Mar Cáspio intensifica tensões entre cinco nações fronteiriças
Segurança e Paz — Ásia e Oceania
Convenção de 2018 mantém indefinidas as fronteiras no leito marinho e atrai novos focos de conflito internacional.
Indefinições jurídicas e militares rondam o Mar CáspioA indefinição territorial do Mar Cáspio continua a gerar atritos diplomáticos entre Irã, Rússia, Azerbaijão, Cazaquistão e Turcomenistão em 20 de agosto de 2026. O problema central é antigo. A região tornou-se palco de disputas porque a Convenção sobre o Estatuto Jurídico do Mar Cáspio, assinada em 2018, não delimitou o leito marinho entre os Estados fronteiriços. Esse impasse impede um acordo definitivo. Tal vazio jurídico afeta diretamente a segurança regional e os direitos de exploração de imensas reservas de petróleo e gás natural. O cenário demanda soluções urgentes para evitar uma escalada de hostilidades.A convenção de 2018 e as fronteiras abertasO acordo firmado na cidade cazaque de Aktau estabeleceu diretrizes importantes, mas deixou lacunas significativas de soberania. A superfície obteve regras claras. O documento garantiu águas territoriais de até 15 milhas náuticas e uma zona exclusiva de pesca de 10 milhas para cada país litorâneo. No entanto, a divisão do fundo do mar permaneceu sem solução, exigindo tratados bilaterais para a exploração de hidrocarbonetos. Azerbaijão, Rússia e Cazaquistão conseguiram firmar entendimentos mútuos sobre as fronteiras no setor norte. O setor sul permanece disputado e eleva a desconfiança diplomática na área.Reivindicações históricas e a posição iranianaO Irã mantém uma postura cautelosa e reivindicativa em relação às águas meridionais do Cáspio. A configuração geopolítica mudou drasticamente no século passado. Antes da dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) em 1991, iranianos e soviéticos compartilhavam o corpo hídrico com base em tratados de 1921 e 1940. Esses textos focavam no uso comum da água, sem definir divisões percentuais de propriedade. Após o colapso soviético, o surgimento de três novas repúblicas independentes fragmentou as negociações bilaterais. Políticos iranianos chegaram a pleitear entre 20% e 50% do leito marinho. Contudo, essas propostas nunca obtiveram aval internacional e explicam os atuais entraves diplomáticos.A disputa pelos recursos energéticos do subsoloO interesse global no Cáspio decorre das vastas reservas de energia ocultas nas suas águas profundas. Os números impressionam o mercado econômico. O campo iraniano de Sardar-e Jangal, descoberto em 2012, concentra cerca de 2 bilhões de barris de petróleo. Desse total, aproximadamente 500 milhões são potencialmente recuperáveis. A exploração, contudo, exige investimentos bilionários e tecnologia de perfuração submarina especializada, pois o campo opera a 700 metros de profundidade. As sanções econômicas impostas a Teerã dificultam o acesso a capitais estrangeiros e paralisam a produção comercial. Esses obstáculos estruturais tornam o golfo Pérsico uma alternativa mais atrativa e barata.Reflexos bélicos e segurança internacional no CáspioA instabilidade do Mar Cáspio ultrapassa a economia e atinge a segurança militar global. A regra estabelecida é rígida. A convenção de 2018 proíbe estritamente a presença de forças armadas de Estados não litorâneos nas águas da região. Recentemente, autoridades iranianas acusaram a Ucrânia de atacar uma embarcação comercial de seu país e matar um marinheiro. Forças ucranianas, por sua vez, alegaram interceptar cargas militares russas em trânsito. O episódio ilustra o claro transbordamento da guerra do leste europeu para o território asiático. Como a região lidará com a presença bélica indireta de novos atores armados?