Guterres anuncia avanço da Iniciativa UN80 para reforma da ONU
Governança Global — Global
Assembleia Geral aprova novas medidas que visam ampliar a eficiência da organização frente aos desafios contemporâneos.
Avanço na estrutura da ONUO Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, compareceu à Assembleia Geral em 3 de setembro de 2026 para detalhar o estágio atual de implementação da Iniciativa UN80. Isso foi provocado pela recente aprovação, pelos Estados-Membros da Assembleia, da fusão do Colégio do Pessoal do Sistema das Nações Unidas (UNSSC) com o Instituto das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa (UNITAR), resultando na criação do Instituto das Nações Unidas para Capacidade e Inovação em Aprendizagem (UNICLI). Essa medida representa um passo decisivo para a agenda de reforma da ONU, avançando da fase de diagnóstico para a execução prática de reformas administrativas, visando tornar a organização mais ágil, coesa e capacitada para transformar compromissos internacionais em resultados concretos.O propósito da Iniciativa UN80A Iniciativa UN80 foi concebida pelo Secretário-Geral com o objetivo de responder à crescente demanda global por uma organização mais eficaz diante da proliferação de conflitos, pressões sobre o desenvolvimento e o teste constante à confiança nas instituições multilaterais. Em um cenário onde as necessidades humanitárias se multiplicam, a reforma busca alinhar a entrega de mandatos aos recursos disponíveis, reduzindo a fragmentação que historicamente limitou a capacidade de atuação do sistema. A importância dessa agenda reside na necessidade de adaptar a estrutura institucional para as exigências contemporâneas, garantindo que a ONU mantenha sua relevância e utilidade para as gerações futuras.Medidas para a reforma operacionalO avanço dessa agenda significa reformar a gestão de recursos e as operações da organização. Além da fusão educacional mencionada, o processo inclui a redução de 21% nos postos do Secretariado, a consolidação de funções de folha de pagamento em uma equipe global única e o lançamento de uma plataforma administrativa comum em Nova Iorque, que atende seis mil funcionários. O uso de tecnologias, como o novo centro digital em Valência e a plataforma de dados do sistema, também é um pilar que integra esforços para eliminar a duplicação de sistemas, infraestruturas e plataformas paralelas. Tudo isso tem como objetivo permitir que os recursos gastos por processos excessivamente burocráticos sejam redirecionados para a execução efetiva dos mandatos humanitários e de desenvolvimento.Governança e a perspectiva brasileiraGuterres concluiu sua fala relembrando que a responsabilidade final pelo sucesso da reforma pertence aos Estados-membros da ONU, cabendo a eles assegurar que as decisões sobre mandatos sejam acompanhadas pelos meios financeiros necessários. Essa pauta de modernização da governança global ressoa com as prioridades da diplomacia brasileira, que historicamente defende o aprimoramento do multilateralismo e a busca por maior eficiência nas instituições internacionais, reforçando o compromisso do país com um sistema ONU mais transparente, representativo e capaz de entregar resultados tangíveis para a comunidade internacional.