, pois os comerciantes exigem comprovantes instantâneos via mensagens telefônicas antes de liberar as mercadorias.O impacto do cessar-fogo e a busca por soluçõesO cenário financeiro apresentou apenas melhoras marginais após o cessar-fogo estabelecido em outubro de 2025. O acordo permitiu que os bancos reabrissem algumas unidades, porém os serviços continuam restritos a transações administrativas, sem o fornecimento da liquidez necessária para reaquecer o comércio. Lojas e estabelecimentos que ainda oferecem conexão gratuita de internet transformaram-se em polos comerciais informais. Vendedores ambulantes e clientes reúnem-se nesses cruzamentos específicos apenas para conseguir sinal e finalizar compras essenciais de alimentos e roupas.O contexto internacional e as perspectivas futurasA crise de liquidez em Gaza adiciona uma nova camada de complexidade à situação humanitária debatida amplamente na governança global. A comunidade internacional (incluindo o Brasil em seus recorrentes posicionamentos diplomáticos pela facilitação ininterrupta do socorro humanitário) observa com atenção os desdobramentos socioeconômicos na região. A dificuldade imposta pela ausência de papel-moeda afeta de forma direta e severa a segurança alimentar de milhares de famílias. A normalização econômica do território dependerá inexoravelmente da reconstrução estrutural e do restabelecimento da confiança nos meios de troca disponíveis.