Forças israelenses invadem centro da Agência da ONU para Refugiados Palestinos em Jerus...
Segurança e Paz — Oriente Médio
Autoridades de Israel assumiram controle de instalação, ensejando reação diplomática das Nações Unidas.
Incursão em instalação da ONU marca nova etapa de tensão regionalForças de segurança de Israel realizaram, na manhã de 25 de agosto de 2026, uma incursão no centro de treinamento da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA), localizado no bairro de Kafr Aqab, em Jerusalém Oriental. A ação, que envolveu veículos blindados e cerca de 50 agentes, resultou na expulsão imediata dos funcionários das Nações Unidas presentes no local e na tomada do controle administrativo da infraestrutura. Este incidente, que gerou protestos da comunidade internacional, ocorre em um contexto de crescente desmantelamento das operações da agência na região. A interrupção das atividades educacionais em Kalandia afeta diretamente milhares de jovens palestinos que dependiam do centro para formação profissional.Justificativas oficiais e contexto das tensões com a UNRWAA operação foi acompanhada pelo Ministro da Segurança Nacional de extrema-direita, Itamar Ben-Gvir, que reiterou críticas de longa data contra a UNRWA e declarou o objetivo de encerrar permanentemente as atividades da agência no local. O governo de Israel sustenta que a instalação pertence, por direito histórico, ao Fundo Nacional Judaico, alegando que a UNRWA ocupou a área sem título de propriedade legal por décadas. Além disso, o Executivo israelense reitera acusações de que a UNRWA foi infiltrada por membros do Hamas, tendo alguns inclusive participado dos ataques de 7 de outubro. O histórico recente de medidas israelenses para restringir as operações da agência da ONU inclui a demolição, em janeiro de 2026, do complexo que servia como sede da UNRWA em Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental, para ser transformado em um centro de recrutamento e um gabinete para o Ministro da Defesa. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que essas operações seguem diretrizes legais internas.Reação da UNRWA e o impacto no mandato de assistênciaEm seu comunicado oficial, a UNRWA condenou a entrada de forças armadas em um complexo da ONU, sem o consentimento da organização, como inaceitável, exigindo que a comunidade internacional atue imediatamente. O centro de Kalandia, fundado em 1952, representa o mais antigo centro de treinamento vocacional da instituição, tendo servido por mais de sete décadas como um alicerce para milhares de refugiados palestinos que enfrentam severas dificuldades socioeconômicas. O diretor de assuntos da UNRWA na Cisjordânia enfatizou que a perda da infraestrutura atenta diretamente contra o direito à educação e contra o mandato humanitário conferido à organização pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Reafirmou, ainda, que a agência manterá a insistência na proteção de seus funcionários e de seus locais de trabalho, reiterando que a integridade da ONU não pode ser condicionada por interesses políticos de Estados-membros.Violação das imunidades da ONU e apelos pela restauração do statusO Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, também emitiu pronunciamento onde classificou a ação como uma violação clara das obrigações de Israel sob o direito internacional. Conforme a Convenção da ONU de 1946, as instalações das Nações Unidas são consideradas invioláveis, possuindo imunidade contra busca, requisição, confisco, expropriação e qualquer outra forma de interferência. Não existe um precedente claro na história da organização em que um Estado-membro tenha tomado uma instalação funcional contra a vontade da ONU para converter o local para seus próprios fins. Israel teria violado, ainda, o parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça emitido em outubro de 2025 que determinou que Israel deve respeitar a inviolabilidade de todos os prédios vinculados à ONU no Território Palestino Ocupado. A ONU exige a imediata proteção de seus ativos contra qualquer forma de interferência, destacando que a integridade das instalações não pode ser condicionada a legislações nacionais. O desrespeito a essas prerrogativas diplomáticas cria um precedente preocupante para a governança global e para a proteção de instituições multilaterais em áreas de conflito.