Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio celebra resultados do Protocol...

Meio Ambiente — Global

Compromissos do Protocolo de Montreal avançam na recuperação estratosférica diante de novos desafios climáticos globais

A celebração do sucesso ambiental e o monitoramento da estratosferaO mundo celebra neste 16 de setembro de 2026 o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio, reforçando o impacto positivo de quase quatro décadas de cooperação global. A data marca o aniversário da assinatura do Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio, um tratado que se tornou referência por sua eficácia técnica e adesão universal. Dados recentes divulgados pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) indicam que a recuperação da camada protetora segue em ritmo constante, comprovando que a eliminação gradativa de substâncias como os clorofluorcarbonos (CFCs) gerou resultados tangíveis para a saúde pública e a proteção da vida na Terra.O regime internacional e a força da cooperação multilateralO Protocolo de Montreal, assinado em 1987, constitui o único tratado ambiental da Organização das Nações Unidas (ONU) com ratificação universal, obrigando as partes a reduzir e eliminar a produção e o consumo de substâncias químicas que degradam a camada de ozônio. O instrumento jurídico opera mediante um cronograma rigoroso de eliminação, diferenciado para países desenvolvidos e em desenvolvimento, e sustenta-se sobre o Fundo Multilateral. Esse fundo financia a conversão industrial, permitindo que nações em desenvolvimento substituam tecnologias obsoletas por alternativas de baixo impacto ambiental, garantindo a viabilidade econômica do processo de transição em escala global. Esse arcabouço evoluiu significativamente com a Emenda de Kigali, assinada em 2016, que incorporou os hidrofluorcarbonos (HFCs) ao escopo de controle, gases sintéticos usados principalmente em sistemas de refrigeração e ares-condicionados. No âmbito da ONU, a cooperação entre Estados soberanos, mediada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), também demonstrou que a ciência pode orientar a política externa, criando um precedente diplomático valioso para a gestão de outros bens públicos globais e crises climáticas complexas.Os desafios emergentes e o balanço técnico da OMMApesar dos avanços históricos, a proteção da camada de ozônio enfrenta desafios emergentes que exigem atenção contínua dos cientistas e formuladores de políticas. Substâncias químicas de vida muito curta, não totalmente abrangidas pelas regulamentações iniciais, bem como os efeitos das mudanças climáticas globais, influenciam os padrões de circulação atmosférica e a temperatura da estratosfera. O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, destacou nesta data a importância de manter a vigilância, sublinhando que a cooperação multilateral permanece a ferramenta mais poderosa para enfrentar crises planetárias. Em paralelo, o boletim técnico divulgado hoje pela Organização Meteorológica Mundial confirma que, embora a camada de ozônio esteja em rota de recuperação completa, o aquecimento global pode alterar a dinâmica de regeneração, impondo a necessidade de revisões técnicas constantes, maior investimento em pesquisas de monitoramento estratosférico e compartilhamento de dados entre os Estados-membros para viabilizar uma diplomacia científica capaz de responder a ameaças que transcendem as fronteiras nacionais e impactam a resiliência do planeta.A atuação do Brasil na agenda de proteção ambientalO Brasil reafirma seu compromisso com o Protocolo de Montreal por meio da execução de políticas nacionais direcionadas ao controle e à eliminação de substâncias que destroem a camada de ozônio. Internamente, o país implementa o Programa Brasileiro de Eliminação de HCFCs (PBH), que promove a migração da indústria nacional para tecnologias de refrigeração e ar condicionado de baixo potencial de aquecimento global. A diplomacia brasileira também atua com protagonismo em fóruns internacionais, defendendo o fortalecimento das normas ambientais e a garantia de financiamento para que nações emergentes realizem a transição tecnológica necessária. A continuidade dessas ações reflete o alinhamento do Estado brasileiro com o compromisso de zelar pelo equilíbrio ambiental em favor das gerações futuras.