Jordânia convoca chanceleres por ameaça a templos em Jerusalém

Segurança e Paz — Oriente Médio

Amã acusa Israel de planejar controle ilegal sobre a Mesquita de al-Aqsa e convoca reunião com chanceleres do mundo islâmico.

Jordânia mobiliza chanceleres árabes contra pressões israelenses em JerusalémO governo da Jordânia convocou uma reunião emergencial de ministros das Relações Exteriores do mundo árabe e islâmico para o dia 5 de agosto, com o objetivo de coordenar uma resposta contra ações de Israel que ameaçam alterar o arranjo de custódia na Mesquita de al-Aqsa. Em declarações prestadas no dia 4 de agosto, o chanceler jordaniano, Ayman Safadi, alertou sobre a iminência de um controle israelense definitivo sobre o complexo sagrado em Jerusalém Oriental. A diplomacia hachemita argumenta que o avanço de ativistas judeus de extrema-direita conta com o patrocínio tácito de autoridades israelenses, violando frontalmente os tratados que regem a administração do local histórico. Essa crescente tensão na Cidade Velha serve de pano de fundo para uma crise política regional que mobiliza vizinhos do Oriente Médio.Violação sistemática do tratado de coexistência religiosa acirra tensões regionaisA escalada de atritos decorre da erosão deliberada do acordo de coexistência religiosa estabelecido no local, também reverenciado pelos judeus como Monte do Templo. Sob as regras do status quo vigentes e reafirmadas pelo Tratado de Paz de 1994 entre Israel e Jordânia, apenas muçulmanos possuem autorização para realizar orações no pátio interno, enquanto não muçulmanos podem apenas realizar visitas de turismo. Contudo, em 23 de julho, mais de 2.000 nacionalistas israelenses, liderados pelo ministro de Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, realizaram rituais religiosos no complexo sob proteção policial. A persistência dessas incursões gera o temor em Amã de que o governo israelense, liderado por Benjamin Netanyahu, pretenda alterar de forma irreversível a administração do território ocupado.Retaliações econômicas e dinâmica política interna agravam o cenário geopolíticoAs pressões bilaterais vão além do âmbito religioso, estendendo-se a vetores vitais de subsistência como o fornecimento mútuo de recursos hídricos. Em resposta ao posicionamento jordaniano crítico à condução militar de Israel em conflitos recentes, o governo israelense cortou pela metade o fornecimento de água potável previsto nos acordos bilaterais, gerando severo impacto na economia do vizinho hachemita. O momento atual coincide com o período que antecede importantes feriados judaicos de setembro, época em que a coalizão de direita israelense se prepara para enfrentar um processo eleitoral decisivo para a sobrevivência política do primeiro-ministro. A mobilização em Amã reflete, dessa maneira, a urgência de conter o que parlamentares locais descrevem como uma agenda sistemática de anexação territorial na Cisjordânia.Posicionamento diplomático brasileiro e apelo à ordem jurídica internacionalO Ministério das Relações Exteriores do Brasil reafirma rotineiramente seu respaldo à solução de dois Estados, balizada pelas fronteiras existentes antes da Guerra dos Seis Dias em 1967. Alinhado com o consenso majoritário da Organização das Nações Unidas (ONU), o governo brasileiro não reconhece a anexação israelense de Jerusalém Oriental, mantendo a defesa das prerrogativas da Jordânia sobre a proteção dos locais santos. Recentemente, a diplomacia brasileira manifestou profunda preocupação com a destruição de infraestruturas palestinas na região e reiterou a importância do respeito às decisões da Corte Internacional de Justiça (CIJ). A busca por uma resolução multilateral duradoura permanece como a única alternativa para evitar que o acirramento das paixões religiosas desague em uma conflagração armada de proporções continentais.