Banco Mundial Alerta para Crise Global de Empregos no Longo Prazo

Economia e Comércio — Global

Presidente da instituição adverte que a criação de vagas não acompanhará o crescimento populacional nos países em desenvolvimento, resultando em um déficit d...

O Alerta do Banco MundialO presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, soou um alarme contundente sobre o futuro da economia global. Em uma entrevista gravada na sexta-feira e divulgada pouco antes das reuniões de primavera da instituição em Washington, Banga apontou que os países em desenvolvimento enfrentarão uma severa crise de empregos nas próximas décadas. Segundo as projeções da organização financeira, aproximadamente 1,2 bilhão de jovens chegarão à idade de trabalhar nos próximos 10 a 15 anos nessas nações, exigindo uma rápida adaptação das economias locais.O Déficit EstruturalO cenário pintado pelo executivo é pessimista caso as tendências atuais de crescimento se mantenham inalteradas. Banga alertou que, nesse mesmo período de 15 anos, as economias em desenvolvimento têm capacidade para criar apenas cerca de 400 milhões de postos formais de trabalho. Essa disparidade matemática resultará em um déficit massivo de aproximadamente 800 milhões de vagas, deixando quase um bilhão de pessoas sem acesso a oportunidades econômicas, o que pode agravar exponencialmente a desigualdade e a instabilidade social em escala global.Foco no Longo PrazoBanga, que é o ex-presidente-executivo da Mastercard, reconheceu a dificuldade de manter a atenção dos líderes globais em questões estruturais quando a economia mundial sofre uma sequência de choques sistêmicos e imediatos, que vão desde os impactos residuais da pandemia de Covid-19 até a recente eutanásia diplomática no Oriente Médio. No entanto, ele usou a analogia de que as autoridades precisam "andar e mascar chiclete ao mesmo tempo", enfatizando que a resolução de problemas de curto prazo não pode eclipsar o planejamento para a criação de empregos e a universalização do acesso a recursos básicos, como água potável e eletricidade.O Pano de Fundo da GuerraAs reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial ocorrem sob a sombra pesada do conflito armado no Oriente Médio. A guerra direta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã ameaça desacelerar fortemente as taxas de crescimento global e gerar pressões inflacionárias estruturais. Embora o presidente Donald Trump tenha estabelecido um frágil cessar-fogo de duas semanas, a trégua não foi suficiente para encerrar o bloqueio no Estreito de Ormuz, que provocou a maior interrupção energética já registrada, nem para pacificar os combates entre as forças israelenses e o Hezbollah no vizinho Líbano.