Mandelson renuncia à Câmara dos Lordes e Scotland Yard abre investigação criminal: arqu...

Governança Global — Europa

Em 4 de fevereiro de 2026, Peter Mandelson renunciou à Câmara dos Lordes e a Scotland Yard abriu investigação criminal contra ele por "conduta imprópria no e...

Na manhã de quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, o Lord Speaker da Câmara dos Lordes confirmou que Peter Mandelson havia enviado sua carta de renúncia à câmara alta do parlamento britânico — tornando-se o segundo par a renunciar voluntariamente ao título de lorde desde a criação do mecanismo em 2014, após a aprovação da Lei da Reforma da Câmara dos Lordes, conforme registrou o ITV News. Horas depois, a Comandante Ella Marriott, da Scotland Yard, confirmou em nota que a Polícia Metropolitana havia "instaurado investigação criminal contra um homem de 72 anos, ex-ministro do Governo, por infrações de conduta imprópria no exercício de função pública". A combinação dos dois eventos — renúncia ao Partido Trabalhista no domingo, renúncia à Câmara dos Lordes na quarta-feira e investigação criminal aberta no mesmo dia — representava a destruição completa, em menos de cinco dias, de uma carreira política construída ao longo de 34 anos que havia sobrevivido a dois escândalos anteriores e múltiplas quedas e ressurreições no cenário político britânico, conforme sintetizou a PBS News.O material que havia precipitado a cascata de resignações era a segunda leva dos "arquivos Epstein", divulgada pelo Departamento de Justiça dos EUA em 30 de janeiro de 2026 — uma coleção de mais de 3 milhões de páginas de documentos relacionados ao financista americano Jeffrey Epstein, morto na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento federal por tráfico sexual de menores. Entre os documentos havia e-mails trocados entre Mandelson e Epstein que, segundo analistas e parlamentares britânicos ouvidos pelo ITV News, PBS News e The Washington Post, poderiam configurar crime de conduta imprópria no exercício de função pública — delito do direito consuetudinário britânico que prevê pena de prisão por tempo indeterminado. Em um e-mail datado de 10 de maio de 2010, Mandelson aparentemente informou Epstein que "fontes me dizem que o resgate de 500 bilhões de euros" estava quase concluído — mensagem enviada horas antes de os governos europeus anunciarem publicamente o pacote de € 500 bilhões para estabilizar a zona do euro, conforme documentou o PBS News. O gabinete do premier havia enviado à Scotland Yard material classificado como "provável informação sensível ao mercado" e comprometido pela divulgação, conforme informou um porta-voz do governo ao ITV News. Em outro e-mail de 2009, Mandelson enviou a Epstein um relatório interno do governo discutindo formas de o Reino Unido arrecadar receitas após a crise financeira de 2008 — incluindo pela venda de ativos governamentais —, acompanhado da nota "Nota interessante que foi para o PM", conforme o PBS News.Os extratos bancários incluídos nos arquivos aparentemente sugeriam que uma conta ligada a Epstein havia enviado três pagamentos totalizando US$ 75 mil a contas associadas a Mandelson ou a seu companheiro, Reinaldo Avila da Silva, entre 2003 e 2004. Mandelson declarou não ter "nenhuma lembrança ou registro" de ter recebido esse dinheiro e questionou a autenticidade dos extratos, prometendo investigá-los pessoalmente, conforme registrou o PBS News. Em sua carta de renúncia ao Partido Trabalhista, enviada no domingo, Mandelson escreveu: "Alegações que acredito serem falsas de que ele fez pagamentos financeiros a mim há 20 anos, e dos quais não tenho registro ou lembrança, precisam ser investigadas por mim. Enquanto faço isso, não desejo causar mais constrangimento ao Partido Trabalhista e, portanto, estou renunciando à filiação ao partido", conforme reproduziu o Global News. Os arquivos também aparentemente revelavam que Epstein havia pago um curso de osteopatia para Avila da Silva em 2009 — pagamento que Mandelson havia chamado de "lapso de julgamento coletivo", conforme o PBS News.A crise colocou o primeiro-ministro Keir Starmer em posição extraordinariamente delicada. Starmer havia nomeado Mandelson como embaixador britânico nos EUA em dezembro de 2024 — uma escolha que havia surpreendido observadores, já que Mandelson havia chamado Trump de "valentão" e "perigo para o mundo" em declarações anteriores — e havia demitido Mandelson em setembro de 2025 após a primeira leva de arquivos Epstein. Em 4 de fevereiro, Starmer disse ao parlamento que Mandelson havia "traído o seu país, traído o parlamento e traído o Partido Trabalhista", conforme registrou o Global News. Um porta-voz de Downing Street disse que o primeiro-ministro acreditava que Mandelson "não deveria ser membro da Câmara dos Lordes nem usar o título" — mas reconheceu que "o primeiro-ministro não tem o poder de removê-lo", já que os peers vitalícios só podem ser removidos por legislação específica, um processo que não havia precedente nos últimos 100 anos, conforme o Global News. Starmer anunciou intenção de legislar para modernizar os procedimentos disciplinares da câmara alta, e afirmou ter chegado a um acordo com o Rei Carlos III para remover Mandelson do Conselho Privado, conforme documentaram o ITV News e o Hansard. A líder conservadora Kemi Badenoch disse que o escândalo "só aumenta o escrutínio sobre o julgamento de Starmer e McSweeney" — em referência ao chefe de gabinete de Starmer, Morgan McSweeney, aliado de Mandelson —, conforme registrou o ITV News. O líder dos Liberal Democratas, Ed Davey, havia repetido chamados por uma investigação pública completa, dizendo que Mandelson "pulou antes de ser empurrado", conforme o ITV News.