Negociações indiretas entre EUA e Irã em Genebra avançam em "progresso significativo

Segurança e Paz — Oriente Médio

Araghchi descreve as negociações de 26 de fevereiro como "as mais intensas e sérias"; WSJ revela demandas americanas de destruição de Fordow, Natanz e Isfaha...

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou nesta sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026, que a terceira rodada de negociações nucleares indiretas entre o Irã e os Estados Unidos, realizada na véspera em Genebra sob mediação do Sultanato de Omã, havia sido "a mais séria e a mais longa" de todo o processo de negociações em curso desde fevereiro de 2026, e que as partes haviam conseguido "identificar os elementos principais de um possível acordo" — embora diferenças significativas permanecessem, e nenhum entendimento formal tivesse sido firmado. A declaração foi feita à televisão estatal iraniana Press TV e repercutida por agências internacionais, incluindo Reuters, NBC News e CNBC."A mais intensa até agora" — foram as palavras que Araghchi usou para descrever as negociações de 26 de fevereiro em Genebra. Ele acrescentou que ambos os lados haviam demonstrado "abertura sem precedentes a ideias e soluções novas e criativas", e que as equipes técnicas das duas partes estavam sendo convocadas para discutir os aspectos técnicos de um possível acordo em reuniões em Viena, na sede da AIEA, na semana seguinte.O chanceler iraniano disse que as partes conseguiram "identificar os elementos principais de um possível acordo e discutir esses elementos". "Claro, ainda existem diferenças, mas na maioria dos casos chegamos ao menos a uma compreensão geral de como resolver essas questões", afirmou. Com base nesse progresso, Araghchi disse que as partes concordaram em designar suas equipes técnicas para se reunir em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica, para trabalhar nos aspectos técnicos do potencial acordo.As negociações entre os enviados de Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, e o chanceler iraniano Araghchi duraram várias horas, em uma sessão matutina e uma sessão vespertina. O lado americano ficou "desapontado" com as posições iranianas durante a sessão da manhã, segundo uma fonte familiarizada com as conversas. Mas o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr al-Busaidi, que mediou as conversas, disse após a sessão matutina que elas haviam mostrado "progresso significativo". Araghchi também disse que ambos os lados haviam demonstrado "clara seriedade" para chegar a um acordo. Ambos indicaram que as próximas etapas seriam consultas em Washington e Teerã, seguidas de discussões técnicas entre especialistas nucleares em Viena na semana seguinte.Enquanto as delegações se reuniam, a televisão estatal iraniana reportou que Teerã estava determinada a continuar enriquecendo urânio, rejeitava propostas de transferi-lo para o exterior e buscava o levantamento das sanções internacionais — indicando que não estava preparada para atender às principais demandas americanas.O Wall Street Journal reportou que os EUA apresentaram demandas duras para os iranianos, incluindo que destruíssem os três principais sítios nucleares de Fordow, Natanz e Isfahan, e entregassem todo o urânio enriquecido remanescente aos EUA. Funcionários iranianos se opuseram a essas demandas. A equipe americana também exigiu que qualquer acordo nuclear fosse eterno e não tivesse as chamadas cláusulas de expiração (sunset clauses).A revelação do WSJ era de alto impacto estratégico. As demandas americanas eram substancialmente mais ambiciosas do que os termos do JCPOA de 2015 — que havia preservado as instalações de enriquecimento iranianas e estabelecido limites temporários com cláusulas de expiração. A exigência de destruição das três instalações nucleares principais — Fordow, Natanz e Isfahan —, combinada com a entrega do urânio enriquecido diretamente aos EUA (e não a um terceiro país, como havia sido acordado no JCPOA), sinalizava que Washington não estava buscando uma revisão do acordo de 2015, mas um recuo nuclear iraniano muito mais radical.O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, também participou das conversas em Genebra, dada a importância do papel da agência em qualquer sistema de monitoramento e verificação num eventual acordo. O conselho de governadores da AIEA realizaria várias reuniões a partir de 6 de março — prazo de 10 a 15 dias que o próprio Trump havia sinalizado como janela para o Irã chegar a um acordo antes de ações mais drásticas.O presidente iraniano Masoud Pezeshkian adotou tom desafiador: "Podem me eliminar, eliminar qualquer um. Se nos atacarem, surgirão outros cem como nós para governar o país." A frase revelava que o governo iraniano havia processado a ameaça de decapitação do regime e buscava demonstrar que o Estado islâmico sobreviveria a qualquer ação militar americana.No dia 27 de fevereiro — a véspera do início da Operação Epic Fury —, o USS Gerald R. Ford, segundo porta-aviões americano no Oriente Médio, havia deixado a baía de Souda, na ilha de Creta, em direção às costas de Israel, completando o maior desdobramento naval americano na região desde a invasão do Iraque em 2003. O USS Gerald R. Ford tinha partido de Souda Bay, na ilha de Creta, em 26 de fevereiro de 2026, em direção às costas de Israel, liderando um segundo grupo de ataque de porta-aviões a assumir posições contra o Irã.Para o Brasil, os resultados das negociações de Genebra de 26 de fevereiro — divulgados amplamente em 27 de fevereiro — eram de relevância estratégica imediata. O Itamaraty havia acompanhado cada rodada de negociações com atenção, dado o impacto que qualquer ruptura diplomática teria sobre os preços globais de petróleo e as rotas de navegação pelo Estreito de Ormuz. O fato de que ambos os lados descreviam progresso, mas nenhum acordo havia sido alcançado, e de que o próprio Araghchi havia dito que a República Islâmica estava "preparada tanto para a guerra quanto para a paz", criava um quadro de incerteza máxima — que se resolveria de forma dramática com o início dos ataques americanos em 28 de fevereiro.