Starmer é o quinto líder ocidental a visitar Xi em janeiro: na Grande Sala do Povo, Rei...

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Em 29 de janeiro, Starmer tornou-se o quinto líder ocidental a visitar Xi Jinping em janeiro de 2026. Na Grande Sala do Povo, os dois proclamaram uma "parcer...

Na manhã de quinta-feira, 29 de janeiro de 2026, o presidente Xi Jinping recebeu o primeiro-ministro britânico Keir Starmer na Grande Sala do Povo, em Pequim — a sede das reuniões mais formais da diplomacia chinesa, onde a República Popular recebe chefes de Estado e de governo quando deseja sinalizar o peso político do encontro. Era a primeira visita de um premier britânico à China em oito anos — desde que Theresa May esteve em Pequim, em 2018 — e Starmer chegou à capital chinesa acompanhado de uma delegação de quase 60 representantes dos principais setores da economia e da cultura britânica, incluindo líderes de bancos, indústrias farmacêuticas, empresas de tecnologia e instituições culturais, conforme detalharam a Al Jazeera, a PBS, a CNBC e a CBC. A reunião, inicialmente programada para 40 minutos, estendeu-se por 80 — o dobro do tempo previsto —, num sinal que analistas interpretaram como indicador do interesse mútuo em avançar concretamente na relação bilateral, após anos de deterioração provocados por espionagem chinesa no Reino Unido, pelo apoio de Pequim à Rússia na guerra da Ucrânia e pela repressão às liberdades em Hong Kong.Starmer, ao abrir a reunião, disse que era "vital que construamos uma relação mais sofisticada" que permitisse aos dois países identificar áreas de colaboração e diálogo, conforme reproduziu a Reuters. Xi Jinping respondeu com uma formulação que Xi usaria repetidamente ao longo da visita: "Num mundo em turbulência e em mudança constante, China e Reino Unido, como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e grandes economias, precisam fortalecer o diálogo e a cooperação", conforme registrou a transmissão da estatal CCTV. A televisão estatal chinesa acrescentou que Xi havia enfatizado — sem mencionar os EUA nominalmente — que "grandes potências" deveriam aderir ao direito internacional ou o mundo regrediria à "selva" — linguagem que ecoava diretamente o discurso de Guterres no Conselho de Segurança dois dias antes, e que a imprensa internacional leu como referência implícita à política externa de Trump, conforme interpretou a CBC. A declaração conjunta publicada pelo Gabinete do Primeiro-Ministro britânico (10 Downing Street) confirmou que os dois lados "reafirmaram seu compromisso compartilhado de construir uma parceria estratégica consistente, de longo prazo e abrangente que beneficiará ambos os países", com o compromisso de "continuar a intensificar a cooperação em áreas de interesse mútuo, mantendo um diálogo franco e aberto em áreas de discordância."Os resultados concretos anunciados após a reunião foram substanciais. A China concordou em cortar as tarifas sobre o uísque escocês à metade — de 10% para 5% —, numa vitória que Starmer celebrou publicamente no X: "Disseram que minha visita à China entregaria resultados para o povo britânico. Confirmei isso. Garantimos bilhões de libras em acordos de exportação e investimento para o Reino Unido. Isso inclui um enorme impulso para nossa indústria de uísque — a China cortou as tarifas pela metade", conforme reproduziram a Al Jazeera e o ITV News. Pequim comprometeu-se com a isenção de vistos para cidadãos britânicos em visitas de turismo e negócios de até 30 dias — colocando o Reino Unido em paridade com cerca de 50 outros países, incluindo França, Alemanha, Austrália e Japão, e seguindo um acordo similar firmado com o Canadá no início de janeiro, conforme detalhou a Free Malaysia Today. O texto dos acordos incluiu ainda cooperação na persecução de redes de tráfico de migrantes que usam "botes pequenos" para cruzar o Canal da Mancha — tema politicamente sensível no Reino Unido e prioridade do governo Starmer —, além de acordos sobre exportações britânicas a China, saúde e fortalecimento de uma comissão bilateral de comércio, conforme registrou o Malay Mail. A China também concordou em levantar com efeito imediato as sanções que havia imposto a parlamentares britânicos como retaliação às sanções do Reino Unido a funcionários chineses por violações de direitos humanos em Xinjiang, conforme reportou o ITV News.Starmer encontrou-se também com o premier Li Qiang — numa agenda dupla que indicava o nível de importância que Pequim conferia à visita — e com Zhao Leji, presidente da Assembleia Popular Nacional, conforme registrou a Euronews. Após as reuniões, Starmer