El Niño ameaça elevar insegurança alimentar para 274 milhões

Meio Ambiente — Global

Relatório do Programa Mundial de Alimentos indica que fenômeno climático pode agravar a fome em 45 países, afetando populações vulneráveis até o final de 2027.

A crise iminente da fome globalO Programa Mundial de Alimentos (WFP) emitiu um alerta severo nesta quarta-feira, 5 de agosto de 2026, sobre o agravamento da insegurança alimentar global decorrente do avanço do fenômeno climático El Niño. De acordo com as análises da agência da Organização das Nações Unidas (ONU), a intensificação das condições meteorológicas extremas pode empurrar 49 milhões de pessoas adicionais para a fome aguda até o final de 2027. Este cenário preocupante projeta um aumento de 22% no contingente de indivíduos incapazes de satisfazer as suas necessidades alimentares diárias, elevando o total mundial de 225 milhões para 274 milhões de pessoas em 45 países monitorados.Dinâmicas do El Niño e previsões científicasO El Niño consiste em um aquecimento periódico das temperaturas da superfície do oceano no Pacífico, fenômeno que altera padrões climáticos em todo o planeta. Relatórios técnicos apontam uma probabilidade de 81% de ocorrência de um evento de intensidade elevada, com temperaturas da superfície do mar nos níveis mais quentes desde 1982. Especialistas indicam que este episódio pode ser o mais rigoroso registrado desde 1950, provocando secas prolongadas na África Austral, atrasos em monções vitais na Ásia e chuvas erráticas em diversas latitudes. Enquanto a previsão aponta para um pico entre setembro e dezembro de 2026, os efeitos prolongados sobre os ciclos de colheita deverão persistir durante todo o ano de 2027.Impacto geográfico e insegurança alimentarAs projeções indicam que o impacto do fenômeno não será uniforme, atingindo desproporcionalmente regiões que já enfrentam instabilidade econômica e climática. A América Central apresenta o cenário mais crítico, com uma estimativa de aumento de 83,1% no número de pessoas em insegurança alimentar aguda, enquanto o Caribe e a América do Sul também enfrentam riscos elevados. Na África Austral, a dependência da agricultura de subsistência torna os domicílios particularmente expostos, com um aumento projetado de 75% na insegurança alimentar. A situação é agravada pela redução na coleta de dados domiciliares em 2026, resultado de cortes de financiamento que dificultam a identificação precisa das emergências em tempo real.Estratégias de mitigação e resiliênciaA Organização das Nações Unidas, por meio de uma colaboração estreita entre o WFP, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA), ampliou as medidas de ação antecipada. A estratégia prioriza o fortalecimento dos mecanismos de financiamento, como seguros contra desastres e pagamentos digitais, que permitem a injeção rápida de recursos em comunidades antes da concretização dos danos. A WFP confirmou que ações preventivas já alcançaram mais de 1,3 milhão de pessoas este ano. A eficácia desse modelo reside no fato de que cada dólar investido em prevenção pode evitar perdas econômicas de até sete dólares em custos de resposta humanitária, evidenciando a necessidade de sustentabilidade financeira global para conter a escalada da fome.