Brasil promulga o novo tratado de livre comércio Mercosul-Singapura
Economia e Comércio — América do Sul
Medida consolida o acesso preferencial a mercado estratégico asiático e entra em vigor em 1o de agosto.
A formalização da abertura comercial bilateralO Brasil promulgou oficialmente o Acordo de Livre Comércio entre o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) e a República de Singapura nesta semana, pelo Decreto N. 13.081. Isso marca um passo decisivo na política de comércio exterior do país ao formalizar a adesão a este tratado, que entra em vigor pleno para o Brasil no próximo sábado, 1º de agosto. Ao viabilizar a entrada em vigor deste tratado, a diplomacia brasileira demonstra o compromisso com a diversificação de mercados, fortalecendo a presença do país no continente asiático e abrindo caminhos para uma integração mais profunda em cadeias de valor de alta tecnologia e serviços avançados.O Mercosul e a estratégia de inserção internacionalO Mercado Comum do Sul, bloco de integração econômica formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, tem buscado uma projeção externa condizente com o potencial econômico de seus Estados Partes. A promulgação deste acordo reflete o compromisso renovado dos membros com uma agenda de inserção internacional mais dinâmica, voltada para a diversificação de mercados e o estreitamento de laços com regiões de alto crescimento econômico. A estratégia de expandir a rede de parceiros extrarregionais pode ser observada em negociações paralelas com outros blocos, como a União Europeia e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA). Outros exemplos dessa busca por maior protagonismo incluem as negociações em curso com o Canadá e com países do Líbano e de Israel, visando expandir a rede de acordos comerciais para além do Atlântico Norte e diversificar a pauta exportadora regional.Detalhes e benefícios do tratadoO tratado com Singapura classifica-se como um acordo de nova geração, uma vez que supera as limitações de acordos tradicionais centrados apenas em bens, incorporando disciplinas modernas e essenciais para a economia contemporânea. O escopo do acordo abrange tópicos complexos como investimentos internacionais, compras públicas, proteção da propriedade intelectual, comércio eletrônico e diretrizes específicas para o fomento das micro, pequenas e médias empresas. Segundo as informações técnicas fornecidas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o modelo de desgravação tarifária estipula que todas as linhas tarifárias de Singapura terão acesso imediato às preferências de categoria zero, enquanto o cronograma desenhado para o Mercosul prevê reduções graduais das alíquotas, mantendo contudo uma lista de 433 linhas tarifárias que permanecerão excluídas de qualquer benefício tarifário, preservando setores sensíveis da economia regional. Esta abordagem visa não apenas a redução de tarifas de importação e exportação, mas também o aprimoramento das normas regulatórias, o fortalecimento das cadeias globais de valor e a atração de investimentos diretos, posicionando os países do Mercosul de maneira mais competitiva frente às demandas por serviços avançados, tecnologia e sustentabilidade no comércio global.Vigência regional e perspectivas estratégicasO ato consolida uma aliança diplomática com um dos principais hubs financeiros e logísticos do mundo, ampliando o horizonte de parcerias extrarregionais do Brasil. A trajetória deste acordo remonta à aprovação pelo Conselho do Mercado Comum durante a LXIII Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, realizada em dezembro de 2023, na cidade do Rio de Janeiro. O tratado permite sua entrada em vigor de forma individual e bilateral, aplicando-se aos Estados que tenham concluído seus processos internos de ratificação e depositado os instrumentos necessários. Seguindo esse rito, o Paraguai foi o primeiro a formalizar a vigência em 1º de fevereiro, seguido pelo Uruguai em 1º de março. Singapura, que possui um PIB per capita próximo de 99 mil dólares e um volume de importações anual que ultrapassa 500 bilhões de dólares, figura como um dos centros financeiros e logísticos mais relevantes da Ásia e como o sétimo principal destino das exportações brasileiras, sendo esta uma peça-chave para o fortalecimento do acesso comercial do Brasil ao mercado asiático.