250 Mil Protestam por Irã Livre em Munique
Direitos Humanos — Europa
O maior ato de solidariedade ao povo iraniano já realizado na Europa reúne 250 mil pessoas em Munique no Dia Global de Ação convocado por Reza Pahlavi; dezen...
Mais de 250.000 pessoas se reuniram neste sábado, 14 de fevereiro de 2026, nas ruas de Munique, na Alemanha, para participar de uma gigantesca manifestação de solidariedade ao povo iraniano, convocada pelo príncipe exilado Reza Pahlavi como "Dia Global de Ação" contra o regime islâmico do Irã — tornando-se o maior ato político de apoio ao povo iraniano já realizado em solo europeu. A marcha ocorreu na sombra direta da 62ª Conferência de Segurança de Munique, cujos delegados podiam ouvir as multidões dos corredores do Hotel Bayerischer Hof.A polícia de Munique confirmou os números em comunicado de imprensa, destacando que a concentração "está entre as maiores já realizadas em Munique nos últimos anos" e que "a atmosfera pacífica é particularmente digna de nota, apesar do elevado número de participantes". Ao longo do dia, a multidão entoou gritos como "mudança, mudança, mudança de regime" e "democracia para o Irã", ao som de sinos e címbalos, com bandeiras verde-brancas-e-vermelhas adornadas com o emblema do leão e do sol — símbolo do Irã anterior à Revolução Islâmica de 1979 — ondulando por toda a extensão do cortejo.Reza Pahlavi, filho de Mohammed Reza Shah Pahlavi, o último xá do Irã, compareceu pessoalmente à manifestação em Munique ao lado de sua esposa Yasmine. Em coletiva de imprensa, advertiu que haveriam "mais mortes no Irã" se as democracias "ficassem de braços cruzados". Pahlavi, que declarou o dia 14 de fevereiro como "Dia Global de Ação" semanas antes, disse estar "cheio de esperança" e pediu à comunidade internacional ação imediata. Em coordenação com a manifestação de Munique, manifestantes dentro do Irã foram convocados a gritar palavras de ordem contra o governo de suas janelas e telhados — prática que havia se tornado "uma das formas continuadas de protesto civil" diante da crescente repressão, segundo a agência de direitos humanos HRANA.As manifestações internacionais eram a resposta direta aos massacres ocorridos no Irã entre janeiro e fevereiro de 2026. Desde o início dos protestos em 28 de dezembro de 2025 — desencadeados pela crise econômica e pela desvalorização acelerada do rial —, as autoridades iranianas haviam respondido com uma repressão sem precedentes. De acordo com a HRANA (Human Rights Activists News Agency), com sede nos EUA, ao menos 7.005 pessoas foram mortas até 14 de fevereiro, incluindo 214 membros das forças de segurança. Estimativas mais altas, baseadas em dados de funcionários do Ministério da Saúde iraniano, apontavam para até 36.500 mortos apenas nas primeiras semanas de janeiro. O regime impusera um corte quase total de internet para ocultar a extensão da repressão do mundo exterior.Em Toronto, Canadá, as manifestações foram ainda mais expressivas em termos absolutos: cerca de 350.000 pessoas marcharam nas ruas da cidade, segundo a porta-voz da polícia local, Laura Brabant, em declaração à Associated Press. Manifestações igualmente significativas ocorreram em Los Angeles (350.000 participantes), Londres (50.000), Vancouver (45.000), Melbourne, Atenas, Tóquio e dezenas de outras cidades do mundo. Em Nicosia, no Chipre, cerca de 500 manifestantes se concentraram em frente ao palácio presidencial.A carga emocional das manifestações era palpável. Daniyal Mohtashamian, manifestante que viajou de Zurique, na Suíça, para participar do ato em Munique, expressou à agência Reuters a importância do evento para os iranianos dentro do país: "Há um apagão de internet, e suas vozes não estão conseguindo sair do Irã." O gesto de limpar as ruas após o ato — reportado por policiais de várias cidades como espontâneo — foi lido pelos observadores como um sinal da disciplina cívica dos manifestantes.A organização dos protestos também foi objeto de cobertura crítica. A ONG The Guardian reportou que a República Islâmica estava monitorando e ameaçando jornalistas da diáspora e seus familiares em razão da cobertura dos protestos. Um grupo de pesquisa independente afirmou que o regime coordenou uma ampla operação de influência nas redes sociais para moldar as narrativas globais sobre os acontecimentos. Maryam Rajavi, co-líder da Organização dos Mujahidins do Povo do Irã (MEK), disse que os manifestantes "infundiram medo em um inimigo enfraquecido" e advertiu as forças de segurança que obedecem ordens de repressão que "os tribunais de um Irã livre" as aguardam.Após a manifestação em Munique, o Irã convocou o embaixador alemão em Teerã para protestar formalmente. A representação diplomática alemã recebeu um protesto formal do governo iraniano, que qualificou as manifestações como "ingerência nos assuntos internos" do país — uma resposta que, para os manifestantes e para os analistas políticos, confirmava a leitura de que o regime sentia a pressão do movimento da diáspora.