Trump Pede a Xi Jinping Para Não Fornecer Armas ao Irã
Governança Global — América do Norte
Presidente dos Estados Unidos revelou troca de cartas com o líder chinês e criticou a postura do Reino Unido e da Otan em maratona de entrevistas na imprensa.
A Entrevista de Donald Trump à Fox BusinessO presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concedeu uma extensa entrevista ao programa "Fox Business" da emissora Fox News nesta quarta-feira (15). Durante a conversa com os jornalistas, o líder norte-americano voltou a abordar os desdobramentos do intenso conflito armado no Oriente Médio. Trump detalhou as suas recentes manobras diplomáticas, falou novamente sobre a real possibilidade de novas negociações de paz com o regime iraniano e garantiu aos telespectadores que acredita firmemente que a guerra acabará "muito em breve". A declaração ocorre em um momento de extrema tensão e incerteza global.O Pedido Direto a Xi Jinping Sobre o Fornecimento de ArmasNa entrevista, Trump revelou detalhes inéditos sobre a sua comunicação direta com o governo da China. O presidente norte-americano explicou que trocou cartas recentemente com o presidente chinês, Xi Jinping, e revelou que fez um pedido expresso para que o líder asiático não fornecesse qualquer tipo de armamento ao Irã. A iniciativa diplomática ocorreu após Trump ver relatos "por toda parte" indicando que Pequim estaria fornecendo armas a Teerã. "Eu escrevi uma carta para ele pedindo que não fizesse isso. E ele me escreveu uma carta dizendo que, basicamente, não está fazendo isso", afirmou Trump. O presidente ainda acrescentou que Xi é "alguém com quem eu me dou muito bem" e confirmou que viajará a Pequim entre 14 e 15 de maio.A Perspectiva de Fim do Conflito e a Ameaça NuclearO mandatário americano também dedicou grande parte da entrevista para justificar a sua ofensiva militar, afirmando que a guerra está "muito perto de acabar". Segundo a visão do presidente, se ele não tivesse tomado a decisão de iniciar o conflito de forma enérgica, o cenário mundial seria catastrófico, pois "o Irã teria uma arma nuclear e vocês [jornalistas] estariam chamando todo mundo lá de senhor". Trump reforçou a sua estratégia militar ao declarar que não pretende aliviar a pressão atual. "Acho que a guerra no Irã acabará muito em breve. (...) Se eu recuasse agora, levaria 20 anos para eles reconstruírem aquele país, mas ainda não terminamos. Vamos ver o que acontece. Acho que eles querem muito fazer um acordo", pontuou o líder republicano.A Situação Atual do Tráfego no Estreito de OrmuzOutro ponto polêmico abordado pelo presidente dos Estados Unidos foi a situação logística e comercial da mais importante via marítima de escoamento de petróleo do mundo. Trump afirmou à Fox News que o Estreito de Ormuz "está aberto, com navios indo e vindo" de forma contínua. Essa declaração contrasta diretamente com a realidade de dois fortes bloqueios navais implementados na região, sendo um deles feito pelo próprio Irã há mais de um mês, e outro imposto diretamente pelo Exército dos EUA, que entrou em vigor exatamente nesta semana para asfixiar a economia do país inimigo.Críticas à Otan e o Interesse Estratégico na GroenlândiaO líder norte-americano aproveitou a plataforma da entrevista para disparar críticas contundentes contra os seus aliados tradicionais no Ocidente. Trump voltou a criticar duramente a atuação da Otan no cenário global atual, argumentando que os Estados Unidos estão sendo explorados financeiramente e que "não deveriam estar pagando trilhões de dólares" para sustentar a aliança militar europeia. Além das críticas financeiras, o presidente ressuscitou um antigo desejo geopolítico da sua gestão, afirmando que é preciso ter a posse territorial da Groenlândia "para proteger o mundo contra a Rússia e a China".A Recusa em Estender o Cessar-Fogo TemporárioEssa entrevista à Fox News foi apenas uma das muitas aparições midiáticas que Donald Trump realizou em um curtíssimo espaço de tempo. Apenas nas últimas 24 horas, o presidente americano conversou com diversos veículos de comunicação, delineando a sua rígida política externa. Na terça-feira, por exemplo, Trump disse à emissora "ABC News" que não está de forma alguma pensando em estender o cessar-fogo com o Irã, além de reiterar a sua tese principal de que a guerra está muito perto do seu fim definitivo.As Ameaças ao Acordo Comercial com o Reino UnidoA insatisfação de Trump não se limitou apenas à Otan e ao Irã. Também na terça-feira, em uma entrevista exclusiva concedida ao jornal britânico "Sky News", Trump disse estar profundamente insatisfeito com o Reino Unido pela postura adotada pelos aliados europeus durante a guerra no Oriente Médio. O presidente americano não hesitou e ameaçou fazer sérias mudanças no acordo de comércio bilateral entre as nações, justificando a sua irritação com a seguinte frase: "Quando pedimos ajuda a eles, eles não deram, e ainda não estão dando. (...) Dei a eles um bom acordo, mas que pode sempre ser alterado".A Expectativa de Uma Segunda Rodada de NegociaçõesPor fim, a maratona de entrevistas do líder americano começou no início da semana com uma forte sinalização para o campo diplomático. Em outra entrevista realizada na segunda-feira, Trump disse ao jornal "NY Post" que continua a acreditar firmemente que uma "2ª rodada" de negociações diretas de paz com as lideranças do Irã poderia ocorrer "nos próximos dias". Essa expectativa de um novo encontro ocorre mesmo após o fracasso das primeiras tratativas, mantendo viva a possibilidade de uma resolução diplomática paralela à intensa pressão militar que está sendo exercida.