Michelle Bachelet retira candidatura ao cargo de Secretária-Geral da ONU
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A ex-presidente chilena era apoiada pelo Brasil, que emitiu lamentou a desistência da candidata
Anúncio oficial da desistênciaA ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, comunicou neste 19 de setembro de 2026 a retirada de sua candidatura ao cargo de Secretária-Geral das Nações Unidas (ONU). O movimento encerra sua participação no pleito para definir o sucessor da chefia da organização, cujo mandato inicia em 1º de janeiro de 2027. O desfecho da candidatura, que anteriormente contava com a expectativa de diversos setores diplomáticos e era apoiada pelo Brasil, foi comunicado após a análise da ex-presidente sobre a viabilidade de sua postulação no atual cenário político internacional.O processo de seleção e a disputa globalO trâmite de escolha da nova chefia segue o Artigo 97 da Carta das Nações Unidas e a Resolução 79/327, adotada em 5 de setembro de 2025. Para ser recomendado à Assembleia Geral, o candidato precisa de nove votos favoráveis do Conselho de Segurança da ONU, sem o veto dos cinco membros permanentes. O pleito atual reflete uma intensa disputa regional, com a América Latina e o Caribe reivindicando a vaga devido ao extenso hiato desde a última liderança da região, ocorrida em 1991, enquanto o continente africano também busca protagonismo por meio da candidatura de Macky Sall.Contexto da candidatura e declínio nas votaçõesMichelle Bachelet entrou na disputa amparada por sua trajetória como ex-chefe de Estado e como Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Sua candidatura foi impulsionada pelo governo do ex-presidente Gabriel Boric, e apoiada por países como Brasil e México visando renovar o destaque para a América Latina, que teve apenas um representante no cargo na história, o peruano Javier Pérez de Cuellar. Contudo, o atual presidente chileno, José Antonio Kast, retirou o respaldo à candidatura de Bachelet em março de 2026, pouco após assumir o cargo, alegando que as chances de sucesso eram muito baixas. Agora, a desistência de Bachelet ocorreu após a divulgação da terceira consulta informal do Conselho de Segurança, realizada na sexta-feira, na qual a ex-presidente do Chile recebeu apenas um voto de encorajamento, onze de desencorajamento e três de nenhuma opinião, contrastando com os seis votos de encorajamento em julho.Posicionamento do Brasil e panorama da sucessãoO governo brasileiro manifestou-se por meio de nota à imprensa do Ministério das Relações Exteriores, lamentando a desistência de Bachelet e destacando o valor de sua dedicação à causa internacional. O Brasil também reafirmou o compromisso com a Carta das Nações Unidas e com a preservação do multilateralismo, sem indicar, até o momento, a transferência imediata de apoio a outro nome. A consulta recente do Conselho de Segurança posicionou a costa-riquenha Rebeca Grynspan, atual chefe da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), na liderança da disputa com nove votos de encorajamento, seguida de perto pela representante da Guiana, Carolyn Rodrigues-Birkett, com oito. O processo sucessório segue em curso, com os Estados-membros avaliando os perfis remanescentes para assumir o desafio de conduzir a ONU em um cenário de crescentes desafios diplomáticos e urgências estruturais.