Diplomatas articulam indicação de mulher para chefiar o MRE

Política Externa Brasileira — América do Sul

O pedido consta em carta enviada ao presidente enquanto Simone Tebet desponta como favorita.

Pedido oficial por liderança femininaA Associação de Mulheres Diplomatas Brasileiras (AMDB) iniciou uma mobilização institucional em Brasília para que o comando da diplomacia nacional passe às mãos de uma mulher no próximo ciclo governamental. A entidade encaminhou uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito para um quarto mandato presidencial, solicitando que ele considere indicar uma mulher para chefiar o Ministério das Relações Exteriores (MRE). Ao longo da história republicana do Brasil, o Palácio do Itamaraty nunca teve uma chanceler titular do sexo feminino, fato que motiva a campanha da associação por maior representatividade nos postos de cúpula do serviço exterior. Embora o documento oficial não apresente indicações nominais ao Poder Executivo, as discussões nos bastidores da carreira diplomática já concentram atenções em torno de perfis políticos específicos.Consenso em torno de TebetEntre os quadros do ministério, a ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, filiada ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), é apontada como a opção de maior convergência interna. Integrantes do MRE, incluindo diplomatas que não fazem parte da AMDB, avaliam que Tebet reúne atributos estratégicos por aliar peso político à capacidade de estreitar os laços do Itamaraty com o agronegócio. Natural de Mato Grosso do Sul, um dos principais estados exportadores de produtos primários do país, e oriunda de uma família tradicional do setor rural, a ex-ministra facilitaria o diálogo da chancelaria com uma área decisiva para a balança comercial brasileira. Além disso, o fato de não pertencer aos quadros de carreira do serviço exterior é visto por parte dos diplomatas como uma vantagem prática para destravar articulações políticas e orçamentárias em defesa dos interesses da pasta em Brasília.Alternativas políticas e Casa CivilAs conversas entre os integrantes da carreira diplomática mencionam ainda o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT), como outro quadro político apto a assumir a chancelaria. Na avaliação dos diplomatas, contudo, a escolha definitiva para o comando do Itamaraty dependerá diretamente do desenho ministerial completo e de quem ocupará a chefia da Casa Civil da Presidência da República, cujas eventuais nomeações influenciarão a distribuição de forças partidárias e técnicas na Esplanada dos Ministérios. Apesar dessa intensa movimentação em torno de lideranças políticas, o cenário de estabilidade administrativa continua forte nas projeções sobre o futuro da pasta.Recondução e disputa na Secretaria-GeralO entendimento predominante dentro do próprio corpo diplomático indica que a substituição no comando do ministério por um quadro externo à carreira ainda possui poucas chances de se concretizar. A hipótese considerada mais provável pelos diplomatas no momento é a recondução do atual ministro Mauro Vieira à chefia do MRE, mantendo a linha de continuidade na condução da política externa brasileira. Enquanto a definição sobre o cargo de chanceler aguarda a decisão presidencial, as articulações internas avançam sobre o comando da Secretaria-Geral das Relações Exteriores, que constitui o segundo posto mais importante da estrutura hierárquica do Itamaraty. Diante da pressão por representatividade de gênero na alta administração diplomática, caberá ao Planalto decidir nos próximos dias se promoverá uma mudança histórica no topo da chancelaria ou se priorizará essa renovação na escolha do novo titular da Secretaria-Geral.