Coreia do Norte realiza novos testes de mísseis após ameaças de retaliação

Segurança e Paz — Ásia e Oceania

Pyongyang ignora resolução da AIEA, intensificando testes balísticos em resposta a exercícios militares regionais.

Os novos testes balísticosO exército da Coreia do Norte lançou dois mísseis balísticos de curto alcance no domingo, 20 de setembro de 2026, em direção às águas situadas a leste do país. O comando militar da Coreia do Sul confirmou a trajetória dos projéteis, enquanto o Ministério da Defesa do Japão realizou o rastreamento técnico dos equipamentos, descartando, em um primeiro momento, a queda de destroços dentro de seu espaço marítimo soberano. Este episódio marca a continuidade de uma série de demonstrações de força iniciadas nos últimos dias, que visam o aprimoramento das capacidades bélicas norte-coreanas e a resposta direta ao que Pyongyang identifica como provocações militares na região.As tensões regionais e a resolução da AIEAO episódio reflete o descontentamento de Pyongyang com o ambiente de segurança atual na Ásia-Pacífico. Poucos dias antes dos disparos, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aprovou uma resolução contestando o programa nuclear norte-coreano, documento que foi prontamente rechaçado por um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Norte. O governo norte-coreano classificou como fúteis as expectativas externas pela desnuclearização do território e reafirmou seu status como potência nuclear, condição que o país define como irreversível e protegida por sua legislação interna. Kim Yo Jong também criticou o exercício anual do Pacific Vanguard, atividade militar conjunta entre Estados Unidos, Coreia do Sul, Japão, Austrália, Nova Zelândia e Canadá que ocorre desde 2019 nas proximidades de Guam. Essa retórica alinha-se ao propósito estratégico de Pyongyang em confrontar a presença militar norte-americana e fortalecer sua dissuasão nuclear.Dados técnicos e reações das potências vizinhasO primeiro míssil disparado pela Coreia do Norte percorreu uma extensão de 450 km, enquanto o segundo atingiu um alcance superior a 600 km, demonstrando avanços na precisão e na capacidade de voo desses dispositivos. O gabinete presidencial da Coreia do Sul emitiu uma nota oficial condenando os testes, classificando-os como violações diretas das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas que proíbem o desenvolvimento de tecnologia balística pelo regime norte-coreano. As autoridades de Seul afirmaram prontidão militar para responder a eventuais ataques, apoiados pela aliança de defesa firmada com os Estados Unidos, enquanto Tóquio também expressou preocupação com a recorrência dessas atividades. O governo norte-coreano, por sua vez, sustenta que o ritmo de seus testes é necessário para desenvolver táticas capazes de garantir a soberania do Estado contra forças que considera hostis.Implicações diplomáticasAs perspectivas de uma retomada célere nas negociações entre Washington e Pyongyang permanecem limitadas e cercadas de incertezas. Embora o presidente sul-coreano Lee Jae Myung defenda a abertura de um canal de diálogo como ponto de partida para a paz na Península Coreana, a expansão do arsenal nuclear norte-coreano e o aprofundamento das relações de Kim Jong Un com Rússia e China alteram os cálculos geopolíticos regionais. O cenário atual sugere que a Coreia do Norte acredita possuir maior alavancagem para negociações futuras caso o governo norte-americano abandone o que define como política hostil e reconheça, na prática, o estatuto nuclear da nação. Diante desse quadro, a diplomacia torna-se refém de exibições de força bélica, exigindo um monitoramento rigoroso e coordenação multilateral para evitar falhas de comunicação ou escaladas não controladas.