Relatório da OIT registra menor taxa de desemprego na América Latina em dez anos

Direitos Humanos — América Latina

Avanço do emprego formal reduz a informalidade regional para 47,4%, enquanto o Brasil mantém indicadores de desocupação abaixo da média continental.

Panorama do mercado de trabalho regional A Organização das Nações Unidas (ONU) reportou, nesta sexta-feira, 31 de julho, acerca do novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que detalha que a taxa de desocupação na América Latina e no Caribe atingiu 5,3% ao final do último ciclo anual. Esse índice representa o menor patamar registrado na região nos últimos dez anos, impulsionado pela expansão sólida da criação de postos de trabalho formais ao longo de 2025 e início de 2026. O documento, intitulado "Tendências do Mercado de Trabalho na América Latina e no Caribe", aponta que a taxa de emprego regional subiu de 59,7% para 59,9%, refletindo uma recuperação econômica que favorece a estabilidade contratual. Embora os números gerais sejam positivos, a agência alerta que a transição demográfica regional começa a alterar a dinâmica do emprego de forma silenciosa.A Organização Internacional do TrabalhoFundada em 1919 e consolidada como a primeira agência especializada da ONU, a OIT possui o mandato de promover a justiça social e o trabalho decente mundialmente. A instituição diferencia-se por sua estrutura tripartite, a qual reúne representantes de governos, organizações de empregadores e sindicatos de trabalhadores para a formulação de normas e políticas laborais. Os objetivos centrais da organização incluem a promoção dos direitos no trabalho, o incentivo a oportunidades de emprego dignas para homens e mulheres, o fortalecimento da proteção social e o fomento ao diálogo sobre questões relacionadas ao mundo do trabalho. No contexto latino-americano, a OIT atua como um observador técnico essencial, provendo dados que auxiliam os Estados na implementação de reformas que equilibrem a competitividade econômica e a proteção dos direitos humanos fundamentais. O trabalho da agência busca garantir que o desenvolvimento econômico seja inclusivo e que as transformações tecnológicas não aprofundem as desigualdades existentes entre as nações.Indicadores estatísticos e a redução da informalidadeO desempenho estatístico de 2025 demonstra que a informalidade laboral seguiu uma tendência de queda, atingindo o nível de 47,4%, o menor percentual observado pela OIT desde 2019. Essa redução de 0,9 ponto percentual em relação ao ano anterior foi impulsionada, primordialmente, pela transição de trabalhadores para o setor formal da economia. No Brasil, os indicadores apresentam-se ainda mais favoráveis do que a média regional, com uma taxa de informalidade fixada em 35,6% e um desemprego de 7,0% no primeiro trimestre do período analisado. Em contraste, a disparidade entre os países vizinhos permanece acentuada, com o Uruguai registrando apenas 22,4% de informalidade, enquanto a Bolívia enfrenta o desafio de ter 82,2% de sua força de trabalho em condições informais. Tais números revelam que, embora a tendência regional seja de melhora, a heterogeneidade das economias nacionais exige estratégias de integração e cooperação técnica específicas para cada realidade produtiva.Disparidades de gênero e os obstáculos estruturais para a juventudeApesar do crescimento quantitativo das vagas, o relatório da OIT ressalta que persistem barreiras significativas que afetam desproporcionalmente as mulheres e os jovens na região. As mulheres ainda enfrentam taxas de desocupação de 6,3%, comparadas aos 4,4% registrados entre os homens, desigualdade que se conecta diretamente à distribuição desigual das responsabilidades de cuidado doméstico. No segmento juvenil, compreendido entre as idades de 15 a 24 anos, o desemprego atinge o patamar de 11,3%, índice muito superior aos 4,1% verificados entre adultos com mais de 25 anos. A rápida transformação tecnológica impõe desafios adicionais para os jovens que tentam realizar a transição do sistema educacional para o primeiro emprego de qualidade. A ausência de políticas específicas para esses grupos pode comprometer o aproveitamento do bônus demográfico e limitar o potencial de crescimento econômico sustentável da América Latina no longo prazo.Políticas de produtividade e as perspectivas para o restante de 2026Para consolidar os ganhos registrados e enfrentar a incerteza do contexto global, a OIT recomenda que os governos priorizem políticas integradas que unam produtividade e formalização. O relatório sugere que a formalização não deve ser buscada apenas por meio da fiscalização, mas sim pela facilitação do acesso a financiamento, tecnologia e capacitação técnica para micro e pequenas empresas. Dados preliminares referentes ao mês de julho de 2026 indicam que o emprego continua crescendo em diversos países da região, mantendo a estabilidade nos índices de desocupação apesar da volatilidade dos mercados externos. As respostas governamentais devem ser adaptadas às capacidades de cada grupo empresarial para garantir que a proteção social alcance todos os trabalhadores. A pergunta que permanece é como manter esse ritmo de crescimento da formalidade diante de um cenário global marcado por incertezas geopolíticas e das transformações estruturais da economia digital.