Brasil Lidera Destino de Investimentos Chineses com Aportes Recordes em 2025

Economia e Comércio — América do Sul

O volume de capital externo asiático alcançou 6,1 bilhões de dólares no último ano e posicionou o mercado nacional como o principal foco internacional de Peq...

Brasil Retoma a Liderança Global na Captação de Capital ChinêsO Brasil consolidou sua posição como o principal destino mundial de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) provenientes da China em 2025. O país sul-americano atraiu 10,9% do total de capitais chineses investidos no exterior, segundo dados recém-publicados pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). Os recursos somaram 6,1 bilhões de dólares, o que representa uma expansão expressiva de 45% em relação ao ano anterior. Esse avanço volumoso contrasta com a desaceleração global de apenas 1,3% nas aplicações financeiras externas de Pequim em todo o mundo. A concentração de projetos evidencia a importância da economia brasileira para as complexas estratégias geoeconômicas do país asiático. O cenário reflete uma mudança estrutural nas prioridades bilaterais, que evoluíram para o estabelecimento de uma verdadeira cadeia produtiva em solo nacional, superando a fase de foco estrito no comércio de matérias-primas básicas.Transição Energética Direciona o Foco dos Projetos BilateraisA nova fase da cooperação sino-brasileira concentra-se firmemente no desenvolvimento de tecnologias para a transição energética e na segurança das cadeias produtivas globais. O setor elétrico tradicionalmente lidera a recepção de fundos, com cerca de 1,79 bilhão de dólares aplicados em infraestrutura de transmissão e geração limpa. No entanto, o segmento de mineração registrou um interesse renovado e alcançou o maior nível de captação desde 2011. Os investimentos chineses em extração mineral mais que triplicaram em 2025 e totalizaram 1,76 bilhão de dólares, o equivalente a 29% de todos os aportes realizados no mercado brasileiro. Diferentemente de nações vizinhas, onde os esforços concentram-se fortemente no lítio, as empresas asiáticas no Brasil buscam ativamente uma cesta diversificada de ativos minerais. O interesse abrange a exploração de cobre, níquel, grafite, ouro e terras raras, todos insumos críticos para a produção em larga escala de baterias de alta eficiência energética.Montadoras Asiáticas Expandem a Produção de Veículos ElétricosO fortalecimento progressivo da indústria automotiva nacional representa outro pilar essencial do atual ciclo de aportes externos. O segmento figurou em terceiro lugar no ranking geral de 2025 ao receber 965 milhões de dólares, correspondentes a 15,8% do montante total. Projetos estruturais de grande porte ganharam força, com especial destaque para a ampliação da fábrica de veículos elétricos da BYD em Camaçari, no estado da Bahia, e os consistentes avanços da GWM no município de Iracemápolis, localizado no interior de São Paulo. Tais companhias adquiriram e converteram complexos industriais anteriormente pertencentes a tradicionais montadoras ocidentais, transformando-os em modernos polos de mobilidade híbrida. O diretor de pesquisa do CEBC, Tulio Cariello, destaca que o mercado brasileiro oferece hoje uma combinação rara e atrativa de amplo mercado consumidor, abundância de recursos naturais e uma matriz elétrica amplamente baseada em energia limpa.Fundos Governamentais Impulsionam o Desenvolvimento Tecnológico ConjuntoA sustentação desse vigoroso dinamismo financeiro ocorre com o suporte direto de sólidas instituições estatais de ambos os governos. O estabelecimento e a operacionalização de um novo fundo de investimento bilateral, orçado em 1 bilhão de dólares, exemplificam claramente essa dinâmica cooperativa pragmática. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) comprometeu cerca de 400 milhões de dólares para a iniciativa, enquanto o Banco de Exportação e Importação da China providenciou o capital complementar. Os projetos confirmados somaram exatas 52 operações distribuídas por vinte estados brasileiros durante o último ano de 2025. O atual arranjo institucional consolida uma inserção estratégica profunda no mapa industrial moderno, capacitando a economia para os desafios ambientais futuros e alterando definitivamente o equilíbrio econômico e tecnológico da região perante o cenário global.