Cúpula da Organização para Cooperação de Xangai debate nova ordem mundial no Quirguistão

Integração Regional — Ásia e Oceania

A cúpula em Bishkek focou em integração regional e reforma das instituições internacionais

A Organização para a Cooperação de XangaiA Organização para a Cooperação de Xangai (OCX) encerrou hoje sua 26ª Cúpula de Chefes de Estado no Quirguistão, consolidando-se como uma força política e econômica de relevância global. Fundada em 2001, a OCX é uma associação regional que hoje integra dez Estados membros, incluindo China, Índia, Irã, Paquistão e Rússia, abrigando quase metade da população mundial e mais de um terço do produto interno bruto global. A reunião em Bishkek serviu como plataforma para debater a integração de novas agendas regionais, com a participação de líderes como parceiros de diálogo e o encerramento do mandato do Quirguistão na presidência rotativa, que priorizou o lema de paz e prosperidade sustentável.O contexto geopolítico e a visão de António GuterresO cenário internacional, marcado por instabilidades persistentes, provocou discussões sobre a reforma da governança global durante o encontro. O Secretário-Geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, compareceu à cúpula e defendeu que a crescente multipolaridade do mundo representa uma oportunidade para o fortalecimento do multilateralismo, desde que acompanhada de instituições internacionais mais justas. Nessa perspectiva, a Organização para a Cooperação de Xangai (OCX) posiciona-se como um dos polos de influência na nova arquitetura internacional, ao congregar nações que buscam alternativas às estruturas tradicionais de poder ocidental. Ao defender a multipolaridade e a necessidade de aumentar a representatividade das nações em desenvolvimento, Guterres ressaltou a relevância de organizações regionais como a OCX para o equilíbrio do sistema. O bloco atua, portanto, como um vetor central desse movimento, reunindo países que advogam por uma representação mais ampla de economias emergentes no Conselho de Segurança da ONU e nos órgãos do sistema Bretton Woods.Integração econômica e a agenda de segurançaA cúpula priorizou a análise dos impactos dos conflitos no comércio e na segurança energética, dada a interrupção de rotas logísticas essenciais. Os membros da OCX discutiram estratégias para impulsionar a conectividade regional, mencionando a criação de corredores de transporte e a gestão de recursos naturais para garantir a estabilidade econômica. O combate ao terrorismo, ao separatismo e ao extremismo ocupou o centro da pauta de segurança, embora o tema tenha revelado divergências latentes, com Índia e Paquistão trocando críticas sobre o uso de grupos armados como política de Estado. A necessidade de cooperação técnica em áreas como inteligência artificial, energia e combate ao crime transnacional foi reafirmada como instrumento para mitigar os efeitos das crises globais.A Declaração de Bishkek e o futuro da arquitetura regionalO encontro resultou na assinatura da Declaração de Bishkek e na aprovação de 28 documentos institucionais, incluindo emendas ao estatuto da OCX que visam conferir maior flexibilidade operacional ao bloco. O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, enfatizou que a expansão da organização e o fortalecimento das estruturas regionais não buscam substituir a ONU, mas sim compor uma arquitetura internacional mais equilibrada, ancorada na Carta das Nações Unidas. Apesar dos consensos alcançados sobre a necessidade de uma ordem multipolar equitativa, as discussões também refletiram as complexidades de um grupo diverso. Com a transferência da presidência rotativa para o Paquistão, a OCX prepara-se para o próximo ciclo sob o lema de transformar visões em ações concretas, mantendo o equilíbrio entre a cooperação pragmática e as visões de mundo particulares de cada membro.