IRGC Realiza Manobras no Estreito de Ormuz
Segurança e Paz — Oriente Médio
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã lança exercício "Controle Inteligente do Estreito de Ormuz" com tiros reais, drones e mísseis de precisão; manobra é ...
A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irã lançou nesta segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026, um exercício militar naval de longa escala no Estreito de Ormuz, sob a denominação "Controle Inteligente do Estreito de Ormuz", com tiros reais de mísseis, drones de ataque e reconhecimento, e simulações de "resposta rápida" a ameaças marítimas, numa manobra supervisionada pessoalmente pelo comandante-mor do IRGC, Major-General Mohammad Pakpour. O exercício — que ocorreu precisamente na véspera da segunda rodada de negociações nucleares indiretas entre o Irã e os EUA em Genebra — foi amplamente interpretado como uma demonstração de força destinada a elevar o custo percebido de qualquer ataque americano e a reforçar a posição de barganha iraniana nas negociações.As agências semi-oficiais Tasnim e IRNA, ligadas ao IRGC, descreveram o exercício como um teste combinado e ao vivo das unidades navais da Guarda Revolucionária, com foco em três objetivos principais: avaliar a prontidão operacional das unidades; revisar planos de segurança e cenários de "resposta recíproca" do IRGC a ameaças potenciais na região do Estreito de Ormuz; e "utilizar de forma inteligente as vantagens geopolíticas da República Islâmica no Golfo Pérsico e no Mar de Omã." O termo "Controle Inteligente" no nome do exercício apontava para o uso de drones, guerra eletrônica e mísseis de precisão, refletindo a mudança estratégica do Irã para a guerra assimétrica baseada em plataformas de menor custo e maior autonomia.Durante o exercício, unidades de navios lança-mísseis de ataque rápido realizaram combate com mísseis, e misseis foram lançados de dentro do Irã e de suas costas e ilhas no Golfo Pérsico atingindo alvos no Estreito de Ormuz, segundo relatou a agência Tasnim. Unidades de drones realizaram operações em áreas de jamming de sinal, utilizando drones de ataque e reconhecimento que "acertaram com precisão alvos fixos e móveis". O exercício também incorporou as "últimas táticas e armas introduzidas na Marinha do IRGC", incluindo os mísseis antiaéreos Sayyad-3G testados durante as manobras, segundo reportagem do Middle East Monitor.O comandante da Marinha do IRGC, Contra-Almirante Alireza Tangsiri, declarou nesta segunda-feira que Teerã exercia "comando completo" sobre o Estreito de Ormuz "seja acima da superfície, sub-superfície ou no ar", e afirmou que o IRGC buscava garantir que o canal permanecesse "disponível e seguro para todos os povos do mundo que têm interesses no Golfo Pérsico e são não agressores." A declaração foi lida como um sinal de dupla leitura: ao mesmo tempo uma ameaça implícita de fechamento em caso de ataque e uma tentativa de apresentar o Irã como guardião legítimo do canal — e não como disruptor.A relevância estratégica do Estreito de Ormuz para a economia global é extraordinária. O canal, com aproximadamente 33 quilômetros no ponto mais estreito, entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, é a única saída marítima dos principais exportadores de petróleo do Golfo, incluindo Arábia Saudita, Iraque, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Catar e o próprio Irã. Segundo dados citados por múltiplos veículos, cerca de 20% do petróleo mundial e 17% do gás natural liquefeito (GNL) global transitam pelo estreito. Um fechamento temporário elevaria os preços globais de petróleo de forma imediata e agressiva, com impactos em cascata sobre inflação, transporte e custos industriais em todo o mundo.A Marinha americana, através do Comando Central americano (CENTCOM), havia declarado anteriormente que o Irã tinha "o direito de operar profissionalmente em espaço aéreo e águas internacionais", mas advertira contra qualquer interferência ou ameaça a navios de guerra americanos ou a embarcações comerciais em trânsito. A movimentação das forças navais do IRGC no estreito ocorreu num contexto em que o Pentágono havia completado o envio de um segundo grupo de ataque encabeçado pelo porta-aviões USS Gerald R. Ford para o Oriente Médio, com pelo menos 163 voos de carga C-17 e C-5 tendo transportado equipamentos das bases americanas nos EUA e no Japão para o Oriente Médio via Europa nos dias anteriores ao exercício.No mesmo dia em que o IRGC realizava o exercício no Estreito de Ormuz, o chanceler Araghchi se reunia em Genebra com Grossi da AIEA e com o mediador omanita Badr al-Busaidi, preparando a delegação iraniana para as negociações de terça-feira. A simultaneidade das manobras militares com os preparativos diplomáticos era amplamente interpretada como a encarnação viva da estratégia iraniana de "resistência ativa": manter negociações abertas enquanto demonstrava que o custo de qualquer ruptura seria inaceitavelmente alto para os EUA e seus aliados no Golfo. Países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar — que hospedam bases militares americanas e cujas economias dependem do fluxo livre pelo Estreito de Ormuz — apelavam publicamente por resolução diplomática, conscientes de que seriam as primeiras vítimas de qualquer escalada.