Missão da ONU identifica indícios de crimes de guerra em ataques dos EUA ao Irã

Segurança e Paz — Oriente Médio

Relatório aponta bombardeios contra escolas e alvos civis em território iraniano

Indícios de crimes de guerra em ataques dos EUAA Missão Internacional Independente de Averiguação de Fatos da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou, em seu relatório publicado nesta quinta-feira, que existem fundamentos razoáveis para acreditar que forças militares dos Estados Unidos cometeram crimes de guerra durante operações realizadas no Irã. Os investigadores relataram violações graves do direito internacional humanitário, destacando que os ataques, ocorridos em fevereiro de 2026, não respeitaram o princípio de distinção entre alvos militares e a população civil. O documento oficial, apresentado em Genebra, marca severa tensão diplomática e coloca as ações norte-americanas sob escrutínio da comunidade internacional.Os ataques a alvos civisO relatório aponta bombardeios diretos contra infraestruturas identificadas inequivocamente como civis. Entre os incidentes mais graves, destaca-se o ataque aéreo à Escola Primária Shajareh Tayyebeh, na cidade de Minab, que causou a morte de mais de 150 pessoas, majoritariamente crianças, e o uso de munição de tungstênio contra um complexo esportivo em Lamerd. Os investigadores sublinharam que as instalações possuíam sinalizações claras de uso educativo e civil, as quais foram ignoradas ou negligenciadas pelas forças de comando dos Estados Unidos. A missão ressaltou a falha sistemática na verificação de alvos, o que configuraria uma violação flagrante da proteção conferida a civis em zonas de conflito.A posição oficial do governo dos Estados UnidosO governo norte-americano, sob a administração de Donald Trump, rejeitou as conclusões da missão da ONU e negou a intenção de atingir instalações escolares. Em nota emitida pelo Pentágono, Washington defendeu a legitimidade das operações, alegando que os alvos eram, na realidade, instalações de suporte para atividades militares iranianas, embora os detalhes sobre a inteligência utilizada permaneçam sob sigilo. Autoridades dos Estados Unidos argumentaram que os danos colaterais são uma consequência inerente de confrontos contra adversários que utilizam táticas de ocultação em áreas povoadas, mantendo a postura de que suas ações estão alinhadas com as normas de defesa nacional e combate a ameaças externas.Dever de reparação e pressão diplomáticaO documento da ONU estende as denúncias ao incluir crimes contra a humanidade atribuídos ao governo iraniano na repressão interna, consolidando um cenário de múltiplas violações de direitos fundamentais. A organização reiterou que a reparação integral às vítimas é um dever inegociável, exigindo que os perpetradores de ambos os lados sejam responsabilizados conforme os tratados internacionais. Antonio Guterres, secretário-geral da ONU, defendeu um cessar-fogo imediato e exortou todas as partes a permitirem investigações independentes e imparciais sobre os eventos registrados. O relatório atua agora como um documento de pressão diplomática em Genebra, forçando os países-membros a debaterem a eficácia dos mecanismos de proteção civil e a necessidade de interromper o ciclo de hostilidades que desestabiliza a segurança global.