ONU confirma que a AIEA perdeu a capacidade de monitoramento nuclear no Irã devido à gu...
Segurança e Paz — Oriente Médio
A agência se vê impossibilidade de rastrear as atividades nucleares do Irã após ataques sucessivos dos Estados Unidos e de Israel.
Impacto de ofensivas militares na vigilância nuclear iranianaA Organização das Nações Unidas (ONU) confirmou o colapso do monitoramento internacional sobre o programa nuclear iraniano nesta sexta-feira, dia 10 de julho de 2026. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) perdeu a capacidade de inspecionar as instalações no país após sucessivos ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel. A subsecretária-geral para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz da ONU, Rosemary DiCarlo, apresentou esses dados alarmantes durante uma sessão oficial do Conselho de Segurança em Nova York. O encontro visou debater as questões de não proliferação sob a égide da Resolução 2231, o marco legal que historicamente validou as negociações atômicas com Teerã. Esse cenário de escalada bélica interrompeu de maneira abrupta as salvaguardas estabelecidas na região ao longo da última década. A ausência de vigilância in loco gera uma nova camada de incerteza profunda para a arquitetura da segurança global.Interrupção total do controle sobre centrífugas e estoques de urânioA AIEA alertou formalmente a ONU sobre a paralisação de qualquer atividade de verificação de campo baseada no Acordo de Salvaguardas do Tratado de Não Proliferação Nuclear. Esse era o exato instrumento jurídico que permitia o monitoramento dos compromissos técnicos assumidos pelo Irã no âmbito do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA). Os inspetores internacionais atestaram a impossibilidade concreta de restaurar o controle de dados sobre as operações com centrífugas avançadas, a produção de água pesada e os estoques de urânio enriquecido. Esse apagão de inteligência técnica impossibilita o cálculo preciso do volume de material físsil atualmente disponível no território iraniano.Acúmulo de restrições ao trabalho dos inspetores internacionaisRosemary DiCarlo recordou aos membros do Conselho de Segurança que a crise resulta de um efeito cumulativo, intensificado pela decisão do governo iraniano de suspender a aplicação provisória do seu Protocolo Adicional em fevereiro de 2021. Desde aquela data, a organização não recebeu mais nenhuma declaração atualizada de Teerã e viu-se incapacitada de realizar acessos complementares a qualquer local ou sítio suspeito no país asiático. O fim dessa cooperação técnica limitou severamente a margem de manobra dos especialistas da ONU antes mesmo da atual deflagração do conflito armado. A combinação entre retaliações militares e o isolamento diplomático prévio formam hoje um desafio sem precedentes para a implementação das resoluções de contenção do Conselho de Segurança na diplomacia contemporânea.Apelo da Secretaria-Geral por negociações resolutivas e pacíficasO agravamento da segurança regional motivou uma resposta imediata do secretário-geral da ONU, António Guterres, que instou todas as partes envolvidas no conflito a buscarem um engajamento construtivo e de boa-fé nas tratativas diplomáticas urgentes. O objetivo principal dessa mobilização é alcançar uma resolução pacífica, abrangente e duradoura, perfeitamente alinhada com os propósitos originais da Resolução 2231 e com a meta de fortalecimento da paz internacional. Apesar da escalada de ataques e da perda de capacidade operacional da AIEA, a retomada do diálogo afigura-se como a única via segura. Atualmente, a formulação de um quadro estrutural para futuras negociações permanece como um passo crítico rumo à solução pacífica da questão nuclear iraniana.