RSF bombardeia hospital militar no Sudão e mata 22 pessoas, incluindo quatro médicos: R...
Segurança e Paz — África
Em 5 de fevereiro de 2026, um drone das RSF bombardeou o Hospital Militar de Al-Kuweik em South Kordofan, no Sudão, matando 22 pessoas — incluindo o diretor ...
Na tarde de quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026, um drone atribuído às Forças de Apoio Rápido — a força paramilitar liderada pelo general Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido como Hemedti, e que desde abril de 2023 travava uma guerra civil contra as Forças Armadas do Sudão (SAF) pelo controle do país — atingiu o Hospital Militar de Al-Kuweik, na cidade homônima no estado de South Kordofan, conforme confirmaram a Agência Anadolu, a Sudan Tribune e o New Arab. A Rede de Médicos do Sudão, em comunicado divulgado no mesmo dia, disse que "22 civis foram mortos, incluindo o diretor médico do Hospital Militar de Al-Kuweik e três outros membros da equipe médica, enquanto oito outros foram feridos como resultado do bombardeio da RSF ao hospital no estado de South Kordofan", conforme reproduziram a Agência Anadolu e a TRT World. O comunicado acrescentou que "o direcionamento de instalações de saúde e do pessoal médico constitui um crime de guerra e uma flagrante violação do direito internacional humanitário e das convenções que garantem a proteção de civis e de estabelecimentos médicos", conforme a Agência Anadolu.O ataque a Al-Kuweik não era um episódio isolado — era o mais mortífero de uma série que havia acelerado de ritmo nas semanas precedentes conforme a RSF tentava compensar, no Corredor Central, os reveses sofridos em Kordofan do Sul. Apenas dois dias antes, em 3 de fevereiro, um drone da RSF havia atingido o Centro de Saúde Al-Shartai, no bairro Hajar al-Nour da cidade de Kadugli — capital de South Kordofan —, matando oito civis, incluindo cinco crianças, e ferindo onze outros, conforme documentou a Rede de Médicos do Sudão e citou o Arab News. O ataque a Kadugli havia ocorrido horas depois de o exército sudanês romper o cerco de quase três anos à cidade — com o chefe das SAF, general Abdel Fattah Al-Burhan, transmitindo ao vivo pela televisão uma mensagem de congratulações ao povo de Kadugli —, numa demonstração, segundo analistas ouvidos pelo PBS NewsHour, de que a RSF utilizava ataques a infraestrutura civil como resposta tática aos avanços militares das SAF. Em El Obeid, capital de North Kordofan, drones e artilharia da RSF haviam bombardeado o hospital das Forças Armadas, matando quatro pacientes e ferindo mais de sessenta — episódio que o PBS NewsHour documentou com base em testemunhos de médicos e moradores.O padrão sistêmico denunciado pela Rede de Médicos do Sudão era corroborado pelos dados de organizações internacionais presentes no país. A Organização Mundial da Saúde havia documentado a morte de mais de 1.600 pessoas em ataques a infraestrutura de saúde no Sudão somente em 2025 — e o total acumulado desde o início do conflito em abril de 2023 havia chegado, em fevereiro de 2026, a pelo menos 198 ataques verificados e mais de 1.735 trabalhadores de saúde e pacientes mortos, conforme o Arab News compilou com base em dados do Sistema de Monitoramento de Ataques à Saúde (SSA) da OMS. Em South Kordofan, a maioria dos cinco hospitais governamentais e dos dez centros de saúde pública de Kadugli operava a no máximo metade da capacidade, enquanto vários outros haviam sido completamente fechados por causa do combate, escassez de pessoal e falta de suprimentos, incluindo bolsas de sangue, conforme o Arab News. Jan Egeland, secretário-geral do Conselho Norueguês de Refugiados — que havia visitado South Kordofan no início de fevereiro —, descreveu a situação como "o pior conflito dentro da pior crise humanitária do mundo hoje", conforme o Arab News citou com base em postagem de Egeland no X. "Dezenas de milhares fugiram da fome e dos bombardeios na cidade principal de Kadugli, onde um bloqueio armado nos impede de levar ajuda à população faminta", escreveu Egeland em 1º de fevereiro, conforme citado pelo Arab News.A guerra civil no Sudão entrava em seu 22º mês com dimensões humanitárias que rivalizam com qualquer outro conflito ativo no planeta. A ONU estimava que o conflito havia deslocado 14 milhões de pessoas internamente — o maior contingente de deslocados internos do mundo —, e matado aproximadamente 40 mil em combates e violência direta, não contando as mortes indiretas por fome e doenças, conforme o PBS NewsHour documentou com base em dados da ONU. O IPC (Classificação Integrada de Fases de Segurança Alimentar) havia alertado nessa semana que a fome estava se espalhando para mais partes de Darfur, com mais da metade das crianças menores de cinco anos em Darfur do Norte sofrendo de desnutrição aguda, conforme o PBS NewsHour. O relatório do IPC alertava que a intensificação do conflito no Grande Corredor de Kordofan estava "impulsionando uma rápida deterioração da segurança alimentar", com mais pessoas enfrentando fome extrema, desnutrição aguda e mortes relacionadas à fome, conforme o PBS NewsHour. O Sudão havia sido, desde o início de 2024, consistentemente classificado pela ONU como a maior crise humanitária do mundo — posição que se consolidava em fevereiro de 2026, enquanto a atenção internacional permanecia distraída pela guerra na Ucrânia, pelo conflito em Gaza e pela crise na Venezuela.