Começa hoje a 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP17) em Yerevan...
Meio Ambiente — Global
Nações reúnem-se para definir estratégias e debater financimento necessário para as metas de 2030.
O início da COP17 em YerevanRepresentantes de mais de 190 nações iniciaram, nesta segunda-feira, em Yerevan, a 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP17). A conferência funciona como um momento de prestação de contas sobre a adoção de compromissos anteriores, onde governos precisam demonstrar como estão transpondo metas internacionais em resultados práticos dentro de seus territórios. A urgência do debate justifica-se pela persistente crise de perda de espécies, um fenômeno acelerado pela ação humana que coloca em risco o equilíbrio dos ecossistemas fundamentais para a sobrevivência das sociedades modernas.O marco regulatório de Kunming-MontrealA cúpula baseia-se na Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), um dos pilares criados durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992. O debate central na Armênia é o Plano de Kunming-Montreal, o roteiro global adotado em 2022 para reverter a destruição do meio ambiente até 2030, compreendendo um conjunto de 23 metas imediatas para este período. Além desses objetivos de curto prazo, o quadro normativo estabelece quatro metas globais de longo prazo com foco no horizonte de 2050, as quais visam garantir a integridade dos ecossistemas, a valorização das contribuições da natureza para a humanidade e a distribuição equitativa dos benefícios advindos dos recursos genéticos. A conferência em Yerevan tem um caráter inédito por instituir um processo formal de avaliação coletiva, no qual os países signatários devem apresentar seus relatórios nacionais para verificar o que foi efetivamente realizado desde a última cúpula. Ao promover esta revisão minuciosa, a COP17 assume a responsabilidade de diagnosticar falhas na implementação e alinhar as estratégias dos países signatários aos objetivos globaisDiagnóstico das metas para 2030O cenário atual aponta para desafios significativos na trajetória rumo ao ano de 2030. Embora a maioria dos países tenha estabelecido metas nacionais, o ritmo de implementação permanece insuficiente para reverter o declínio da vida selvagem e a degradação dos habitats naturais. A meta mais emblemática, conhecida como trinta por trinta, que propõe a conservação de 30% das áreas terrestres e marinhas até o fim desta década, ainda carece de mecanismos eficazes para sua concretização plena em diversos contextos nacionais. Especialistas alertam que a criação de reservas em papel é insuficiente, sendo necessária uma gestão rigorosa que envolva a proteção efetiva de zonas cruciais como florestas tropicais, áreas úmidas e recifes de coral.Desafios financeiros e integração econômicaA mobilização de recursos financeiros será o ponto de maior tensão nas negociações desta edição da conferência. A estrutura acordada exige um investimento de pelo menos 200 bilhões de dólares anualmente, valor que ainda não foi alcançado, gerando um impasse sobre a operacionalização do Fundo Cali. Este mecanismo financeiro, criado durante a conferência realizada em Cali, Colômbia, no ano anterior, tem como objetivo principal arrecadar contribuições de empresas que utilizam dados genéticos digitais em suas pesquisas comerciais para redistribuir tais recursos à proteção da biodiversidade e ao apoio de povos indígenas. A integração da conservação em ministérios além da pasta de meio ambiente, como os de finanças e economia, também é vista como condição indispensável para eliminar incentivos que atualmente prejudicam a natureza. Sem uma reforma profunda nas práticas de subsídio e um fluxo constante de financiamento internacional, as nações em desenvolvimento argumentam que será impossível ampliar suas ações de restauração e proteção conforme o planejado.Perspectivas para o Caminho de YerevanOs próximos dias de negociações serão dedicados à revisão global do progresso coletivo, com a apresentação de relatórios nacionais e estratégias atualizadas pelos países participantes. A expectativa das delegações é consolidar o chamado Caminho de Yerevan, um plano de ação que visa acelerar a implementação prática das metas do Plano de Kunming-Montreal durante os quatro anos restantes da década. O sucesso da conferência dependerá da capacidade dos negociadores em superar impasses logísticos e financeiros, e, caso os países consigam alinhar interesses divergentes sobre a mobilização de recursos, a cúpula poderá encerrar com um acordo sólido sobre mecanismos que garantam a viabilidade das metas globais de sustentabilidade até 2030. O desfecho das discussões no dia 30 de outubro deverá fornecer a resposta definitiva sobre a viabilidade de alcançar tais objetivos dentro do prazo estabelecido.