Brasil lidera iniciativa global para fortalecer o Direito Humanitário

Governança Global — Global

Grupo fundado em 2024 conclui primeira reunião ministerial e publica declaração conjunta.

A primeira reunião ministerialA primeira reunião ministerial da Iniciativa Global para Fortalecer o Compromisso Político com o Direito Internacional Humanitário (DIH) ocorreu hoje, 23 de setembro de 2026, para discutir a aplicação das normas vigentes e a urgência de assegurar o cumprimento de tratados internacionais diante da escalada de violações humanitárias em diferentes teatros de operação ao redor do mundo. A sessão marcou um avanço institucional no diálogo entre os países fundadores, o que inclui o Brasil, e focou em ampliar o apoio internacional à iniciativa, garantir uma participação representativa e de alto nível na próxima conferência e redigir a declaração final.Origem e objetivos da iniciativaA iniciativa foi lançada oficialmente em 2024 por seis países, Brasil, China, França, Jordânia, Cazaquistão e África do Sul, coordenados com o suporte técnico do Comitê Internacional da Cruz Vermelha. O grupo nasceu da preocupação crescente com a degradação da proteção civil, estabelecendo como meta a criação de um espaço de debate de alto nível que pudesse elevar o Direito Internacional Humanitário ao topo das prioridades políticas. Após depois anos de articulação técnica, a marcação da reunião de 2026 permitiu que os países finalmente formalizassem diretrizes conjuntas, transformando discussões conceituais em compromissos políticos concretos e estruturados.Declaração conjunta e metas para a JordâniaA Declaração Conjunta renova o apelo à ação para enfrentar o sofrimento inaceitável em mais de 130 conflitos armados atuais. O texto destaca a importância das Convenções de Genebra para a prevenção de danos a civis e infraestruturas críticas durante conflitos, destacando que hospitais, escolas e residências não devem ser tratados como campos de batalha, e que a destruição observada resulta de escolhas deliberadas de desrespeito às normas existentes. A declaração também reforça a importância de mecanismos de monitoramento e de prestação de contas das partes envolvidas em guerras, garantindo que o Direito Internacional Humanitário cumpra seu papel como um limite efetivo nos conflitos. Com o objetivo de traduzir o ímpeto político em medidas práticas, os Estados anunciaram a Conferência de Alto Nível para Defender a Humanidade na Guerra, que ocorrerá em 7 de dezembro de 2026, na Jordânia. As partes convocaram a comunidade internacional a aderir à iniciativa e assegurar representação de alto nível na conferência, onde será emitida uma declaração política concisa e inclusiva, visando o engajamento diplomático necessário para transformar as metas em ações práticas.O papel do Brasil no cenário internacionalEsforços para fortalecer as normas internacionais, como o da iniciativa em questão, tornam-se de importância fundamental diante dos crescentes desafios da guerra moderna, caracterizada pelo uso de armas explosivas em áreas densamente povoadas, pela disseminação de tecnologias autônomas de combate e pela desinformação que compromete a proteção de infraestruturas críticas. O Brasil, por meio do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participou ativamente das discussões, reforçando que o Direito Internacional Humanitário constitui um pilar inegociável da política externa brasileira. A atuação do país reflete a posição histórica de defesa do multilateralismo, da solução pacífica de controvérsias e do respeito aos direitos fundamentais. O fortalecimento dessas normas é vital em um período de tensões acentuadas, funcionando como um mecanismo estabilizador em um sistema internacional pressionado por múltiplos desafios de segurança global.