Ibovespa fecha em leve queda com ameaça de Trump ao Fed no radar e dólar estável a R$ 5,37

Economia e Comércio — América do Sul

Ibovespa encerra pregão de 12 de janeiro com leve queda de 0,13%, aos 163.150 pontos, enquanto dólar opera estável a R$ 5,37. Mercado global reage à ameaça d...

O principal índice da bolsa de valores brasileira, o Ibovespa, encerrou o pregão desta segunda-feira, 12 de janeiro, com leve queda de 0,13%, aos 163.150 pontos, num dia marcado pela cautela dos investidores diante de desdobramentos institucionais nos Estados Unidos. A moeda norte-americana, por sua vez, manteve-se praticamente estável frente ao real, fechando cotada a R$ 5,3723, uma leve alta de 0,11% no dia, acumulando queda de 2,13% no ano. O comportamento dos ativos brasileiros refletiu diretamente a repercussão internacional da mais recente investida do presidente Donald Trump contra a autonomia do Federal Reserve, o banco central americano, que trouxe volatilidade para os mercados globais, mas encontrou certa acomodação no início da tarde no Brasil, conforme apurou o canal de notícias CNN Brasil.O centro das atenções dos agentes financeiros ao redor do mundo foi a declaração do chair do Fed, Jerome Powell, no domingo, 11 de janeiro, revelando que está sendo alvo de investigação por procuradores federais dos Estados Unidos. Segundo Powell, o Departamento de Justiça americano emitiu intimações ao Federal Reserve relacionadas a comentários que ele fez ao Congresso sobre os custos excedentes de uma reforma orçada em US$ 2,5 bilhões na sede da instituição, em Washington. Para analistas de mercado e para o próprio Powell, a ação é interpretada como mais um movimento da administração Trump para pressionar o banco central por cortes mais profundos nas taxas de juros, num momento em que o presidente busca impulsionar a economia americana a qualquer custo, de acordo com informações divulgadas pela agência de notícias Reuters.A relação entre Trump e Powell tem sido marcada por tensões crescentes ao longo do último ano. O presidente e seus aliados criticaram repetidamente o chair do Fed por não reduzir as taxas de juros conforme a vontade da Casa Branca. O Federal Reserve promoveu três cortes consecutivos na taxa básica de juros americana no segundo semestre de 2025, mas autoridades da instituição sinalizaram recentemente que é improvável que novos cortes ocorram num futuro próximo, conforme noticiou o jornal The Wall Street Journal. A ameaça de acusação criminal contra Powell é vista nos mercados globais como uma estratégia explícita de pressão política sobre o banco central, com o objetivo de forçar uma postura mais acomodatícia na política monetária, mesmo diante de sinais de aquecimento da economia, avaliou o serviço de notícias financeiras Bloomberg.No Brasil, o impacto dessa tensão institucional nos EUA foi sentido de forma atenuada, mas ainda assim presente. O Ibovespa oscilou durante todo o pregão, refletindo a incerteza dos investidores quanto aos desdobramentos do conflito entre Trump e o Fed e seus potenciais efeitos sobre os fluxos de capitais para mercados emergentes. A estabilidade do dólar frente ao real, por sua vez, indica que, apesar da turbulência externa, o cenário doméstico brasileiro não apresentou gatilhos fortes que justificassem movimentos mais pronunciados na taxa de câmbio. A moeda americana encerrou o dia praticamente no mesmo patamar da abertura, num sinal de que o mercado cambial brasileiro operou sem direção definida, acompanhando a acomodação observada nos mercados internacionais no período da tarde, segundo análise da corretora XP Investimentos reproduzida pelo portal G1.Para analistas, a estratégia de Trump de pressionar o Fed por meio de investigações e ameaças legais insere-se num contexto mais amplo de sua política econômica, que busca combinar cortes de impostos, desregulamentação e juros baixos para estimular o crescimento e gerar empregos. No entanto, a interferência explícita na autonomia do banco central levanta preocupações entre investidores sobre a credibilidade da política monetária americana no longo prazo e sobre os riscos de um eventual retorno da inflação. O Federal Reserve, historicamente, opera com independência em relação ao poder político, e qualquer erosão dessa autonomia pode ter consequências significativas para a estabilidade financeira global, alertou o economista-chefe de uma instituição financeira internacional em entrevista à agência Associated Press.O mercado financeiro brasileiro, que vinha acumulando ganhos nas primeiras sessões de 2026, agora observa com atenção os próximos capítulos dessa disputa em Washington. A possibilidade de que a pressão sobre Powell resulte em novos cortes de juros nos EUA pode, num primeiro momento, beneficiar ativos de risco em economias emergentes como o Brasil, ao reduzir a atratividade dos títulos do Tesouro americano e estimular a busca por maiores rendimentos em outros mercados. Por outro lado, o enfraquecimento institucional do Fed e a politização da política monetária podem gerar incertezas de longo prazo que acabem por afastar capitais e aumentar a volatilidade, ponderou relatório do banco Credit Suisse citado pelo jornal O Globo.Os investidores agora aguardam novos desdobramentos da investigação contra Powell e eventuais sinais sobre os rumos da política monetária americana nos próximos meses. Enquanto isso, o Ibovespa e o câmbio brasileiro devem continuar refletindo, nas próximas sessões, tanto o noticiário externo quanto os indicadores domésticos, que incluem a evolução da atividade econômica, as contas públicas e as expectativas em torno da política fiscal do governo federal. O dia 12 de janeiro ficará marcado como aquele em que a tensão entre Trump e o Fed entrou definitivamente no radar dos mercados emergentes, adicionando mais uma variável de incerteza a um cenário global já complexo, concluiu análise da consultoria econômica britânica Capital Economics reproduzida pelo jornal Valor Econômico.