Netanyahu anuncia viagem a Washington para encontro com Trump em meio a tensões com Irã...
Segurança e Paz — Oriente Médio
Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu viajará a Washington na próxima semana para encontro com o presidente Donald Trump. A reunião abordará as ten...
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou neste sábado, 7 de fevereiro, que viajará a Washington na próxima semana para um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o objetivo de discutir o agravamento das tensões com o Irã e o impasse nas negociações sobre a segunda fase do cessar-fogo na Faixa de Gaza. Segundo comunicado oficial divulgado pelo gabinete do primeiro-ministro israelense, a reunião estava originalmente agendada para ocorrer entre 18 e 22 de fevereiro, mas foi antecipada diante da escalada de tensões regionais e da iminência de uma nova rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano.O encontro ocorrerá em um momento crítico para a geopolítica do Oriente Médio. Os Estados Unidos e a República Islâmica se preparam para a segunda rodada de negociações mediadas por Omã, que incluirão, entre outros temas, o programa nuclear iraniano e suas ambições regionais. O gabinete de Netanyahu afirmou que "o primeiro-ministro acredita que quaisquer negociações devem incluir restrições aos mísseis balísticos e o fim do apoio ao eixo iraniano", numa referência direta à rede de grupos aliados e representantes do Irã na região, que inclui o Hezbollah no Líbano, os Houthis no Iêmen, as milícias xiitas do Iraque, além da Jihad Islâmica Palestina e o Hamas.A declaração de Netanyahu reflete a crescente preocupação de Israel com os desdobramentos das negociações entre Washington e Teerã, especialmente após o recente anúncio de que o presidente Donald Trump estaria disposto a flexibilizar algumas sanções em troca de concessões limitadas do regime iraniano. Analistas ouvidos pela imprensa internacional avaliam que a visita do primeiro-ministro israelense a Washington tem como objetivo pressionar a administração americana a manter uma postura mais dura nas negociações, garantindo que quaisquer acordos incluam não apenas o programa nuclear, mas também o programa de mísseis balísticos e o apoio iraniano a grupos considerados terroristas por Israel e pelos Estados Unidos.Paralelamente à questão iraniana, Netanyahu também deve abordar com Trump os obstáculos enfrentados na implementação da segunda fase do acordo de cessar-fogo em Gaza. O plano, anunciado pelo presidente americano em janeiro, prevê a desmilitarização do Hamas e o estabelecimento de uma administração palestina tecnocrata no enclave, mas enfrenta resistência tanto de setores do governo israelense quanto de facções palestinas. Fontes diplomáticas citadas pela agência Reuters indicam que as negociações sobre a segunda fase estão estagnadas, com divergências sobre a composição do comitê tecnocrático que administraria o território e sobre o cronograma para a retirada das forças israelenses.A visita de Netanyahu a Washington ocorre num momento em que o governo Trump intensifica sua pressão sobre o Irã em múltiplas frentes. Na última semana, o presidente americano autorizou novas sanções contra indivíduos e entidades ligados à Guarda Revolucionária Islâmica e ameaçou responder "com força máxima" a qualquer ataque contra forças americanas na região. Paralelamente, os Estados Unidos têm conduzido negociações secretas com mediadores regionais para tentar viabilizar um novo acordo nuclear que substitua o Joint Comprehensive Plan of Action (JCPOA), do qual Trump retirou os EUA em 2018.Analistas do International Crisis Group alertam que a combinação entre a pressão máxima de Trump e as negociações em curso cria uma situação volátil, na qual o Irã pode sentir-se tentado a realizar ações provocativas para fortalecer sua posição negociadora, enquanto Israel pode optar por ataques preventivos contra instalações nucleares iranianas caso avalie que as negociações não estão avançando na direção desejada. O encontro entre Netanyahu e Trump será crucial para alinhar as posições dos dois aliados e definir os limites da tolerância americana em relação às ambições nucleares de Teerã.O primeiro-ministro israelense também deve aproveitar a visita para discutir com Trump a situação na Cisjordânia, onde a violência entre forças israelenses e militantes palestinos tem se intensificado nas últimas semanas. De acordo com dados da ONU, mais de 50 palestinos foram mortos em janeiro em confrontos com tropas israelenses e em ataques de colonos, o maior número mensal desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023. A relatora especial da ONU, Francesca Albanese, classificou o plano do governo Trump para Gaza como "o oposto" de uma solução de paz, argumentando que se trata da continuidade de uma "limpeza étnica" sob um novo disfarce diplomático.Em meio a essas tensões, a população palestina permanece em compasso de espera. Moradores de Gaza relatam que, embora o cessar-fogo tenha reduzido significativamente os bombardeios israelenses, as tropas continuam presentes em áreas estratégicas do enclave e os ataques pontuais persistem. Na Cisjordânia, milhares de palestinos continuam arriscando suas vidas diariamente ao cruzar ilegalmente o muro de separação para buscar trabalho em Israel e em Jerusalém Oriental, numa demonstração do profundo desespero econômico que assola os territórios ocupados.A reunião entre Netanyahu e Trump, marcada para quarta-feira, 11 de fevereiro, será acompanhada de perto por capitais de todo o mundo. O desfecho do encontro poderá determinar os rumos não apenas das negociações com o Irã, mas também do frágil cessar-fogo em Gaza e das perspectivas de uma solução mais ampla para o conflito israelo-palestino. Enquanto isso, na ausência de avanços concretos, a região permanece à beira de uma nova escalada, com todos os atores envolvidos calculando cuidadosamente seus próximos movimentos.