Em Discurso na Índia, Ministro do Irã acusa Emirados Árabes de Ataque Militar

Segurança e Paz — Oriente Médio

Encontro de ministros das Relações Exteriores na Índia expõe racha no bloco diplomático após ofensivas militares no Golfo Pérsico.

Tensão diplomática no encontro de chanceleres na ÍndiaO ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Aragchi, acusou os Emirados Árabes Unidos de envolvimento direto em operações militares contra o território iraniano. A manifestação ocorreu nesta quinta-feira (14 de maio de 2026), durante a reunião de chanceleres do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS), sediada em Nova Délhi, na Índia. O evento reúne os principais diplomatas do bloco para debater governança global e segurança, mas o cronograma oficial foi ofuscado pelo embate verbal. A delegação iraniana cobrou uma posição firme dos países membros contra o que classifica como agressão militar ilegal. A acusação gera incertezas sobre a capacidade de o grupo publicar um comunicado final unificado.Antecedentes do conflito armado no Golfo PérsicoA atual crise de segurança no Oriente Médio começou no dia 28 de fevereiro de 2026, com bombardeios executados pelos Estados Unidos e por Israel contra alvos estratégicos no Irã. Em retaliação, o governo iraniano lançou mísseis e drones contra bases militares estadunidenses localizadas em países do Golfo. Reportagens recentes publicadas na imprensa internacional apontaram que os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita teriam conduzido ataques sigilosos contra o Irã no início de abril. Os governos árabes negam participação direta nas ofensivas militares. Declarações sobre o papel dos Emirados Árabes UnidosAragchi afirmou que decidiu não citar nominalmente os Emirados Árabes Unidos no discurso de abertura para preservar a unidade do agrupamento. No entanto, em resposta aos comentários do representante emiradense, o chanceler iraniano declarou que o país vizinho esteve diretamente envolvido na agressão e falhou em emitir uma condenação oficial quando os ataques começaram. A controvérsia ganhou tração um dia após o governo de Abu Dhabi negar uma declaração do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sobre uma suposta visita sua ao país do Golfo durante o conflito. O ministro do Irã alertou que as bases estrangeiras não garantem a segurança regional a longo prazo.Posição oficial da diplomacia brasileira no fórumO Brasil acompanha os desdobramentos do encontro por meio do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Segundo a Nota à Imprensa número 163 do Ministério das Relações Exteriores (MRE), publicada ontem (13), o chanceler brasileiro participa de três sessões de trabalho na Índia para tratar de questões globais e da reforma da governança. A diplomacia nacional já havia se manifestado sobre o conflito no Oriente Médio no final de fevereiro, quando o governo expressou profunda preocupação com a escalada de hostilidades. O Brasil condena quaisquer medidas que violem a soberania de terceiros Estados e defende o diálogo diplomático como o único caminho viável para a superação de divergências, em estrito respeito à Carta da Organização das Nações Unidas (ONU).Impactos para a governança do bloco multilateralO desentendimento entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, dois dos membros recentes a ingressar no bloco, impõe um desafio diplomático inédito para a atual presidência indiana. Representantes da mídia estatal iraniana e diplomatas sinalizam que a divergência interna dificulta a redação de um documento consensual para encerrar o encontro. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, relatou obstáculos de articulação decorrentes da presença emiradense na cúpula. Os resultados das negociações em Nova Délhi servirão de base para a Cúpula de Chefes de Estado do Brics, programada para setembro na Índia, testando a estabilidade do bloco diante de litígios internacionais agudos.