ONU celebra o Dia Mundial Humanitário relembrando 23 anos do atentado à sede em Bagdá

Segurança e Paz — Global

Gueterres aponta perigo recorde para profissionais de ajuda e exige proteção contra ataques.

Dia Mundial Humanitário e o alerta globalA Organização das Nações Unidas (ONU) assinalou nesta quarta-feira, 19 de agosto de 2026, o Dia Mundial Humanitário, data dedicada a reconhecer o trabalho essencial dos profissionais que atuam em cenários de conflito e crise ao redor do planeta. O evento ocorre em um momento de profunda preocupação internacional, marcado pelo recorde de mortes de trabalhadores que buscam salvar vidas em zonas de hostilidade. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, enfatizou que o exercício da solidariedade tornou-se uma atividade de risco extremo. A data serve como um lembrete contundente das obrigações globais em relação à segurança de quem atua nas linhas de frente da assistência humanitária.Memória e legado em BagdáA escolha do dia 19 de agosto remete ao atentado terrorista ocorrido em 2003 contra a sede da organização em Bagdá, no Iraque, que resultou na morte de 22 funcionários da ONU. Entre as vítimas estava o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, cuja trajetória é celebrada até hoje como um símbolo de dedicação à paz. A cerimônia realizada em Nova York prestou homenagem aos colegas que perderam a vida, reiterando que o legado daqueles profissionais continua vivo nas ações de assistência prestadas atualmente em meio a desastres e conflitos. Guterres destacou a importância de manter viva a memória desse acontecimento para reafirmar os valores de humanidade e solidariedade que guiam o trabalho da organização.Riscos crescentes no cenário atualO cenário humanitário global enfrenta desafios sem precedentes, com dados apontando que mais de mil trabalhadores humanitários foram mortos nos últimos três anos. A maioria das vítimas compõe o quadro de funcionários locais, que apoiam suas próprias comunidades em situações de vulnerabilidade. Além da violência direta causada por disparos e bombardeios, os profissionais estão expostos a novas ferramentas de guerra, como drones armados, que aumentam a imprevisibilidade dos riscos. O ambiente de trabalho é ainda agravado pela propagação de desinformação, que corrói a confiança pública, além de cortes severos no financiamento internacional e restrições deliberadas ao acesso de comboios de ajuda em diversas zonas de crise.Apelo pela proteção e cumprimento das normasO secretário-geral da ONU manifestou-se de forma enérgica sobre a necessidade de mudança na postura da comunidade internacional. Guterres sublinhou que os ataques contra trabalhadores humanitários são ilegais sob o Direito Internacional e trazem consequências devastadoras para populações civis, incluindo crianças e pacientes dependentes de cuidados urgentes. O apelo da organização centra-se no cumprimento rigoroso dos compromissos internacionais para o respeito às regras da guerra e a garantia de acesso seguro para operações de socorro. É fundamental que os países atuem para responsabilizar os autores de ataques e assegurem que os profissionais da área recebam os recursos necessários para desempenhar suas funções com segurança.