Putin Oferece Condolências a Khamenei e Propõe Mediação
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Em declaração pessoal rara, Putin quebra silêncio de oito dias, lamenta a morte do "distinto estadista" e propõe mediação russa para cessar-fogo.
Na sexta-feira, 6 de março de 2026, o Kremlin publicou uma declaração pessoal de Vladimir Putin sobre a guerra no Irã — a primeira declaração direta e nominalmente assinada pelo presidente russo sobre o conflito desde o seu início em 28 de fevereiro, oito dias antes. Putin dizia enviar "as mais profundas condolências ao povo da República Islâmica do Irã e à família do distinto estadista, Ayatollah Ali Khamenei, que dedicou sua vida inteira ao serviço de sua pátria e de seu povo." A nota acrescentava que Putin "reafirmava o apoio da Rússia à necessidade de uma cessação imediata das hostilidades, o abandono de soluções de força para os problemas em torno do Irã e em todo o Oriente Médio, e um retorno rápido ao caminho da resolução política e diplomática", e que a Rússia estava "em contato com os líderes dos estados do Golfo para ajudá-los." A declaração era incomum em dois aspectos: Putin raramente emitia condolências pessoais nominais por líderes estrangeiros mortos em ação militar direta — o precedente mais próximo havia sido uma nota genérica pelo presidente iraniano Raisi, morto em acidente de helicóptero em 2024 —, e a reafirmação explícita de "apoio à necessidade de cessação imediata das hostilidades" era mais direta do que qualquer formulação anterior do Kremlin sobre o conflito, que havia se limitado a declarações de "preocupação" e pedidos de "contenção" por parte do porta-voz Peskov. O chanceler Sergei Lavrov confirmou em entrevista à Rússia-1 que se reuniria com o chanceler iraniano Araghchi em Moscou no dia 9 de março — a primeira reunião ministerial entre Rússia e Irã desde o início da guerra e a primeira oportunidade de coordenação diplomática entre as duas potências anti-ocidentais sobre uma saída negociada.A proposta de mediação russa chegava num momento em que a China apresentava sua própria iniciativa diplomática no Conselho de Segurança da ONU. O vice-ministro das Relações Exteriores chinês Sun Weidong — que havia chegado a Nova York dois dias antes para liderar a delegação chinesa no CSNU — apresentou em sessão fechada um "plano de paz em quatro pontos": primeiro, um cessar-fogo imediato e incondicional de todos os lados; segundo, a abertura imediata de corredores humanitários para entrada de ajuda no Irã e no Líbano; terceiro, o retorno de todas as partes às negociações nucleares sob mediação de um grupo de países incluindo China, Rússia, França, Alemanha e Brasil; e quarto, a retirada de todas as forças militares americanas adicionais implantadas no Golfo desde 28 de fevereiro no prazo de 90 dias após o cessar-fogo. A proposta foi rejeitada pelos EUA imediatamente — o representante americano disse que era "não-starter" e que qualquer conversa sobre cessar-fogo sem que o Irã "reconhecesse os objetivos da operação" não seria considerada. Rússia e China anunciaram que iriam apresentar formalmente o texto como resolução do CSNU na semana seguinte, esperando que os EUA o vetassem — e gerando assim um registro político que poderia ser levado à Assembleia Geral pelo mecanismo Uniting for Peace.No mesmo dia, os representantes permanentes do Brasil e da África do Sul na ONU circularam entre os 193 membros da Assembleia Geral um texto de resolução de cessar-fogo emergencial — invocando explicitamente o mecanismo Uniting for Peace da Resolução 377(V) da AGNU de 1950, que permite à Assembleia Geral reunir-se em sessão especial de emergência quando o CSNU está paralisado pelo veto e a paz internacional está ameaçada. O texto pedia "cessar-fogo imediato, incondicional e completo" por todas as partes, a "retirada de todas as forças estrangeiras do território iraniano", a abertura de corredores humanitários e o retorno às negociações diplomáticas sob auspícios da ONU. A sessão especial de emergência estava marcada para 10 de março — a primeira sessão de emergência da Assembleia Geral sobre um conflito no Oriente Médio desde a guerra de outubro de 1967, quando a AGNU havia se reunido de emergência após o veto soviético ao que seria a Resolução 242 do CSNU. O chanceler Mauro Vieira, que representava o Brasil na ONU, disse à imprensa que a resolução contava com o apoio inicial de mais de 100 países e que o Brasil esperava "uma maioria ampla e representativa" que enviasse "um sinal inequívoco ao mundo de que a violação do direito internacional tem consequências diplomáticas mensuráveis, mesmo quando o sistema de segurança coletiva está bloqueado pelos que detêm o poder de veto".