Brasil e África do Sul renovam parcerias estratégicas em sessão da Comissão Mista em Pr...
Política Externa Brasileira — América do Sul
Encontro consolida avanços em energia, defesa e tecnologia, reafirmando o compromisso com a cooperação Sul-Sul.
A VIII Sessão da Comissão Mista Brasil-África do SulO Brasil e a África do Sul formalizaram, em 26 de agosto de 2026, em Pretória, a oitava edição da Comissão Mista Brasil-África do Sul, com o objetivo de aprofundar a cooperação bilateral e o alinhamento estratégico entre as nações. Sob a chefia do Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e do Ministro das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul, Ronald O. Lamola, o encontro revisou o estado das relações bilaterais, consolidando compromissos derivados da visita de estado do Presidente Cyril Ramaphosa ao Brasil em março de 2026. A Comissão funciona como um mecanismo de alto nível para articular ações em temas regionais e internacionais de interesse mútuo, reiterando a solidez da Parceria Estratégica estabelecida originalmente em 2010.Pilares de cooperação setorial e econômicaA comissão debateu cooperação bilateral em áreas estratégicas, abrangendo desde a energia e mineração até ciência, tecnologia e agricultura. Os países reafirmaram o compromisso de finalizar um acordo de cooperação nuclear e ampliar o intercâmbio em minerais críticos essenciais para a transição energética, além de fortalecer a pesquisa conjunta em agrotecnologia entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Conselho de Pesquisa Agrícola (ARC) sul-africano. O setor de defesa também se destacou através de discussões sobre o programa da aeronave de transporte KC-390, destacando a cooperação aeroespacial. No âmbito econômico, as nações manifestaram interesse em continuar incentivando a integração comercial, que movimentou 1,83 bilhão de dólares em 2025, evidenciando o interesse em estreitar a colaboração industrial e integrar cadeias produtivas. Governança global e pautas climáticasA atuação conjunta em foros multilaterais, como o Grupo dos Vinte (G20), o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o IBAS (Índia, Brasil e África do Sul) e a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS), foi um ponto central na reunião. No âmbito ambiental, Brasil e África do Sul destacaram o compromisso com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e o Acordo de Paris, além de discutirem a coordenação para a Conferência das Partes (COP) 31, com foco no Mecanismo de Transição Justa. As pautas sociais também ganharam relevância, com avanços em negociações sobre saúde, educação e o empoderamento feminino, refletindo a intenção dos governos de integrar a cooperação técnica ao desenvolvimento de capacidades institucionais para o enfrentamento de desigualdades.O papel estratégico na política externa brasileiraA parceria com a África do Sul permanece como um elemento fundamental da política externa brasileira, exercendo um papel de liderança nas articulações do Sul Global. Ao fomentar a cooperação técnica e o comércio de bens de alta tecnologia, o Brasil também fortalece sua presença no continente africano, utilizando Pretória como um hub para a integração regional e a expansão de seus interesses geopolíticos e econômicos. O fortalecimento contínuo desses vínculos demonstra que a relação bilateral transcende o pragmatismo econômico imediato, consolidando um bloco de atuação coordenada em defesa de um sistema de governança global mais equitativo e inclusivo.