Conselho de Segurança da ONU debate anexação de fato da Cisjordânia por Israel
Segurança e Paz — Oriente Médio
Reunião na ONU alerta para a frágil governança na Faixa de Gaza e para o avanço de políticas de anexação territorial em 2026.
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) realizou, nesta quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026, uma reunião de alto nível para debater a escalada de tensões na Cisjordânia e a extrema fragilidade do cessar-fogo recém-estabelecido na Faixa de Gaza. Sob a presidência do Reino Unido, a sessão contou com o alerta contundente e detalhado da subsecretária-geral para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz da ONU, Rosemary DiCarlo, que sublinhou de forma inequívoca que a atual janela para a paz não é politicamente garantida, tampouco possui duração indefinida. O encontro multilateral ocorre precisamente às vésperas da reunião inaugural do recém-formado Conselho de Paz (Board of Peace) em Washington, marcando um momento decisivo e crítico para a arquitetura de governança pós-conflito e para a reconstrução estrutural do enclave palestino, além de evidenciar o aprofundamento das fraturas diplomáticas sistêmicas em torno da clássica solução de dois Estados.O cenário tático e operacional na Faixa de Gaza, embora sob um regime de cessar-fogo formal validado por instâncias internacionais, permanece altamente volátil, com a contínua intensificação de ataques militares e confrontos esporádicos, fatores que impedem a estabilização completa da região. A comunidade internacional concentra, neste instante, suas expectativas diplomáticas e financeiras na iminente reunião do Conselho de Paz, agendada para 19 de fevereiro de 2026, que deverá anunciar a mobilização de mais de cinco bilhões de dólares em promessas de financiamento destinadas exclusivamente à reconstrução emergencial da infraestrutura civil de Gaza. Representantes dos Estados Unidos e do Reino Unido enfatizaram durante o debate a necessidade imperativa de implementar integralmente o Plano Abrangente liderado por Washington, que prevê o desarmamento sistêmico de grupos militantes e a transição ordenada da governança administrativa local para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza, um órgão essencialmente composto por tecnocratas palestinos.A despeito dos intensos esforços internacionais focados na recuperação de Gaza, a rápida e violenta deterioração das condições sociopolíticas na Cisjordânia ocupada emergiu como o ponto central de maior alarme e apreensão durante a sessão. A controversa decisão do gabinete de segurança de Israel, ratificada em 8 de fevereiro de 2026, que aprova uma série de medidas administrativas, financeiras e de fiscalização coercitiva para expandir o controle jurisdicional de Tel Aviv sobre as Áreas A e B da Cisjordânia, foi objeto de ampla e severa condenação multilateral. Tais medidas implementadas pelo governo incluem o cancelamento definitivo da proibição de venda de terras na Cisjordânia para indivíduos não muçulmanos, a desclassificação estratégica de registros fundiários para facilitar a aquisição de propriedades por colonos e a transferência do planejamento de construção em locais religiosos sensíveis para as autoridades civis israelenses. DiCarlo e diversos delegados internacionais alertaram que essas políticas articuladas configuram uma inegável anexação gradual de fato, alterando drasticamente a composição demográfica e o status jurídico histórico dos territórios ocupados.O duro embate retórico presenciado no plenário do Conselho de Segurança evidenciou a polarização política extrema e aparentemente irreconciliável entre as partes diretamente envolvidas no longo conflito regional. O observador permanente do Estado da Palestina acusou veementemente e formalmente o governo israelense de promover uma explosão deliberada de violência sistêmica na Cisjordânia com o claro intuito geopolítico de liquidar definitivamente a questão palestina por meio de incursões militares contínuas, confisco ilegal de terras e apropriação indevida de recursos financeiros vitais. Em contrapartida direta, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, rejeitou categoricamente as contundentes alegações internacionais de anexação ilegal de territórios e, em um pronunciamento diplomático incisivo, negou a própria premissa histórica e legal da criação de um Estado palestino independente na região, afirmando perentoriamente que o povo judeu possui direitos morais, religiosos e legais ancestrais inalienáveis sobre todas as áreas geográficas da Judeia e Samaria.A resposta cautelosa da governança global a essa conjuntura crítica sublinha a urgência imperativa de uma diplomacia preventiva eficaz para evitar um catastrófico transbordamento regional e internacional do conflito. Países como o Brasil reafirmaram, durante as exaustivas consultas fechadas, sua tradicional posição diplomática em defesa do fluxo desimpedido de ajuda humanitária e da imediata reconstrução estrutural de Gaza, ressaltando que o enclave costeiro deve permanecer politicamente e territorialmente conectado à Cisjordânia, incluindo de maneira indissociável a região de Jerusalém Oriental. A diplomacia brasileira insiste veementemente que o único horizonte político genuinamente viável e duradouro reside na efetivação material da solução de dois Estados, exigindo do Conselho de Segurança uma postura mais assertiva na complexa manutenção da paz global. A inação prolongada diante do avanço das políticas de assentamento ameaça desmantelar irreversivelmente os fundamentos jurídicos do sistema internacional moderno neste complexo ano diplomático de 2026.