Trump Cogita Ataque ao Irã
Segurança e Paz — Oriente Médio
NYT revela que Trump se inclina a uma primeira ação militar limitada contra instalações nucleares iranianas, seguida de campanha maior se Teerã não ceder; op...
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avaliava neste domingo, 22 de fevereiro de 2026, a possibilidade de ordenar um ataque militar inicial e limitado ao Irã com o objetivo de pressionar Teerã a fazer concessões em seu programa nuclear — e informou assessores que, se a diplomacia ou uma eventual ação cirúrgica não forçassem o Irã a capitular, consideraria uma campanha de largo alcance com o intuito de derrubar o governo da República Islâmica, revelaram fontes familiarizadas com as deliberações internas da administração ao The New York Times neste mesmo domingo. A reportagem consolidava e aprofundava um cenário de escalada crescente que havia tomado conta das capitais mundiais na semana anterior.A revelação do NYT chegou ao mesmo tempo em que a Axios publicava uma análise ampla das opções militares apresentadas ao presidente pelo Pentágono, que incluíam desde a permissão para enriquecimento nuclear iraniano "simbólico" que não deixasse caminho aberto para uma bomba — sinalizada como uma possível concessão máxima americana — até um cenário de "decapitação" do regime islâmico, com a eliminação física do líder supremo Ali Khamenei e de seu filho Mojtaba, amplamente considerado seu potencial sucessor. Um assessor sênior de Trump disse à Axios: "Eles têm algo para cada cenário. Um deles elimina o aiatolá e o seu filho e os mulás. O que o presidente vai escolher, ninguém sabe. Nem acho que ele mesmo sabe."Outro assessor sênior, citado pela mesma Axios, disse: "O presidente ainda não decidiu atacar. Sei disso porque não atacamos ainda. Ele pode nunca fazê-lo. Pode acordar amanhã e dizer: 'Chega.'" A porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, respondeu às perguntas da imprensa: "A mídia pode continuar a especular sobre o pensamento do presidente o quanto quiser, mas apenas o presidente Trump sabe o que pode ou não fazer."O cenário de domingo, 22 de fevereiro, era de máxima tensão acumulada. Nos dias anteriores, um relatório da Axios revelara que a administração americana considerava aceitar enriquecimento "simbólico" de urânio no Irã como possível concessão em troca de um acordo que deixasse zero caminho para a bomba. Simultaneamente, o The Wall Street Journal havia reportado em 19 de fevereiro que Trump considerava um ataque limitado para pressionar o Irã a um acordo. A terceira rodada de negociações indiretas — a ser realizada em Genebra em 26 de fevereiro — era amplamente descrita como a "última chance diplomática" antes de uma eventual ação militar.O NYT destacou que Trump revelou aos assessores que, se a diplomacia ou um primeiro ataque limitado não produzissem as concessões exigidas, estaria disposto a considerar uma campanha mais extensa nos meses seguintes com o objetivo declarado de forçar a mudança de regime no Irã. Esse escalonamento planejado representava uma ruptura significativa com a doutrina de "pressão máxima com saída diplomática" — havia agora uma "segunda fase" explicitamente discutida nos bastidores da Casa Branca.O crítico mais vocal ao movimento de moderação americano era o senador republicano Lindsey Graham, que esteve em Munique na semana anterior fazendo campanha aberta pela mudança de regime e que, neste domingo, voltou ao ataque em declaração à Axios: "Entendo as preocupações com grandes operações militares no Oriente Médio, dado o passado. No entanto, as vozes que aconselham contra o envolvimento parecem ignorar as consequências de deixar o mal sem controle." Graham afirmou que havia oportunidade de "trazer mudança histórica" ao Irã, mas alertou que as vozes contrárias à ação estavam ficando mais altas.Neste mesmo domingo, um funcionário sênior americano confirmou à Axios que os EUA e o Irã poderiam discutir um acordo provisório na terceira rodada em Genebra. Um acordo provisório que tratasse apenas do programa nuclear — deixando os mísseis balísticos e o apoio iraniano ao "Eixo da Resistência" para fases posteriores — era descrito por analistas do Critical Threats como uma forma de o Irã prolongar as negociações sem atender às demandas nucleares centrais de Washington. Também neste domingo, um funcionário iraniano confirmou à Reuters que a "possibilidade de um acordo provisório existe", enquanto o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano rejeitava a ideia, criando sinais contraditórios característicos da estratégia de Teerã de negociar em múltiplos registros simultaneamente.Para o Brasil, as revelações do New York Times de 22 de fevereiro de 2026 tinham implicações estratégicas imediatas. O Itamaraty historicamente se opõe ao uso da força unilateral e defende soluções negociadas para crises de não proliferação. A perspectiva de um ataque americano ao Irã — especialmente uma campanha de mudança de regime — colocaria o Brasil diante de um dilema semelhante ao da invasão do Iraque em 2003: como posicionar-se publicamente em relação a uma ação que contraria os princípios defendidos pelo Brasil na ONU, preservando ao mesmo tempo a relação bilateral com Washington.