disse aos repórteres que os acordos sobre uísque e vistos eram "realmente importantes", e descreveu o estado da relação como em "bom lugar, um lugar forte", conforme reproduziu a PBS. O próprio Xi, na presença de Starmer, reconheceu indiretamente as polêmicas internas no Reino Unido sobre a visita: "As coisas boas muitas vezes vêm com dificuldades. Desde que seja a coisa certa a fazer de acordo com os interesses fundamentais do país e do seu povo, os líderes não fugirão das dificuldades e avançarão com coragem", disse Xi, numa passagem amplamente interpretada como apoio explícito a Starmer diante das críticas domésticas e americanas, conforme reportou a CBC. O governo do Reino Unido aprovou, numa coincidência de timing politicamente relevante, nos dias imediatamente anteriores à visita, os planos polêmicos para a construção de uma nova embaixada chinesa de grandes proporções em Londres — um gesto de boa vontade diplomática que havia sido bloqueado por anos por preocupações de segurança, conforme contextualizou a Euronews.As questões mais delicadas da relação bilateral também foram abordadas — com resultado parcial e diplomaticamente ambíguo. Starmer confirmou que levantou o caso de Jimmy Lai — o empresário de mídia e ativista pró-democracia de Hong Kong que é cidadão britânico e foi condenado em dezembro de 2025 por um tribunal de Hong Kong por sedição e conluio com forças estrangeiras sob a Lei de Segurança Nacional imposta por Pequim, enfrentando potencial prisão perpétua —, e que os dois líderes tiveram "uma discussão respeitosa sobre isso", conforme reproduziram a Al Jazeera e a CBC. O Downing Street, porém, recusou-se a confirmar se Starmer havia pedido explicitamente a libertação de Lai, e a posição do governo britânico — de que Lai deveria ser libertado imediatamente — foi descrita pelos filhos do ativista como insuficientemente enfática. Starmer também levantou a questão das violações dos direitos humanos dos uigures e a situação mais ampla das liberdades em Hong Kong, afirmando que esse tipo de diálogo era "parte e parcela da razão para se engajar", mas o Downing Street não forneceu detalhes sobre as respostas chinesas, conforme registrou o ITV News.A visita de Starmer a Pequim não acontecia no vácuo: era a mais recente de uma série que fez de Pequim o destino mais visitado por líderes ocidentais no mês de janeiro de 2026. O premier canadense Mark Carney havia estado em Pequim no início do mês — a primeira visita de um primeiro-ministro canadense à China desde 2017. O presidente sul-coreano Lee Jae Myung havia feito o mesmo, também pela primeira vez desde 2017. A primeira-ministra finlandesa visitara Xi ainda em janeiro. E o chanceler alemão Friedrich Merz já anunciara visita para fevereiro, enquanto o presidente francês Emmanuel Macron havia estado em dezembro, quando Xi fez uma rara saída de Pequim para recebê-lo, conforme sistematizou a CNBC. Ao menos cinco líderes de aliados dos EUA haviam visitado Xi apenas em janeiro — um fenômeno que a NBC News descreveu como "um novo destino de viagem favorito para os aliados americanos", impulsionado diretamente pela imprevisibilidade de Trump: seu ataque à Venezuela, suas demandas pela Groenlândia e suas ameaças tarifárias contra aliados da OTAN haviam criado um movimento de diversificação de parceiros que Pequim estava explorando com habilidade estratégica, conforme analisou a NBC.Trump respondeu com ameaça implícita. Ao ser questionado por repórteres sobre a visita de Starmer a Pequim enquanto aguardava a estreia do filme "Melania" no Kennedy Center, o presidente americano declarou: "Bem, é muito perigoso para eles fazer isso", referindo-se ao Reino Unido, e acrescentou que era "ainda mais perigoso, acho, para o Canadá entrar em negócios com a China", conforme reproduziram a PBS, o ITV News e o Jerusalem Post. Trump, que havia ameaçado impor tarifas sobre o Canadá após a visita de Carney a Pequim no início do mês, não anunciou nenhuma medida concreta contra o Reino Unido — mas a ameaça implícita era clara para analistas e para o governo britânico. Starmer, interrogado sobre o comentário de Trump na sexta-feira, recusou-se a confrontar diretamente o presidente americano, dizendo que falava com Trump "o tempo todo" e que os dois "se entendiam", ao mesmo tempo que defendeu a visita como "um grande sucesso" e afirmou que manter uma relação "consistente" com a China era "firmemente do interesse nacional", conforme registrou o ITV News. O ministro do comércio britânico Chris Bryant foi mais contundente, dizendo à BBC que Trump estava "errado" ao classificar as relações UK-China como perigosas.