Comissão Europeia ilumina sede com cores da Ucrânia e anuncia visita a Kyiv

Integração Regional — Europa

Na véspera do 4º aniversário da invasão, Comissão Europeia iluminou sua sede e anunciou visita de von der Leyen e Costa a Kyiv e com reunião da Coalizão dos ...

A alta representante da União Europeia para Política Externa, Kaja Kallas, içou nesta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, a bandeira ucraniana ao lado da bandeira europeia em frente à sede do Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE) em Bruxelas — pela primeira vez na história da instituição —, num gesto simbólico que a própria Kallas descreveu como expressão da convicção de que "o futuro da Ucrânia está dentro da UE." Simultaneamente, a Comissão Europeia iluminou sua sede nas cores azul e amarela da Ucrânia e o Parlamento Europeu hasteou bandeiras ucranianas em seus três edifícios em Bruxelas, Estrasburgo e Luxemburgo, num conjunto de atos coordenados que marcavam o início das cerimônias de homenagem às vésperas do quarto aniversário da invasão total russa, celebrado em 24 de fevereiro.A cerimônia do hasteamento da bandeira ucraniana no SEAE foi o momento mais carregado de simbolismo diplomático do dia. Kallas, ao proferir as palavras que acompanharam o gesto, lembrou que "a Ucrânia está pagando um preço alto pela fatal miscalculação da Rússia", e que "Moscou falhou em alcançar qualquer um de seus objetivos estratégicos." Em seguida, em linha com o tom que havia mantido ao longo da Conferência de Segurança de Munique, afirmou que "as forças militares russas estão atoladas, sua economia está em declínio rápido, e os ucranianos estão resistindo e se mantendo firmes." A frase condensava a narrativa europeia de quatro anos de conflito: a Rússia havia fracassado estrategicamente, mas o custo humano e material para a Ucrânia era imenso.Em comunicado publicado neste mesmo 23 de fevereiro, a Comissão Europeia anunciou que sua presidente, Ursula von der Leyen, viajaria a Kyiv no dia seguinte, 24 de fevereiro — marcando sua décima visita à capital ucraniana desde o início da guerra —, acompanhada do presidente do Conselho Europeu, António Costa, em sua quarta visita à Ucrânia desde o início de seu mandato em dezembro de 2024. Junto às duas altas autoridades europeias, viajavam os comissários para Energia e Habitação (Dan Jørgensen), Defesa e Espaço (Andrius Kubilius) e Alargamento (Marta Kos) — uma composição que refletia os três eixos centrais do apoio europeu à Ucrânia: energia, defesa e perspectiva de adesão à UE.O comunicado da Comissão informava que von der Leyen anunciaria em Kyiv, no dia 24, o início dos trabalhos de um novo Plano de Energia para o Inverno 2026-2027, denominado "Reparar, Reconstruir, Reiniciar" (Repair, Rebuild, Restart). O pacote visava cinco objetivos interligados: estabilizar o sistema energético ucraniano; garantir o fluxo de eletricidade; acelerar a produção de energia renovável descentralizada; reparar as redes de distribuição danificadas pelos ataques russos; e reiniciar usinas de geração avariadas. O contexto era urgente: os ataques russos de 23 de fevereiro haviam novamente causado apagões em múltiplas regiões ucranianas, e o inverno europeu ainda não havia terminado.A visita a Kyiv prevista para 24 de fevereiro também coincidiria com uma reunião da "Coalizão dos Dispostos" (Coalition of the Willing) — uma coalizão de 35 países, além da Ucrânia, que se comprometeram com apoio reforçado a Kiev e discutiam o eventual envio de contingentes militares como garantidores de um possível cessar-fogo. A reunião, convocada pelos presidentes Macron e Starmer em coordenação com a presidência ucraniana, tinha como objetivo reafirmar os compromissos de segurança europeus com a Ucrânia — especialmente num momento em que o compromisso americano estava sendo questionado pela postura mais ambígua da administração Trump.Os dados financeiros divulgados pelo comunicado eram impressionantes: desde o início da guerra em 2022, a UE e seus Estados-membros haviam fornecido 193,3 bilhões de euros em apoio à Ucrânia, dos quais 70 bilhões em suporte militar. Além disso, estava em preparação um empréstimo de 90 bilhões de euros para cobrir as necessidades militares e financeiras ucranianas para 2026 e 2027 — ainda que a Hungria, como reportado na semana anterior, ameaçasse vetar o instrumento. Von der Leyen, ao ser questionada sobre o veto húngaro, declarou que o empréstimo aconteceria "de uma forma ou de outra", citando "diferentes opções" à disposição do bloco para contornar o bloqueio.Para o Brasil, os eventos de 23 de fevereiro em Bruxelas tinham importância simbólica e política. A decisão da UE de içar a bandeira ucraniana em instituições europeias pela primeira vez era um sinal de aprofundamento do vínculo entre a UE e a Ucrânia — um vínculo que se tornava progressivamente irreversível com o início do processo de adesão ucraniana à UE, aprovado formalmente em 2023. O governo Lula acompanhava os movimentos europeus em relação à Ucrânia com atenção particular, pois qualquer expansão da UE afeta as relações comerciais e a arquitetura de acordos de parceria que incluem o Brasil e o Mercosul.