Ucrânia Exige Participação Europeia na Paz

Segurança e Paz — Europa

 Zelensky encerra participação em Munique exigindo que Europa entre formalmente nas negociações de paz; MSC 2026 fecha com declaração conjunta dos líder...

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky concluiu neste sábado, 14 de fevereiro de 2026, sua participação na 62ª Conferência de Segurança de Munique com uma série de reuniões bilaterais de alto nível, uma participação pública no palco principal do Hotel Bayerischer Hof e uma pressão renovada sobre os aliados europeus para que exijam sua inclusão formal nas negociações de paz mediadas pelos EUA entre Washington e Moscou — um processo do qual Kiev e os europeus tinham sido crescentemente excluídos.A intervenção de Zelensky na conferência foi marcada por uma combinação de assertividade e apelo emocional. Diante de uma plateia de ministros e líderes, o presidente ucraniano traçou o que descreveu como a maior ameaça para a Europa: o estabelecimento de um precedente segundo o qual a guerra de agressão compensa — e não é punida. "Se uma guerra de agressão compensa, haverá mais guerras de agressão na Europa", afirmou Zelensky, segundo relato da imprensa presente na sessão.Na frente das negociações de cessar-fogo, o panorama continuava sombrio. A proposta de Zelensky, confirmada na véspera pela AP, de que a Ucrânia realizaria eleições presidenciais em troca de dois meses de cessar-fogo com garantias de segurança adequadas, foi reiterada nos bastidores da conferência — mas sem nenhuma resposta concreta de Washington ou Moscou. A próxima rodada de negociações indiretas estava prevista para Genebra em 17 e 18 de fevereiro, com Steve Witkoff e Jared Kushner do lado americano, e representantes iranianos — não russos diretamente — como contraparte, com mediação omanita.Num dos momentos mais comentados de sua participação em Munique, Zelensky exigiu que os líderes europeus entrassem formalmente no processo de paz: "Somos nós, os ucranianos, que tentamos trazer a Europa para dentro do processo, para que os interesses e a voz da Europa sejam levados em conta. Isso é muito importante." A declaração era uma crítica velada à abordagem bilateral adotada pelos EUA sob Trump — negociar com a Rússia sobre o futuro da Ucrânia sem a participação de Kiev ou dos aliados europeus.Zelensky manteve reuniões bilaterais em Munique com o presidente francês Emmanuel Macron, com o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, com o chanceler alemão Friedrich Merz e com o primeiro-ministro canadense Mark Carney — todos comprometendo renovado apoio militar e financeiro a Kiev, com prazo até 24 de fevereiro, data do quarto aniversário da invasão total russa. Os pacotes incluíam mísseis para sistemas de defesa aérea, apoio à rede elétrica ucraniana e garantias financeiras para o orçamento de guerra do governo Zelensky.A dimensão dos danos à infraestrutura ucraniana ajudou a contextualizar a urgência dos apelos de Zelensky. Ataques russos com drones e mísseis continuavam a atingir a rede elétrica ucraniana sistematicamente, com o objetivo de exaurir a capacidade de resistência da população civil durante o inverno. A Ucrânia havia enfrentado apagões de muitas horas em todo o território durante a semana anterior, e as reservas de gás estavam sob pressão. Os pacotes europeus de apoio energético eram, portanto, tão urgentes quanto os militares.A Conferência de Segurança de Munique de 2026, que havia aberto na quinta-feira, 12 de fevereiro, sob o tema "Sob Destruição", encerrou seus trabalhos formais no sábado à noite. Em seu balanço, o presidente da MSC, Wolfgang Ischinger, descreveu a conferência como "a mais urgente e mais pesada" da história recente do evento — uma avaliação que condensava o peso de um mundo com guerra ativa na Europa, escalada de tensões no Oriente Médio, crise na aliança transatlântica, competição sino-americana e novas pressões sobre a ordem multilateral global.A cobertura da MSC 2026 pela imprensa internacional convergiu num ponto central: o mundo de 2026 era marcado por uma dissolução acelerada das regras e instituições que estruturaram a ordem internacional desde 1945. O relatório da conferência, intitulado "Under Destruction" — Sob Destruição —, havia documentado que a percepção de risco aumentou em praticamente todos os indicadores para a maioria dos países do G7. A proposta de Zelensky de eleições condicionadas ao cessar-fogo havia sido o elemento mais inovador apresentado por um líder europeu durante a conferência, e seu desdobramento nas semanas seguintes seria acompanhado com atenção por todas as capitais ocidentais.